
Capítulo Seis: Ultraje
Thur abriu os olhos. Uma cantoria vinda da cozinha o fez acordar de seu sono. Ele sorriu ao ouvir ao fundo Lua cantarolando “We are young, heartache to heartache we stand.No promises, no demands. Love Is A Battlefield” acompanha de algumas batidas de talheres de madeira pelo balcão. O rapaz gargalhou quando cantadas as notas mais agudas. Sentou-se no sofá, coçando os olhos, percebendo que continuava nu, mas coberto por um lençol fino. As imagens das últimas horas vieram em sua mente. Ah, como havia sido bom! Ele se sentia livre. Parecia leve, sem ódio ou amargura; não era mais o mesmo. Olhou o relógio ao lado da televisão e balançou a cabeça negativamente, levantando-se do sofá. Caminhou à vontade até o cômodo, tentando pentear os cabelos com os dedos. Parou no vão da porta, colocando as mãos na cintura ao observar Lu dançar e cantar distraidamente, sem ao menos notar sua presença ali.
- São 3 horas da manhã, o que você está fazendo? – perguntou, atraindo a atenção da garota, que parou de cantar assim que o viu, expondo um sorriso largo no rosto.
- Sanduiches. – disse ela, apontando o pão e aparentemente tudo o que tirara da geladeira sobre uma mesa de madeira – Você me deixou com fome. – confessou, corando. Thur sorriu, aproximando-se. Lembrando-se de sua “condição física”, deu dois passos em direção a sua boxer jogada ao canto do aposento, vestindo-a antes de voltar a andar até Lua. Ele reparou que ela usava uma calcinha listrada com renda preta e uma blusa branca cavada, percebeu também que a garota havia refeito a atadura sobre a barriga e seios. Ele abraçou-a por trás, apoiando o queixo no topo de sua cabeça ao fazer carinhos em sua barriga com as unhas – Vai querer com ou sem queij...?
- Que cheiro é esse? – interrompeu-a, olhando ao redor.
- Cheiro? Que cheiro? Só sinto o seu perfume. – ela respondeu, desentendida.
- Parece-me um gás ou... Gasolina?! – indagou sério a si mesmo. Afastou-se dela, apoiando as mãos no chão ao olhar embaixo dos armários e mesas. Lua o observava percorrer a cozinha de um lado ao outro com o cenho franzido, terminando de passar algo viscoso, maionese talvez, em uma fatia de pão. Thur percorria os mesmos metros, andando em círculos pelo cômodo, até que pisou em algo pegajoso perto da porta dos fundos. Levantou o olhar para Lu indicando que achara o que procurava, a mesma respondeu com um dar de ombros. O rapaz percebeu que em cima da pia havia uma caneca com água, a qual supôs que Lua usaria para fazer chá. No momento em que lhe passou o pensamento pela mente, ela pegara a mesma, colocando-a sobre o fogão. Procurou por uma caixa de fósforos, segurando um nas mãos – Não o acenda. – Thur advertiu, fazendo-a parar no exato momento em que o faria. Ele virou o rosto em direção ao exterior da casa, observando o quintal por uma janela – Mas que porra! – gritou, seguindo com os olhos o caminho que um filete de fogo fazia em direção a casa, por uma trilha de combustível que entraria pela porta em poucos segundos. Arthur correu em direção a Lua e agarrou as mãos dela, puxando-a para fora. Eles passaram pela porta afobados enquanto a garota questionava o que é que estava acontecendo. Atravessaram o jardim lateral do lugar, rumando em direção ao ponto mais longe possível. Thur olhou para trás a tempo de ver o fogo se espalhando por todo o gramado do quintal e seguir em direção a cozinha. Quando alcançaram a rua a casa explodiu, ecoando o barulho estrondoso dos cômodos se partindo, fazendo-os jogarem-se na grama dos vizinhos frontais da garota, quase caindo em sua varanda. Lu ajoelhou-se, observando as chamas tomarem conta da residência enquanto uma lágrima escorria por seus olhos castanhos, arregalados de pavor. Ela levantou-se bruscamente e tentou correr rumo a casa, mas foi impedida por Thur, que segurou seus braços com força.
- A carta está lá, Arthur. É a única maneira de eu reencontrar meu pai, não posso perdê-la. – ela se contorcia, tentando, em vão, se soltar. Vizinhos já saiam de suas casas e aglomeravam-se ali para observar a cena caótica que iluminava todo o quarteirão – Solte-me, eu preciso...
- Diga-me onde está, eu vou até lá. – falou firme, virando-a de frente ao seu corpo. Estava determinado a recuperar a única pista que a garota tinha de encontrar o pai, era como se vê-la realizar esse sonho o fizesse feliz.
- Pode se queimar. – choramingou Lu, mas o rapaz não cedeu, insistiu com um olhar repreendedor para que ela falasse. As lágrimas que escorriam pelos olhos dela doíam nele, que não gostou de ver sua Lua chorando daquele jeito – Há um corredor que faz divisa com a sala, por onde se chega aos quartos. O meu tem um pôster bem evidente do Johnny Depp na porta, embora eu ache que não sobrou nem sequer um pedacinho dele. Entre. Ao lado da cama haverá dois criados-mudos, um deles tem três gavetas, o que estará perto da janela. Abra a segunda. Terá ali uma caixinha de madeira, dentro desta estará a carta. – desatou a falar, apertando os lábios. Thur assentiu, travando a mandíbula – Cuidado. – ela sussurrou, encostando os lábios levemente nos dele, fazendo-o sentir o gosto salgado de suas lágrimas. Arthur abraçou-a com força, afagando seus cabelos loiros rapidamente, e virou-se em direção aos destroços pegando fogo.
