sábado, 29 de setembro de 2012

Sem coração



Capítulo Sete: Suspeito
O peito de Lua subia tranquilamente enquanto a garota dormia nos braços de Arthur. Ele por sua vez não conseguira fechar os olhos. Contemplava a respiração dela ao acariciar seus cabelos loiros.Thur mantinha as costas encostadas na cabeceira da cama e Lu estava depositada entre suas pernas, abraçando sua cintura. Espalhadas pelo chão havia caixas de pizza, latinhas de cerveja e refrigerante. O quarto estava um caos; consequência do lanchinho noturno que o casal fizera. Ele havia descido – imundo pelas cinzas, ensanguentado e de boxer – em meio a uma lanchonete 24 horas, atraindo olhares dos poucos clientes que pensaram que o rapaz fosse um espião tirado diretamente de “Missão Impossível”. Um adolescente que o fitava boquiaberto chegou a perguntar quem ele era, e virando-se carrancudo para ele, Arthur respondeu “Bond, James Bond”, antes de se voltar para o carro, entrando pela porta.
O relógio na parede a frente dele corria vagarosamente. Contudo, uma única coisa se passava por sua mente: afinal, quem era Lua Blanco? Qual seria sua cor, comida e músicas preferidas? Ela era de fato confiável? E porque não conseguiu arrancar-lhe o coração como era o pretendido? Arthur sentia-se em dúvida. Teria ele oferecido sua vida por alguém que não ofereceria a sua em troca? Não que quisesse vê-la morrer por ele, algo ainda o impedia de deixá-la partir, mas teria sido essa uma atitude precipitada? E qual seria o mistério envolvendo sua família? A mãe dela conhecera o assassino, talvez Lu também o conhecesse. Mas se fosse o caso, porque ele ameaçaria aos dois? Queria passar a ideia de que Lua era inocente, mesmo que não fosse? Ou a garota estava totalmente por fora e isso era apenas paranóia? O que no contexto todo estava errado? Qual era a peça que faltava para completar esse quebra-cabeça? Ela parecia tão ingênua, Thur não conseguia crer que tinha algo relacionado ao assassino. Poderia estar julgando mal, mas arriscaria seu pescoço. Para ele, Lua continuaria sendo sua. E, consequentemente, outra vítima por ter se envolvido com a famíliaAguiar.
Daniel depositou um beijo na testa de Lua, afagando seus ombros, e adormeceu pouco tempo depois.
O sol irradiava alto quando acordou, deveria ser quase meio dia. Ele procurou por Lu, apalpando o colchão, mas não a encontrou ali. Piscou algumas vezes e abriu os olhos de uma vez. Observou ao redor, vendo o ambiente mais limpo e arrumado do que estava durante a noite e sentou-se na beirada da cama, coçando a nuca. Ouviu alguns ruídos vindos do banheiro e caminhou sonolento até lá. A porta estava entreaberta, pois a fechadura estava com defeito e não podia ser fechada – problema esse que nem se importou em reclamar com o gerente, estaria sozinho mesmo. Abriu-a alguns centímetros, sorrindo maliciosamente. Lua tomava banho. Seus olhos estavam fechados ao deixar com que as gotas geladas caíssem sobre seu rosto. A água descia delicadamente por seu corpo, escorrendo tentadoramente pela ponta de seus cabelos. Thur acompanhou as gotas que desciam por seu colo, desenhando seus seios e se encaminhando para sua virilha e coxas, até perder-se ao chão. Não pensou duas vezes antes de adentrar ao box transparente e prensar seu corpo à parede. Lu sorriu, mas ele percebeu que mesmo estando excitada não teria a vontade de fazer nada; ela estava tensa demais para pensar em sexo. Seu corpo molhado daquele jeito era ainda mais delicioso. Ela abriu os olhos, vendo-o fitando sua boca vermelha. Empurrou-o debaixo d’água, fazendo as gotas grossas caírem em sua cabeça e abraçou-o, colocando os pulsos perto de sua bunda.
- Eu não tenho roupas limpas. – disse Lu, simpaticamente.
