quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Sem Coração:Último capítulo


Capítulo Dez: Finalcruzeiros

A bala seguiu em câmera lenta até o peito de Lua, acertando-a bem no meio de seu tórax. Os olhos castanhos de Arthur arregalaram-se mais do que os castanhos da garota, que caía vagarosamente ao chão feito uma pétala de rosa. Ele, paralisado, observou-a estirada e todo o sangue que corria de seu corpo trêmulo. Respirou profundamente, apertando a arma na palma das mãos, e só fez levantar a cabeça em direção a Dominic, que mantinha um sorriso sádico de quem se divertia com sua dor. Ergueu a mão direita com uma fúria inimaginável nos olhos, apontando o revolver para o homem, que o fitou duvidoso enquanto balançava a cabeça negativamente, e só percebeu que tinha apertado o gatilho quando este levou as mãos ao tronco, enquanto caía de joelhos. Dominic encarou-o sorridente, soltando uma gargalhada incrédula. - Belo tiro, garoto. – provocou, mesmo estando abestalhado por ter perdido seu jogo bizarro. - Espero que se divirta junto dos seus... No inferno! – Thur bradou. Raivoso por não ter cessado o ataque cômico do padrinho, caminhou violentamente até ele, parando ao seu lado. O homem agonizava deitado no piso brilhante, fitando o rapaz de uma maneira profunda e demoníaca. Abriu a boca seca para dizer suas últimas palavras, mas foi cortado por mais três disparos, que o acertaram sem demora, ecoando o barulho agudo dos estouros por todo o salão. Dominic tombou a cabeça, morto. Seus olhos permaneciam abertos, o que fez Arthur jogar a pistola em seu rosto, enojado. Não sentiria sua falta, o que era de certa forma engraçado porque até então Dominic era seu “ídolo”. Arthur ficou contente por finalmente se livrar dele; estava livre. Voltou-se em direção a Lu, correndo enlouquecidamente até ela. Ajoelhou-se ao seu lado e passou seus braços por seus ombros – Vai ficar tudo bem, amor. – dizia enquanto a segurava firmemente junto ao seu corpo. Pegou suas pernas e puxou-a para cima, começando a cambalear ao levantar-se abruptamente e rumar porta afora da mansão com a garota em seus braços. Não sabia se sorria irônico ou se deixava as lágrimas, que tanto incomodavam seus olhos, caírem. Optou por agarrar-se a Lu como nunca o tinha feito, beijando-lhe o topo da cabeça inúmeras vezes. Ela soltava leves suspiros de agonia e não tinha mais forças para segurá-lo – Não me deixe. – a dor cortante na voz de Thur era exposta. Ele atravessou o caminho de pedras até seu carro, estacionado de frente ao portão principal da casa, acelerando os passos a cada gemido de Lua. Abriu a porta do automóvel com dificuldade, colocando-a no banco de passageiros, cuidadosamente. Depositou sua cabeça desnorteada sobre o encosto, dando-lhe um rápido e intenso beijo nos lábios, antes de fechar a porta e correr para o outro lado, sentando-se desesperadamente no banco do motorista. Nem pensou ao ligar o motor e disparar em direção ao hospital mais próximo – Não se esqueça dos nossos planos, ok? – dizia choroso ao soar de outro suspiro fraco de Lu – A viagem ao redor do mundo, o passeio de gôndola em Veneza, os museus! – começou a balbuciar. Lua, que apertava os olhos fortemente, conseguiu esticar uma mão desajeitadamente até Arthur, segurando a gola de sua camisa – Isso, amor, se apegue a eles. Temos que ter muitas histórias para contar para nossos netos, não é? – insistia, a voz embargada e os olhos fissurados presos na estrada. - E-estou me a-apegando a vo-você. – Lu sussurrou, engolindo em seco. Arthur não aguentou ao ouvi-la dizer isso, deixando uma única e solitária lágrima descer dolorida por seu rosto pálido – E-eu te a-amo. – ela murmurou, tentando virar a cabeça para olhá-lo, que não reagiu de outra forma a não ser continuar a fitar o asfalto à frente. Lua sorriu brandamente, tentando voltar a mão ensanguentada para perto do ferimento, mas foi impedida pela de