Thur abriu os olhos. Uma cantoria vinda da cozinha o fez acordar de seu sono. Ele sorriu ao ouvir ao fundo Lua cantarolando “We are young, heartache to heartache we stand.No promises, no demands. Love Is A Battlefield” acompanha de algumas batidas de talheres de madeira pelo balcão. O rapaz gargalhou quando cantadas as notas mais agudas. Sentou-se no sofá, coçando os olhos, percebendo que continuava nu, mas coberto por um lençol fino. As imagens das últimas horas vieram em sua mente. Ah, como havia sido bom! Ele se sentia livre. Parecia leve, sem ódio ou amargura; não era mais o mesmo. Olhou o relógio ao lado da televisão e balançou a cabeça negativamente, levantando-se do sofá. Caminhou à vontade até o cômodo, tentando pentear os cabelos com os dedos. Parou no vão da porta, colocando as mãos na cintura ao observar Lu dançar e cantar distraidamente, sem ao menos notar sua presença ali.
- São 3 horas da manhã, o que você está fazendo? – perguntou, atraindo a atenção da garota, que parou de cantar assim que o viu, expondo um sorriso largo no rosto.
- Sanduiches. – disse ela, apontando o pão e aparentemente tudo o que tirara da geladeira sobre uma mesa de madeira – Você me deixou com fome. – confessou, corando. Thur sorriu, aproximando-se. Lembrando-se de sua “condição física”, deu dois passos em direção a sua boxer jogada ao canto do aposento, vestindo-a antes de voltar a andar até Lua. Ele reparou que ela usava uma calcinha listrada com renda preta e uma blusa branca cavada, percebeu também que a garota havia refeito a atadura sobre a barriga e seios. Ele abraçou-a por trás, apoiando o queixo no topo de sua cabeça ao fazer carinhos em sua barriga com as unhas – Vai querer com ou sem queij...?
- Que cheiro é esse? – interrompeu-a, olhando ao redor.
- Cheiro? Que cheiro? Só sinto o seu perfume. – ela respondeu, desentendida.
- Parece-me um gás ou... Gasolina?! – indagou sério a si mesmo. Afastou-se dela, apoiando as mãos no chão ao olhar embaixo dos armários e mesas. Lua o observava percorrer a cozinha de um lado ao outro com o cenho franzido, terminando de passar algo viscoso, maionese talvez, em uma fatia de pão. Thur percorria os mesmos metros, andando em círculos pelo cômodo, até que pisou em algo pegajoso perto da porta dos fundos. Levantou o olhar para Lu indicando que achara o que procurava, a mesma respondeu com um dar de ombros. O rapaz percebeu que em cima da pia havia uma caneca com água, a qual supôs que Lua usaria para fazer chá. No momento em que lhe passou o pensamento pela mente, ela pegara a mesma, colocando-a sobre o fogão. Procurou por uma caixa de fósforos, segurando um nas mãos – Não o acenda. – Thur advertiu, fazendo-a parar no exato momento em que o faria. Ele virou o rosto em direção ao exterior da casa, observando o quintal por uma janela – Mas que porra! – gritou, seguindo com os olhos o caminho que um filete de fogo fazia em direção a casa, por uma trilha de combustível que entraria pela porta em poucos segundos. Arthur correu em direção a Lua e agarrou as mãos dela, puxando-a para fora. Eles passaram pela porta afobados enquanto a garota questionava o que é que estava acontecendo. Atravessaram o jardim lateral do lugar, rumando em direção ao ponto mais longe possível. Thur olhou para trás a tempo de ver o fogo se espalhando por todo o gramado do quintal e seguir em direção a cozinha. Quando alcançaram a rua a casa explodiu, ecoando o barulho estrondoso dos cômodos se partindo, fazendo-os jogarem-se na grama dos vizinhos frontais da garota, quase caindo em sua varanda. Lu ajoelhou-se, observando as chamas tomarem conta da residência enquanto uma lágrima escorria por seus olhos castanhos, arregalados de pavor. Ela levantou-se bruscamente e tentou correr rumo a casa, mas foi impedida por Thur, que segurou seus braços com força.
- A carta está lá, Arthur. É a única maneira de eu reencontrar meu pai, não posso perdê-la. – ela se contorcia, tentando, em vão, se soltar. Vizinhos já saiam de suas casas e aglomeravam-se ali para observar a cena caótica que iluminava todo o quarteirão – Solte-me, eu preciso...
- Diga-me onde está, eu vou até lá. – falou firme, virando-a de frente ao seu corpo. Estava determinado a recuperar a única pista que a garota tinha de encontrar o pai, era como se vê-la realizar esse sonho o fizesse feliz.
- Pode se queimar. – choramingou Lu, mas o rapaz não cedeu, insistiu com um olhar repreendedor para que ela falasse. As lágrimas que escorriam pelos olhos dela doíam nele, que não gostou de ver sua Lua chorando daquele jeito – Há um corredor que faz divisa com a sala, por onde se chega aos quartos. O meu tem um pôster bem evidente do Johnny Depp na porta, embora eu ache que não sobrou nem sequer um pedacinho dele. Entre. Ao lado da cama haverá dois criados-mudos, um deles tem três gavetas, o que estará perto da janela. Abra a segunda. Terá ali uma caixinha de madeira, dentro desta estará a carta. – desatou a falar, apertando os lábios. Thur assentiu, travando a mandíbula – Cuidado. – ela sussurrou, encostando os lábios levemente nos dele, fazendo-o sentir o gosto salgado de suas lágrimas. Arthur abraçou-a com força, afagando seus cabelos loiros rapidamente, e virou-se em direção aos destroços pegando fogo.