- Por mim tudo bem, prefiro você sem elas. – respondeu o rapaz, sorridente. Lua rolou os olhos, fazendo Thur encostar seus lábios e iniciar um beijo molhado e intenso. Os seios arrepiados de Lu uniram-se ao peitoral de Arthur, que gemeu com a aproximação. Suas mãos passeavam pelas costas dela, descendo de tempos em tempos ao seu quadril, onde apertava suas nádegas. As unhas de Lu deslizavam pela nuca do homem, acompanhando a movimentação da água. A cueca dele estava encharcada, mas Thur não queria tirar suas mãos da garota para descê-la aos pés. O rapaz sugava seus lábios juntamente com a água, o que deixava mais úmido o contato entre eles. Os dedos prendiam-se nos cabelos um do outro. Lu afastou a boca da dele, encostando suas testas, quando Thur intencionou continuar o beijo deitados na cama. Ela sorriu, balançando a cabeça negativamente. O homem bufou, mas não a pressionou. Tomaram banho juntos, consumindo o dobro de água que usariam normalmente ao passar mais tempo se beijando do que se ensaboando.
Thur trocou de roupa, colocando uma cueca vermelha, jeans e uma camiseta azul escura. Lu permanecia enrolada em uma toalha, sentada na cama ao observá-lo se vestindo. Ele secou os cabelos, penteou-os e se banhou com colônia masculina. A garota contou que usara seu telefone celular para resolver os últimos “pepinos” da explosão enquanto ele dormia e que também ligara para o asilo de sua avó. Como ela mesma havia dito, a pobre senhora não se lembrava de ter uma neta, mas acabou por acertar um dos enfermeiros com um golpe de karatê ao ouvir que sua casa havia explodido.Thur não conseguiu segurar uma risada.
- Por enquanto pode colocar alguma camisa minha, caso alguém apareça. Vou sair para comprar alguma coisa para você, não demoro. – disse ele. Deus dois passos em direção a uma Lua agradecida e lhe deu um beijo nos lábios, virando-se rumo à porta. Lançou a garota uma piscada e atravessou o vão. Caminhou até seu carro, apertando o botão do alarme e abriu a porta. Sentou-se no banco, procurando por seus óculos escuros, e lembrou-se que os havia deixado na casa dela, o que o fez revirar os olhos. Deu partida no automóvel e só parou ao encontrar uma loja de roupas a algumas quadras do hotel. Andou até ela e começou a futricar entre as peças femininas, completamente perdido. Recusou ajuda de qualquer atendente que vinha em sua direção, escolhendo ele mesmo as peças de roupa que queria. Comprou por fim duas camisas, duas calças e dois sapatos. Lu ficaria linda em qualquer uma daquelas roupas. De quebra, escolheu uma lingerie preta, pensando nas insanidades que faria ao vê-la na garota. Pagou no caixa o valor necessário e voltou ao hotel, dirigindo apressadamente – Nunca mais faço isso na vida. – disse ele gargalhando ao passar pela porta do quarto, carregando as sacolas da loja – Não te conheço bem ao ponto de saber o seu gosto para roupas, então, espero ter acertado a mão. – depositou as sacolas sobre a cama, onde Lu estava deitada lendo um livro. Ela ajoelhou-se na mesma com um sorriso curioso, colocando o livro de lado, que Thur reconheceu como sendo o “O Apanhador no Campo de Centeio”, este que estava dentro de sua mala.
- Tem certeza de que não me conhece bem? Isso é a minha cara. – murmurou ela espantada, enquanto tirava as peças das sacolas – Você é a primeira pessoa a me dar roupas que eu realmente gosto. Confesso que estava esperando algo mais clássico, do tipo que a sua mãe usaria ou algo parecido... Ou ou ou, isto não estava na lista. – e gargalhou fraco, com os olhos brilhantes, enquanto admirava os presentes, incluindo a lingerie. Thur, que estava com os braços cruzados a observando, percebeu que ela estava vestindo uma de suas camisas sociais; sua preferida – Vou me trocar, volto em um min...