A explicação de Lua agora não seria de muita ajuda, não restara praticamente nada intacto na casa. O peito de Thur pareceu apertado ao imaginá-la aos prantos em meio aos vizinhos fofoqueiros. Ele seguiu seu instinto, atravessando o que antes era o vão da porta de entrada. Gemeu de dor ao perceber o chão quente sobre seus pés, mesmo de meias ele pode sentir a ardência do fogo. A sala estava aos entulhos, fazendo-o bufar raivoso ao observar o sofá onde havia estado com Lua queimar lentamente. Apertou os olhos e foi até o que lhe pareceu a entrada do corredor, desviando-se das chamas que se alastravam. Deu de cara com duas portas, uma delas pela metade. Procurou entre os pedaços de madeira algum sinal do rosto do Johnny Depp, encontrando o pôster sendo consumido pelo fogo. O ator encolhia conforme o papel virava cinzas. Thur empurrou a meia porta para frente com dificuldade, pois do outro lado havia mais madeira amontoada, levando em conta que a maçaneta estava quente. A cama de Lua estava quebrada, um pedaço do forro do teto caído sobre ela. O criado-mudo com três gavetas estava escondido por entulho. Thur limpou-o com as mãos, jogando tijolos, madeira e cinzas para o lado. Arrancou a segunda gaveta toda, tirando de lá a caixinha. Abriu-a, certificando-se de que a carta estava lá, e a fechou novamente. Levantou o rosto em direção à porta, vendo o fogo se aproximando. Com os olhos comprimidos, deu alguns passos em direção a ela, torcendo o nariz ao pisar em pedaços afiados de madeira. Ao atravessar a mesma, uma viga caiu em seu ombro violentamente, fazendo-o berrar e se ajoelhar instantaneamente ao chão, apoiando a mão sobre o local. Sentiu o sangue escorrendo por um corte não muito profundo, ensopando seu colo. As gotas vermelhas desciam por seu peitoral, dispersando-se por seu corpo. Ele travou a mandíbula, suspirou fundo tentando conter a dor e levantou-se. Lua precisava daquela carta e ele precisava de Lua, não poderia desistir de sair dali. As maçãs de seu rosto estavam escuras, assim como todo o corpo. A boxer branca agora era preta, assim como as meias, e seus cabelos estavam eriçados e cheiravam a queimado.
Parecia impossível atravessar o caminho por onde entrara devido ao fogo, teria que achar outra saída. Ele observou uma das janelas quase cedendo, prestes a cair. Avistou um vaso antigo ao chão ainda inteiro e pegou-o nas mãos, sentindo o ombro latejar. Engolindo em seco, trêmulo, jogou-o sobre o vidro, despedaçando-o ao abrir um buraco na parede. Cambaleou até lá, zonzo pela fumaça que entupia seu nariz. Ouviu exclamações e gritos ao sair da casa, caindo de rosto no gramado. A caixinha escapou de suas mãos, indo parar a centímetros de distância de seus dedos.
Mãos delicadas logo o acolheram. Thur piscou algumas vezes, desnorteado, e encontrou um par de olhos castanhos o fitando. Abriu um sorriso fraco, que foi calado por um beijo de Lua. Ela o puxou para seu colo, deitando sua cabeça em suas pernas, enquanto gritava “Chamem uma ambulância, suas lesmas” para os vizinhos que os encaravam. Três minutos depois o corpo de bombeiros estava no local, junto com a polícia e mais curiosos. Lu afagava os cabelos de Arthur, esperando pela ambulância que não chegava, enquanto dizia que tudo ficaria bem. Thur esticou as mãos até a caixinha e pegou-a com os dedos vacilantes, entregando-a a garota.
- Não acredito que você está machucado por isso, me desculpe. – sua voz soava chorosa, devido às lagrimas que não paravam de escorrer por seus olhos – Não deveria ter ido, Thur. – sussurrou triste.
- Agora você pode realizar o seu sonho e eu o meu. – falou ele, tentando consolá-la enquanto afagava seu rosto. Lua fitou-o desentendida. Pelo que se lembrava do sonho do rapaz nada na situação acarretaria em uma cerimônia de casamento. Ele suspirou sorrindo antes de continuar a falar – A segunda opção é a correta. Quero me casar por não conseguir ficar longe. Não que eu esteja te pedindo em casamento, não hoje, mas sinto que não conseguirei viver sem você. – murmurou, timidamente – Engraçado, eu sei. Não te conheço tão bem assim, mas afinal, enfrentei uma casa em chamas por você, não foi? Isso só pode significar alguma coisa, mesmo que eu ainda não saiba o que é.
- Já é o bastante para que eu acredite. – respondeu ela, beijando sua testa. Thur alargou o sorriso e esticou o pescoço para receber um nos lábios, contudo, a ambulância chegara no mesmo instante e três homens vestidos de branco saíram do automóvel. Eles levaram o rapaz para o carro, com a intenção de fazer um curativo em seu ombro, deixando Lua perdida em meio à multidão. Os vizinhos a encaravam repreendedores, fitando seu corpo seminu, como quem dizia “Sempre soube que o estilo intelectual era só fachada”. Vendo-se ruborizada, ela caminhou rapidamente até Thur e observou o enfermeiro fazer-lhe uma sutura no corte, lançando ao homem um olhar encorajador, enquanto esse revirava os olhos de dor.
Os bombeiros estabilizaram a situação e esperavam para que o casal pudesse explicar o motivo do incêndio. Um deles aproximou-se de Lua e começou a fazer alguns questionamentos. Thur ameaçou um dos enfermeiros para que este entregasse algum roupão a garota ao reparar os olhares maliciosos lançados sobre ela. Lu foi coberta por uma camisola de hospital, rolando os olhos ao ver Thur assentir autoritário e continuou a responder as perguntas do bombeiro a sua frente. Acabado o curativo, o homem afastou-se da maca, descendo do veiculo, sem ao menos agradecer. Agarrou Lu pela cintura, possessivo. Ela virou-se rapidamente para ele, perguntando se estava bem, fazendo-o afirmar com um aceno ao dar um beijo em seu rosto. Os bombeiros e policiais, que se aproximaram para participar do interrogatório, não gostaram da atitude de Thur, preferiam continuar conversando somente com Lua, que era mais simpática e muito mais atraente.
Parecia impossível atravessar o caminho por onde entrara devido ao fogo, teria que achar outra saída. Ele observou uma das janelas quase cedendo, prestes a cair. Avistou um vaso antigo ao chão ainda inteiro e pegou-o nas mãos, sentindo o ombro latejar. Engolindo em seco, trêmulo, jogou-o sobre o vidro, despedaçando-o ao abrir um buraco na parede. Cambaleou até lá, zonzo pela fumaça que entupia seu nariz. Ouviu exclamações e gritos ao sair da casa, caindo de rosto no gramado. A caixinha escapou de suas mãos, indo parar a centímetros de distância de seus dedos.
Mãos delicadas logo o acolheram. Thur piscou algumas vezes, desnorteado, e encontrou um par de olhos castanhos o fitando. Abriu um sorriso fraco, que foi calado por um beijo de Lua. Ela o puxou para seu colo, deitando sua cabeça em suas pernas, enquanto gritava “Chamem uma ambulância, suas lesmas” para os vizinhos que os encaravam. Três minutos depois o corpo de bombeiros estava no local, junto com a polícia e mais curiosos. Lu afagava os cabelos de Arthur, esperando pela ambulância que não chegava, enquanto dizia que tudo ficaria bem. Thur esticou as mãos até a caixinha e pegou-a com os dedos vacilantes, entregando-a a garota.
- Não acredito que você está machucado por isso, me desculpe. – sua voz soava chorosa, devido às lagrimas que não paravam de escorrer por seus olhos – Não deveria ter ido, Thur. – sussurrou triste.
- Agora você pode realizar o seu sonho e eu o meu. – falou ele, tentando consolá-la enquanto afagava seu rosto. Lua fitou-o desentendida. Pelo que se lembrava do sonho do rapaz nada na situação acarretaria em uma cerimônia de casamento. Ele suspirou sorrindo antes de continuar a falar – A segunda opção é a correta. Quero me casar por não conseguir ficar longe. Não que eu esteja te pedindo em casamento, não hoje, mas sinto que não conseguirei viver sem você. – murmurou, timidamente – Engraçado, eu sei. Não te conheço tão bem assim, mas afinal, enfrentei uma casa em chamas por você, não foi? Isso só pode significar alguma coisa, mesmo que eu ainda não saiba o que é.
- Já é o bastante para que eu acredite. – respondeu ela, beijando sua testa. Thur alargou o sorriso e esticou o pescoço para receber um nos lábios, contudo, a ambulância chegara no mesmo instante e três homens vestidos de branco saíram do automóvel. Eles levaram o rapaz para o carro, com a intenção de fazer um curativo em seu ombro, deixando Lua perdida em meio à multidão. Os vizinhos a encaravam repreendedores, fitando seu corpo seminu, como quem dizia “Sempre soube que o estilo intelectual era só fachada”. Vendo-se ruborizada, ela caminhou rapidamente até Thur e observou o enfermeiro fazer-lhe uma sutura no corte, lançando ao homem um olhar encorajador, enquanto esse revirava os olhos de dor.
Os bombeiros estabilizaram a situação e esperavam para que o casal pudesse explicar o motivo do incêndio. Um deles aproximou-se de Lua e começou a fazer alguns questionamentos. Thur ameaçou um dos enfermeiros para que este entregasse algum roupão a garota ao reparar os olhares maliciosos lançados sobre ela. Lu foi coberta por uma camisola de hospital, rolando os olhos ao ver Thur assentir autoritário e continuou a responder as perguntas do bombeiro a sua frente. Acabado o curativo, o homem afastou-se da maca, descendo do veiculo, sem ao menos agradecer. Agarrou Lu pela cintura, possessivo. Ela virou-se rapidamente para ele, perguntando se estava bem, fazendo-o afirmar com um aceno ao dar um beijo em seu rosto. Os bombeiros e policiais, que se aproximaram para participar do interrogatório, não gostaram da atitude de Thur, preferiam continuar conversando somente com Lua, que era mais simpática e muito mais atraente.
- Foi uma tentativa de assassinato. – acusou Arthur, fazendo todos os olhares prenderem-se a ele – Eu vi o fogo por um caminho de combustível, não foi acidente. – continuou, sério. Lua encarou-o boquiaberta, os olhos ainda marejados impediam-na de ver as expressões chocadas dos policiais. O rapaz praticamente dizia com os olhos “Não se preocupe, eu cuido disso”, fazendo com que ela apenas olhasse de um homem para o outro.
- Meus homens encontraram uma das bocas do fogão acesa. – intrometeu-se o líder, rabugento. Lu segurou o pulso de Thur, não sabia como rebater o diálogo, estava ainda chocada por ter perdido sua casa.
- Não chegamos a sequer usar um fósforo, não tente revirar a culpa para o nosso lado. – Arthur contradisse, começando a ficar nervoso. Lu parecia muda, assustada – O fogo não teria se materializado e mesmo que o fogão estivesse com uma de suas bocas acesas não fomos nós a causar o incêndio. Posso afirmar, eu vi o fogo primeiro do lado de fora da casa. – discutia, franzindo o cenho. Odiava policiais, eram estúpidos e ignoravam as pistas mais evidentes.
- Estavam acordados pelo visto. – pronunciou o homem, olhando de relance o rapaz de cueca e a garota em seus braços – Quem me garante que são inocentes? Além do mais, conseguiram fugir a tempo. – acusou o policial.