- Espere. – Arthur puxou-a pelos pulsos, caminhou até sua mala e tirou de lá uma máquina fotográfica, uma Polaroid. Lu arregalou os olhos castanhos, negando com a cabeça, mas ele não se intimidou e bateu uma fotografia dela, que saiu fazendo uma careta por de trás dos óculos com aros quadrados. Ele sorriu ao ver como a peça a cobria quase até os joelhos e, dando um tapa em sua bunda, mandou-a trocar de roupa. Jogou-se na cama ainda encarando a fotografia nas mãos. Ele sentiu nesse momento que Lu era inocente, que ela não tinha nada haver com o assassino. Ela era somente sua Lua, e nenhum outro homem poderia lhe tirar a vida se não ele, e como o rapaz mesmo não o faria, ela não morreria. De maneira nenhuma – Está linda. – falou ao vê-la saindo do banheiro, sorrindo em agradecimento – Vamos a um restaurante, precisamos almoçar algo saudável. – e suspirou, levantando-se do colchão. Estendeu uma mão a garota e os dois saíram do quarto. O rapaz dirigiu lentamente até um restaurante, o mesmo que Lu havia combinado de encontrar o pai no dia de seu acidente. Ela não se sentiu confortável por Thur ter escolhido justamente esse, mas não disse nada a ele. Eles desceram do automóvel de mãos dadas e se encaminharam para dentro do estabelecimento.

O assassino se encontrava em frente ao asilo St. Louis, onde sabia ter como paciente a avó de Lua. Um sorriso diabólico se formou em seu rosto. Fingia-se de visitante, enquanto passava pelos corredores brancos e sorria para um ou dois idosos que ali se encontravam. O que todos desconheciam era o que ele carregava dentro de uma mochila em suas costas, a mesma que o deixava com ar de neto carente. Encontrou uma enfermeira e se informou sobre o paradeiro da Sra. Abigail Blanco, assentindo afirmativamente ao receber a resposta. A porta do quarto de Abigail estava aberta, o que o fez rolar os olhos; seria fácil demais. A velhinha se encontrava sentada em uma poltrona de veludo e sorria bobamente para uma janela. O homicida tossiu, atraindo sua atenção.
- Sim, meu querido? – perguntou adoravelmente.
- Oi, vovó. – mentiu ele, aproximando-se.
- Sou sua avó? – questionou Abigail, desentendida – Os enfermeiros me disseram que eu tinha uma neta. – informou-o, enquanto o mesmo abaixava-se ao seu lado.
- Devem ter se confundido. – o homem deu de ombros, abrindo um sorriso no rosto da senhora. Ele a iludiu por algum tempo, perguntando-lhe sobre a vida no asilo e contando mentiras sobre sua própria vida, dizendo que trabalhava em um supermercado do bairro e conseguia juntar alguns trocados para pagar suas contas, o que a pobre velhinha acreditava piamente. Ela lhe deu biscoitos de chocolate, que havia feito de manhã – e esquecido a receita, a propósito – e observou-o alegremente, enquanto este devorava os mesmos. Quando se passaram alguns minutos a Sra. Blanco pegara no sono; a deixa que o assassino esperava ansiosamente. Ele observou um enfermeiro injetar um remédio com uma seringa em seu braço e o mesmo lhe disse que o horário de visitas tinha terminado. O homem respondeu que ficaria só mais cinco minutos para se despedir e que iria embora. Assentindo, o enfermeiro saiu do quarto – Trágico. – sussurrou para si mesmo, sorrindo maliciosamente. Abriu o zíper de sua mochila e tirou de lá uma serpente rara e venenosa, segurando uma gargalhada de empolgação. Era a primeira vez que tinha uma ideia dessas. Colocou a cobra, que estava atiçada, sobre a cama de Abigail, escondendo-a bem entre os cobertores – Faça seu trabalho, minha amiga. Conto com você dessa vez. – e saiu do quarto, erguendo a cabeça superior enquanto andava pelos corredores mais uma vez com seu típico sorriso sarcástico nos lábios.