- Estávamos mesmo, transamos a noite toda, satisfeitos? – gritou alto para que todos ouvissem, bufando. Lu encolheu-se em seu peito, encabulada. Os vizinhos agora cochichavam e apontavam para ela, comprimindo os olhares repreendedores – Isso não quer dizer que tenhamos botado fogo na nossa própria casa, não somos burros, acham que queríamos morrer? – ironizou, furioso – Como eu já disse, fugimos quando vi o fogo próximo a casa. Percebi o óbvio, ao contrário de vocês. Não teríamos colocado fogo e fugido, o que ganharíamos com isso? – dizia, fazendo-os se entreolharem.
- E porque acha que foi tentativa de assassinato? – tornou a perguntar, agora absorvendo melhor os fatos.
- Meu irmão foi morto há um mês, creio que a vitima agora seja eu. – Thur disse claramente. Lua arregalou os olhos molhados, virando o corpo de frente ao dele – Estive pensando nisso, antes era somente uma hipótese, mas agora tenho certeza. – falou a ela, que o abraçou, perdendo o rosto em seu ombro, fazendo-o contrair minimamente o mesmo – Terminaram? Por que se não se importarem, gostaríamos de sair desse lugar o quanto antes. – disse o rapaz, afagando os cabelos dela. Os policiais pareciam perdidos e afirmaram, não muito contentes. Thur puxou a garota em direção ao seu carro, abrindo a porta para ela, que escorregou para dentro. O homem deu a volta e sentou-se no banco do motorista. Assim que apoiou as mãos no volante, o celular no porta luvas começou a tocar. Thur olhou para Lu quando não reconheceu o número, mas atendeu mesmo assim, colocando no viva voz – Alô?
- Ainda vivos? – disse uma voz alterada por aparelho, soando entediante. Lu arregalou os olhos, intrigada, e Arthur incomodou-se primeiro com o plural usado na frase para depois perceber que aquilo havia soado como uma possível ameaça – Parece-me que será mais difícil do que eu pensava pegar vocês, não poderei me dar ao trabalho de uma tacada tão espetacular quanto a explosão. Aquela foi clássica e vocês me deixaram magoado por terem escapado inteiros. – ouviu-se um suspiro, Thur já se segurava para não jogar o telefone longe ao ver o medo estampado nos olhos de Lua. Porque estaria interessado na garota? Era o que pensava. Lu não tinha nada haver com os assuntos de sua família, morreria simplesmente por ter se envolvido com ele? – Nos vemos por aí, mal vejo a hora de nos encontrar... Você tem os olhos da sua mãe, Lua. Caso você não saiba, eu a conheci, nada muito pessoal. E nada que vá me impedir de lhe acertar uma bala no meio do peit... – Arthur desligou o telefone, travando a mandíbula e apertando as mãos em punho. Conhecer a mãe dela era motivo para matá-la? Alguma coisa lhe cheirava mal nessa história. Lua abraçou as pernas no banco e deixou que mais lágrimas caíssem de seus olhos, sentia-se péssima e para piorar sua mãe havia conhecido um assassino. O rapaz a encarou protetor, não deixaria que ninguém encostasse nela.
- Por acaso você teria pílula em algum lugar aqui, Arthur? – questionou, suspirando fundo. Thur não entendeu o motivo de Lu mudar de assunto levando em consideração a gravidade do acontecimento, mas ela lhe parecia tão exausta que ele não se atreveu a perguntar – Não usamos camisinha. – continuou, encostando a testa no vidro do carro para observar o lado de fora. A casa soltava uma fumaça branca de seus entulhos negros como carvão, os bombeiros e policiais andavam entre os cômodos, procurando por mais vestígios da explosão e poucos dos curiosos voltavam para suas casas.
- Podemos passar em uma farmácia a caminho do hotel. – respondeu ele, levando uma das mãos em seu rosto. Passou os dedos pelas lágrimas que escorriam ali, fazendo-a virar a cabeça para ele, com um sorriso fraco nos lábios – Sabe que se eu não o fizer, ninguém mais pode não é? – indagou, sorrindo com o canto dos lábios. Lu rolou os olhos e aproximou-se dele, deitando em seu ombro. Quem os visse ali pensaria que eram um casal de namorados, juntos há longos anos e não há menos de vinte e quatro horas – Eu desisti, não foi? Preferi você viva. Espere até esse assassino olhar no fundo dos seus olhos como eu fiz, não vai querer nunca que eles se fechem. – sussurrou, depositando um beijo em seus cabelos.
- Não tenho medo por mim, Thur. – ela disse, fazendo-o arrepiar-se com sua respiração quente em seu peito – Ninguém chorará minha morte, nem mesmo minha avó. Ela anda com lapsos na memória, talvez nem se lembre de que tenha uma neta e é a única pessoa no mundo que eu tenho. E hoje perdi tudo! ... Não tenho ideia de como contarei a ela. – balbuciou, fungando – Já você tem uma empresa, uma família. É mais importa do que eu. Sinto muito pela morte do seu irmão, mas ainda tem quem precise de você...
- Pode ter perdido sua casa hoje, mas ganhou a mim. – Thur sussurrou com a voz embargada – Mesmo que pareça loucura, nunca vou te abandonar. – abraçou-a forte. O curativo no ombro repuxava, mas ele não se importava com a dor. Lu aconchegou-se mais nele. Talvez fossem palavras de conforto para amenizar o sofrimento dela ou talvez ele tivesse mesmo “se apaixonado a primeira vista”, contudo, de uma coisa tinha certeza: não queria deixá-la. Não sabia o porquê, era mais forte que ele – Ninguém morrerá, encontraremos esse desgraçado antes que nos pegue. – disse firme – E se não conseguirmos, darei minha vida pela sua.
- Você é uma figura. – Lua gargalhou baixo.