- Pense comigo, Thur. Reece foi o único a entrar em minha casa além de você. – Lu falava, parecendo pensativa – Se não me engano, quando o acertou com um soco, seu padrasto se apoiou no fogão para se erguer. Creio que obviamente tenha sido ele. – concluiu, enquanto bebericava um pouco de seu suco de morango. O restaurante estava quase cheio, com exceção de algumas mesas vazias, as mesmas que os cercavam. Optaram por se sentar afastados para discutir melhor o assunto – Ele pode não ter culpa, talvez tenha sido um acidente ter aberto uma das bocas, mas se não foi eu e não foi você, tecnicamente só há essa resposta.
- Realmente faz sentido. – Thur assentiu, passando as mãos nos cabelos – Ou talvez o assassino tenha entrado escondido enquanto nós dormíamos. – supôs, tombando minimamente a cabeça.
- Mas não é muita coincidência? – Lu perguntou, enfiando uma garfada de sua salada de tomates na boca, encarando-o duvidosa. Thur empurrara seu prato para o lado, aparentemente sem apetite, e jogara a cabeça para trás, bufando – Hipoteticamente falando, Reece deixou que o gás escapasse com a intenção de que a casa explodisse. – deu de ombros, receosa em expor sua opinião. Thur não se moveu – Poderia muito bem ter sido ele. Percebe-se de longe que vocês não são melhores amigos.
- Supondo que tenha sido ele, – Thur voltou a encará-la, pensativo – o que ganharia com isso? O dinheiro da minha família? – perguntou mais para si mesmo, fazendo Lu dar de ombros – É casado com a minha mãe, isso praticamente ele já tem. Não vejo nenhum interesse da parte dele na empresa, não saberia como guiá-la, pois não entende do assunto. E outra, se foi mesmo ele, teria matadoPedro por nada? Meu irmão nunca se meteu em seu caminho, digo, tirando o lance ambientalista que o irritava, Pedro não dava motivos para Reece o matar. Acredito que eu dê mais trabalho com meu comportamento do que ele, que praticamente era um santo. – apoiou os cotovelos na mesa e o rosto nas mãos – Outras opções?
- Pedro se envolvia com seus negócios, certo? – Lu perguntou, fazendo-o afirmar – Conor teria então motivos para matá-lo, eu acho, não gastaria dinheiro com diretos ambientais e se livraria de vocês dois para tomar a empresa toda para si. É um pensamento absurdo, eu sei, mas levando os fatos em consideração, pode ser mais do que um palpite. – disse ela, torcendo o canto dos lábios – Aparentemente ele também não gosta de você, cá entre nós fico preocupada com quantos inimigos você vem arranjando por aí, e esteja em sua mente se livrar dos Aguiar que tanto o impedem de fazer o que quer.
- É um bom palpite. – admitiu Thur – Sempre considerei Conor egoísta e talvez tenha feito algo para se dar bem sozinho. Francamente, o cara me odeia. – até riu um pouco – Mas porque matar Pedro? Sem mim naquela empresa ele teria muito mais chances de retirar os benefícios que meu irmão preservava. Teria sido mais inteligente me matar de uma vez, não a Pedro, ele não tinha culpa de nada.
- Sim, mas antes precaver. Talvez Conor intencionasse um abalo emocional para só então cortar o mal pela raiz. Ou talvez seja inocente e nós o estamos julgando mal. – Lu bebeu todo o copo com suco de uma vez, sentindo a garganta seca – Estou começando a odiar a palavra talvez. – sorriu sem humor, contagiando-o – Alguém mais estaria interessado em matar Pedro ou nossos suspeitos são apenas Reece e Conor? – perguntou ela, olhando-o sugestivamente.
- Tem uma gangue humanitária a qual ele não aceitava os termos de rebeldia. Ouvi alguns caras ontem, são violentos. Poderiam ter sido eles. Pedro não era nenhum queridinho na política também, pode ser qualquer um. – Thur bufou, rolando os olhos.
- Exclua os que não tem haver com você, pois se está tentado te matar, um completo desconhecido não pode ser. – disse Lu, erguendo o cenho enquanto o observava começar a sorrir divertido – Só não me diga que conhece toda a classe privilegiada dessa sociedade. – falou ela, tombando minimamente a cabeça ao fitá-lo indagadora.