- Pensei que soaria bonito. Uma frase de efeito em um momento como esse é o que se espera ouvir, não é? – ele também sorriu, contente por vê-la menos tensa – Junto a um beijo dos personagens principais para intensificar o quão tocante a mesma foi. – dito isso, levou os lábios aos dela, unindo-os em um compasso prazeroso de sensações.
- Garoto mal educado, espere até eu por minhas mãos em você. Aprenderá a nunca desligar o telefone na minha cara! – mugia o homicida, franzindo o cenho. Ele deixava o local da explosão e se dirigia a um carro estacionado a poucos metros. Esteve presente entre os curiosos e ninguém notara sua presença ali, o que soava ainda mais assustador. Poderia ser qualquer um, até mesmo um conhecido que passara despercebido. Mas a questão era ele ter estado lá, observando-os o tempo todo. Acompanhando cada passo do “casal”, ouvindo cada palavra.
Abriu a porta do automóvel e sentou-se no banco do motorista, olhando por sobre o ombro o corpo desacordado do detetive particular contratado por Arthur para investigar a morte do irmão. Sorriu sádico, precisaria matá-lo essa noite para descontar a frustração do seu plano fracassado. Dirigiu rapidamente até uma casa abandonada onde montara todo o seu “circo”. Sabia que Arthur era um homem esperto e, portanto, preparara um segundo plano para o caso de não pegá-lo. Carregou o detetive até uma sala escura, acendendo a luz. Depositou-o sobre uma maca e amarrou seu corpo junto à mesma. Nunca fora fã de matar homens, esses normalmente não ficavam, a seu olhar, bonitos quando nus. Preferia garotas jovens e coradas, com o corpo esculpido para que pudesse aproveitar seu calor antes de lhes tirar a vida. Mas como não era o que tinha em mãos, contentou-se em apenas deixar os olhos do homem sem brilho, quando enfim cortasse sua garganta.
- Meus homens encontraram uma das bocas do fogão acesa. – intrometeu-se o líder, rabugento. Lu segurou o pulso de Thur, não sabia como rebater o diálogo, estava ainda chocada por ter perdido sua casa.
- Não chegamos a sequer usar um fósforo, não tente revirar a culpa para o nosso lado. – Arthur contradisse, começando a ficar nervoso. Lu parecia muda, assustada – O fogo não teria se materializado e mesmo que o fogão estivesse com uma de suas bocas acesas não fomos nós a causar o incêndio. Posso afirmar, eu vi o fogo primeiro do lado de fora da casa. – discutia, franzindo o cenho. Odiava policiais, eram estúpidos e ignoravam as pistas mais evidentes.
- Estavam acordados pelo visto. – pronunciou o homem, olhando de relance o rapaz de cueca e a garota em seus braços – Quem me garante que são inocentes? Além do mais, conseguiram fugir a tempo. – acusou o policial.
- Estávamos mesmo, transamos a noite toda, satisfeitos? – gritou alto para que todos ouvissem, bufando. Lu encolheu-se em seu peito, encabulada. Os vizinhos agora cochichavam e apontavam para ela, comprimindo os olhares repreendedores – Isso não quer dizer que tenhamos botado fogo na nossa própria casa, não somos burros, acham que queríamos morrer? – ironizou, furioso – Como eu já disse, fugimos quando vi o fogo próximo a casa. Percebi o óbvio, ao contrário de vocês. Não teríamos colocado fogo e fugido, o que ganharíamos com isso? – dizia, fazendo-os se entreolharem.
- E porque acha que foi tentativa de assassinato? – tornou a perguntar, agora absorvendo melhor os fatos.
- Meu irmão foi morto há um mês, creio que a vitima agora seja eu. – Thur disse claramente. Lua arregalou os olhos molhados, virando o corpo de frente ao dele – Estive pensando nisso, antes era somente uma hipótese, mas agora tenho certeza. – falou a ela, que o abraçou, perdendo o rosto em seu ombro, fazendo-o contrair minimamente o mesmo – Terminaram? Por que se não se importarem, gostaríamos de sair desse lugar o quanto antes. – disse o rapaz, afagando os cabelos dela. Os policiais pareciam perdidos e afirmaram, não muito contentes. Thur puxou a garota em direção ao seu carro, abrindo a porta para ela, que escorregou para dentro. O homem deu a volta e sentou-se no banco do motorista. Assim que apoiou as mãos no volante, o celular no porta luvas começou a tocar. Thur olhou para Lu quando não reconheceu o número, mas atendeu mesmo assim, colocando no viva voz – Alô?
- Ainda vivos? – disse uma voz alterada por aparelho, soando entediante. Lu arregalou os olhos, intrigada, e Arthur incomodou-se primeiro com o plural usado na frase para depois perceber que aquilo havia soado como uma possível ameaça – Parece-me que será mais difícil do que eu pensava pegar vocês, não poderei me dar ao trabalho de uma tacada tão espetacular quanto a explosão. Aquela foi clássica e vocês me deixaram magoado por terem escapado inteiros. – ouviu-se um suspiro, Thur já se segurava para não jogar o telefone longe ao ver o medo estampado nos olhos de Lua. Porque estaria interessado na garota? Era o que pensava. Lu não tinha nada haver com os assuntos de sua família, morreria simplesmente por ter se envolvido com ele? – Nos vemos por aí, mal vejo a hora de nos encontrar... Você tem os olhos da sua mãe, Lua. Caso você não saiba, eu a conheci, nada muito pessoal. E nada que vá me impedir de lhe acertar uma bala no meio do peit... – Arthur desligou o telefone, travando a mandíbula e apertando as mãos em punho. Conhecer a mãe dela era motivo para matá-la? Alguma coisa lhe cheirava mal nessa história. Lua abraçou as pernas no banco e deixou que mais lágrimas caíssem de seus olhos, sentia-se péssima e para piorar sua mãe havia conhecido um assassino. O rapaz a encarou protetor, não deixaria que ninguém encostasse nela.