- Se preferir eu não digo, mas não deixa de ser verdade. – murmurou ele, com um sorriso largo nos lábios.
- Ajudou bastante. – ironizou Lua, bufando – Pensando bem, se eu também estou na lista negra desse crápula, minha mãe teria que o ter conhecido. E nem ela e nem eu temos qualquer contato com essas pessoas. O que me faz repensar todos os nossos suspeitos, porque nenhum deles teria motivos para me matar também. – disse ela, refletindo.
- Isso está mais difícil do que eu julgava estar. – reclamou Thur, carrancudo – Preciso falar com meu detetive, talvez tenha algo a acrescentar. – pegou o telefone celular em mãos e discou o número. Esperou que o aparelho tocasse algumas vezes e vendo que ninguém atendia, desistiu – Incompetente. – resmungou nervoso.
- Arthur? – uma voz foi ouvida atrás deles. Ambos se viraram para ver quem era o emissor e deram de cara com Dominic, desconhecido por Lua – Estava te procurando. Reconheci o carro e supus que estaria aqui, mas não acompanhado. – Lu lançou um olhar sugestivo à Thur que parecia dizer “Avisei que seu carro era muito chamativo”, contendo uma risada – Muito prazer, minha jovem, eu sou Dominic, padrinho do Arthur. – o homem estendeu as mãos às dela, apertando-as.
- Diga logo o que quer, Dominic. – Thur resmungou.
- O detetive e o jardineiro, o único presente na cena do crime de Pedro, desapareceram. – informou ele, preocupado – Não os encontro em lugar algum, parece que foram riscados do mapa. – a expressão no rosto de Thur transformou-se em furiosa, ele balançava a cabeça desacreditado, bufando descontroladamente – Devo supor que estão mortos, o empregado mal conseguia se mexer, estava hospitalizado a pouco tempo, e seus colegas afirmavam terem o deixado em casa no dia se sua reunião. – desembestou a falar, sentando-se na cadeira ao lado da de Arthur – O detetive tinha aparentemente uma pista importante nas mãos, estava investigando a ONG em que Pedro colaborava e ouviu muitos comentários indevidos a respeito de seu irmão.
- O que você acha? – Thur sussurrou para Lu, que balançou a cabeça negativamente sem saber o que responder – Vamos sair daqui. – disse, chamando o garçom com a conta. O homem aproximou-se e estendeu um tipo de carteira de couro, onde o rapaz depositou o dinheiro. Os três se levantaram e rumaram-se para a saída do estabelecimento – Estou começando a enlouquecer com tudo isso. –Thur reclamou, passando novamente as mãos pelos cabelos pretos. Atravessaram a porta e se preparavam para entrar no Rolls Royce de Thur quando foram surpreendidos por uma sombra em meio a um beco. Arthur imediatamente colocou Lua atrás de si, com a intenção de protegê-la. O vulto apenas gargalhou sarcasticamente e estendeu uma arma na direção deles. Lu gritou, apertando o rapaz contra seu corpo. Dominic ficara estático no mesmo lugar. Thur encarava o escuro furioso, com os dentes semicerrados. A pistola nas mãos do desconhecido refletia o brilho do sol da tarde, ameaçadoramente. “Vai ficar tudo bem”, Arthur sussurrou para Lu, que parecia querer começar a chorar de pânico. Ela se agarrava ao seu corpo com toda a força, sentindo seus músculos firmes e sobressaltados. O homem na escuridão soltou uma breve gargalhada diabólica e atirou, ecoando o barulho do tiro pelo beco. Thur fechou os olhos, apertando-os, e esperou sentir a dor aguda envolver seu peito, contudo, ela não veio. Ele abriu novamente os olhos, aliviado, e avistou o corpo de Dominic ao chão, ensanguentado. Aparentemente, o padrinho havia entrado na sua frente e recebido o tiro em seu lugar. O sangue jorrava vagarosamente, fosco e sem vida.

Créditos: Fanfics Tensão Teen

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