- Por acaso você teria pílula em algum lugar aqui, Arthur? – questionou, suspirando fundo. Thur não entendeu o motivo de Lu mudar de assunto levando em consideração a gravidade do acontecimento, mas ela lhe parecia tão exausta que ele não se atreveu a perguntar – Não usamos camisinha. – continuou, encostando a testa no vidro do carro para observar o lado de fora. A casa soltava uma fumaça branca de seus entulhos negros como carvão, os bombeiros e policiais andavam entre os cômodos, procurando por mais vestígios da explosão e poucos dos curiosos voltavam para suas casas.
- Podemos passar em uma farmácia a caminho do hotel. – respondeu ele, levando uma das mãos em seu rosto. Passou os dedos pelas lágrimas que escorriam ali, fazendo-a virar a cabeça para ele, com um sorriso fraco nos lábios – Sabe que se eu não o fizer, ninguém mais pode não é? – indagou, sorrindo com o canto dos lábios. Lu rolou os olhos e aproximou-se dele, deitando em seu ombro. Quem os visse ali pensaria que eram um casal de namorados, juntos há longos anos e não há menos de vinte e quatro horas – Eu desisti, não foi? Preferi você viva. Espere até esse assassino olhar no fundo dos seus olhos como eu fiz, não vai querer nunca que eles se fechem. – sussurrou, depositando um beijo em seus cabelos.
- Não tenho medo por mim, Thur. – ela disse, fazendo-o arrepiar-se com sua respiração quente em seu peito – Ninguém chorará minha morte, nem mesmo minha avó. Ela anda com lapsos na memória, talvez nem se lembre de que tenha uma neta e é a única pessoa no mundo que eu tenho. E hoje perdi tudo! ... Não tenho ideia de como contarei a ela. – balbuciou, fungando – Já você tem uma empresa, uma família. É mais importa do que eu. Sinto muito pela morte do seu irmão, mas ainda tem quem precise de você...
- Pode ter perdido sua casa hoje, mas ganhou a mim. – Thur sussurrou com a voz embargada – Mesmo que pareça loucura, nunca vou te abandonar. – abraçou-a forte. O curativo no ombro repuxava, mas ele não se importava com a dor. Lu aconchegou-se mais nele. Talvez fossem palavras de conforto para amenizar o sofrimento dela ou talvez ele tivesse mesmo “se apaixonado a primeira vista”, contudo, de uma coisa tinha certeza: não queria deixá-la. Não sabia o porquê, era mais forte que ele – Ninguém morrerá, encontraremos esse desgraçado antes que nos pegue. – disse firme – E se não conseguirmos, darei minha vida pela sua.
- Você é uma figura. – Lua gargalhou baixo.
- Pensei que soaria bonito. Uma frase de efeito em um momento como esse é o que se espera ouvir, não é? – ele também sorriu, contente por vê-la menos tensa – Junto a um beijo dos personagens principais para intensificar o quão tocante a mesma foi. – dito isso, levou os lábios aos dela, unindo-os em um compasso prazeroso de sensações.
- Garoto mal educado, espere até eu por minhas mãos em você. Aprenderá a nunca desligar o telefone na minha cara! – mugia o homicida, franzindo o cenho. Ele deixava o local da explosão e se dirigia a um carro estacionado a poucos metros. Esteve presente entre os curiosos e ninguém notara sua presença ali, o que soava ainda mais assustador. Poderia ser qualquer um, até mesmo um conhecido que passara despercebido. Mas a questão era ele ter estado lá, observando-os o tempo todo. Acompanhando cada passo do “casal”, ouvindo cada palavra.
Abriu a porta do automóvel e sentou-se no banco do motorista, olhando por sobre o ombro o corpo desacordado do detetive particular contratado por Arthur para investigar a morte do irmão. Sorriu sádico, precisaria matá-lo essa noite para descontar a frustração do seu plano fracassado. Dirigiu rapidamente até uma casa abandonada onde montara todo o seu “circo”. Sabia que Arthur era um homem esperto e, portanto, preparara um segundo plano para o caso de não pegá-lo. Carregou o detetive até uma sala escura, acendendo a luz. Depositou-o sobre uma maca e amarrou seu corpo junto à mesma. Nunca fora fã de matar homens, esses normalmente não ficavam, a seu olhar, bonitos quando nus. Preferia garotas jovens e coradas, com o corpo esculpido para que pudesse aproveitar seu calor antes de lhes tirar a vida. Mas como não era o que tinha em mãos, contentou-se em apenas deixar os olhos do homem sem brilho, quando enfim cortasse sua garganta.
Vendo-o ali estirado, ficou imaginando por onde passaria sua adaga. E com toda certeza, sua imaginação era bem fértil. Quando o homem acordou, meio desnorteado por onde estava, o assassino começou a sorrir contente por finalmente poder começar a retalhá-lo. Havia uma faixa em sua boca, mas isso não o impediu de começar a gritar, alargando o sorriso do homicida. Logo ele a tiraria dali, para ouvir seus berros menos abafados. Andou de um lado ao outro, sendo seguido pelos olhos lacrimejantes do detetive que pareciam dizer “Você?!”. Caminhou até um rádio, colocando uma musica clássica para tocar e respirou fundo, absorvendo o vento gélido que entrava pelas fendas da porta. Voltou sua direção ao homem deitado e finalmente retirou a faixa de sua boca.
- O que pensa estar fazendo? Pagou para que eu não descobrisse nada sobre você e estou fazendo um ótimo trabalho, qual o seu problema? – desatou a berrar, remexendo-se na maca.
- Eu sei, eu sei. – o assassino revirou os olhos – É exatamente essa a questão, tendo você vivo e não descobrindo nada não seria útil ao garoto, ele te demitiria e contrataria outra pessoa. Eu não posso subornar todo mundo que me aparece pela frente, é praticamente suicídio. Agora... Se você morrer, Arthur acreditará que tinha algo em mãos que eu não gostaria que você tivesse. Está mais para uma pista falsa. Você morre e eles dirigem a investigação para outro caminho. É bem lógico. – pronunciou sarcasticamente.
- Não, eu faço qualquer coisa, desapareço se quiser. – implorava o homem, choramingando.
- Até que seria uma boa ideia, mas não correrei o risco de você revelar minha identidade agora que sabe que eu não sou a pessoa mais confiável desse mundo. E outra, preciso do seu sangue. – sorriu maliciosamente, fazendo-o contorcer-se ainda mais, apavorado – Eu estive pensando, que tal um jogo da velha? Seria até instrutivo. – gargalhou.
- Vá se ferrar! – gritou o homem.
- Ok, jogarei sozinho. Aliás, esta gostando da música? É a minha preferida. Escolhi especialmente para essa ocasião, sinto minha mente mais aberta a sugestões de tortura. – dizia calmamente, apertando a ponta da faca sobre o dedão – Qual você prefere, X ou O? – perguntou infantilmente, gargalhando a seguir. Os olhos do detetive chegavam a brilhar vermelhos de fúria, mas não havia nada que ele pudesse fazer – Oh, claro. Primeiro o tabuleiro. – deu um tapa na própria testa, levando a ponta da faca ao peito do homem, que arregalou os olhos, deixando mais lágrimas caírem dos mesmos. O assassino desenhou o jogo com e faca no corpo do outro, que gritava desesperadamente. O sangue escorria por todos os lados, pingando ao chão – Quer começar? – perguntou o homicida.
- Nã-não fa-faça isso, estou lhe implo-plorando. – murmurava o detetive, apertando os olhos.
- Tudo bem, eu começo. – o homem disse, rolando os olhos. Desenhou um X em um dos espaços, deixando o outro ainda mais desesperado. Gritava com todas as suas forças, suplicando por misericórdia. O assassino nem ao menos se importava, continuava com seu jogo sádico e desumano. Ao final da tortura, o chão se encontrava vermelho, a maca pingava as gotas lentamente e sobre o corpo do detetive havia uma sequência de X – Ora, ora, ora, vejamos, eu ganhei. – gargalhou – Te vejo no inferno. – sorriu sádico e traçou uma linha funda sobre o desenho, perfurando violentamente o corpo do homem, que agora jazia morto sobre a maca, seus olhos ainda abertos, mas sem vida. O assassino suspirou, passando a mão pela testa suada – Um imprestável a menos no mundo.
Créditos: Fanfics Tensão Teen
- O que pensa estar fazendo? Pagou para que eu não descobrisse nada sobre você e estou fazendo um ótimo trabalho, qual o seu problema? – desatou a berrar, remexendo-se na maca.
- Eu sei, eu sei. – o assassino revirou os olhos – É exatamente essa a questão, tendo você vivo e não descobrindo nada não seria útil ao garoto, ele te demitiria e contrataria outra pessoa. Eu não posso subornar todo mundo que me aparece pela frente, é praticamente suicídio. Agora... Se você morrer, Arthur acreditará que tinha algo em mãos que eu não gostaria que você tivesse. Está mais para uma pista falsa. Você morre e eles dirigem a investigação para outro caminho. É bem lógico. – pronunciou sarcasticamente.
- Não, eu faço qualquer coisa, desapareço se quiser. – implorava o homem, choramingando.
- Até que seria uma boa ideia, mas não correrei o risco de você revelar minha identidade agora que sabe que eu não sou a pessoa mais confiável desse mundo. E outra, preciso do seu sangue. – sorriu maliciosamente, fazendo-o contorcer-se ainda mais, apavorado – Eu estive pensando, que tal um jogo da velha? Seria até instrutivo. – gargalhou.
- Vá se ferrar! – gritou o homem.
- Ok, jogarei sozinho. Aliás, esta gostando da música? É a minha preferida. Escolhi especialmente para essa ocasião, sinto minha mente mais aberta a sugestões de tortura. – dizia calmamente, apertando a ponta da faca sobre o dedão – Qual você prefere, X ou O? – perguntou infantilmente, gargalhando a seguir. Os olhos do detetive chegavam a brilhar vermelhos de fúria, mas não havia nada que ele pudesse fazer – Oh, claro. Primeiro o tabuleiro. – deu um tapa na própria testa, levando a ponta da faca ao peito do homem, que arregalou os olhos, deixando mais lágrimas caírem dos mesmos. O assassino desenhou o jogo com e faca no corpo do outro, que gritava desesperadamente. O sangue escorria por todos os lados, pingando ao chão – Quer começar? – perguntou o homicida.
- Nã-não fa-faça isso, estou lhe implo-plorando. – murmurava o detetive, apertando os olhos.
- Tudo bem, eu começo. – o homem disse, rolando os olhos. Desenhou um X em um dos espaços, deixando o outro ainda mais desesperado. Gritava com todas as suas forças, suplicando por misericórdia. O assassino nem ao menos se importava, continuava com seu jogo sádico e desumano. Ao final da tortura, o chão se encontrava vermelho, a maca pingava as gotas lentamente e sobre o corpo do detetive havia uma sequência de X – Ora, ora, ora, vejamos, eu ganhei. – gargalhou – Te vejo no inferno. – sorriu sádico e traçou uma linha funda sobre o desenho, perfurando violentamente o corpo do homem, que agora jazia morto sobre a maca, seus olhos ainda abertos, mas sem vida. O assassino suspirou, passando a mão pela testa suada – Um imprestável a menos no mundo.
Créditos: Fanfics Tensão Teen

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