Arthur, que a fisgou no ar inesperadamente, entrelaçando seus dedos ao aproximá-la de seu peito. As lágrimas escorriam descontroladas agora, despencando de seus olhos avermelhados – Nã-não chore, não por mi-mim. – Lu voltou a falar entre gemidos. Arthur ergueu a mão junto à dela e pressionou-a sobre os lábios, respirando agoniante. A garota franziu o cenho, triste, ao sentir molhar o dorso da mão pelas lágrimas dele. - Não posso te perder, eu não aguentaria. – soprou fracamente. - Vo-vo-cê nã-ao va-ai. Sou su-sua, se lem-lembra? Para to-todo o semp-pre. – ela tentou sorrir, mas a dor em seu ferimento era mais forte, portanto, sua falha tentativa de confortá-lo foi um completo fracasso quando seus lábios se curvaram em doloridos gemidos de agonia. - Estamos chegando. Aguente firme! – disse Thur – E, por favor, não feche os olhos. Nunca, nunca, feche os olhos! O Rolls Royce foi estacionado segundos depois em frente ao hospital. Arthur, é claro, ignorou todas as regras de cidadania e parou o automóvel entre três vagas, mal desligando os motores quando correu até a porta do passageiro. Pegou Lua nos braços, puxando-a para cima desajeitadamente até que ficasse firme em seu colo e caminhou o mais rápido que conseguiu. - Não me solte, Lua! Já estamos aqui, você está salva. – Arthur sussurrava para a garota inerte em sua própria dor. As mãos frágeis dela não se mantinham firmes. - Talvez não. Você-ê tem que a-aceit-ar a pos-sibilida-de de me per-... – a voz fraca foi cordada por um grito de negação junto ao estrondo do ombro de Arthur com a porta de entrada do hospital. - AJUDA, PRECISO DE AJUDA. – berrou enlouquecido, atraindo toda a atenção dos que jaziam sentados nos sofás de espera – MAS QUE DEMORA É ESSA? NÃO VEEM QUE ELA ESTÁ MORRENDO? – os gritos saiam tão do fundo de sua alma que Arthur perdeu as forças por alguns instantes, deixando com que ambos fossem ao chão. Thur ajoelhou-se e a puxou para suas pernas, apoiando sua cabeça em suas coxas – UM MÉDICO, PELO AMOR DE DEUS. ALGUÉM CHAME UM MÉDICO! – ele olhava para os lados a procura de compaixão, mas o máximo que as pessoas faziam era observá-lo abestalhadas. - Dr. Ryan está vindo socorrê-lo. – avisou-lhe uma enfermeira, que acabara de falar com o doutor no telefone – Enquanto isso, mantenha as pessoas afastadas. - Vocês ouviram, saiam daqui. AGORA! – olhava atônito para os rostos apavorados, voltando a encarar Lua para tentar estancar seu sangue com sua própria mão. - Vo-cê con-seguiu, não fo-oi? O co-ra-ção de Pedro é seu a-go-o-ra. – Lua suspirou agoniante – Pegue-o, Thur. – ela contraia o corpo ao forçar as mãos de Thur contra o ferimento – Leve-o com você-ê. - O que está dizendo? Você não vai morrer. – seus olhos pareciam cachoeiras cristalinas, transbordando o maior números de lágrimas que ele já derramara em toda a sua vida. - Por-que est-tá sen-do tão otimis-ta? Você sa-be que isso não é ver-dade. Eu vou morr... - Não diga isso. PARE DE DIZER ISSO. – ele puxava a garota contra seu corpo, abraçando-a tão intensamente que já começara a fazer com que todos a sua volta deixassem uma ou duas lágrimas caírem. – MAS ONDE É QUE ESTÁ A PORRA DO MÉDICO? – berrou para a enfermeira. - Desculpe-me senhor, ele está a caminho. – respondeu intimidada. - Não é cul-pa de-dela, Arthur. E mesmo que o mé-di-co ve-nha, ser-rá tar-de de-mais. – Lu não sabia se sorria ou se chorava, não sabia se conseguiria sobreviver e não sabia como Arthur reagiria à sua morte. - Porque fica repetindo isso para mim? – ele levou os lábios aos dela, beijando-o inúmeras vezes – Eu não deixarei que tirem você de mim. – e mais beijos desesperados – Nem Deus é capaz de tirar você de mim. - Pro-prometa-me uma co-coisa? – pediu ela, apertando os olhos. - Qualquer coisa, o que você quiser. – respondeu prontamente. - Você-ê vai so-bre-viver, vai se ca-sar, ter mui-tos filhos e vai morr-er bem velhi-nho, em uma ca-ma quen-tinha. – e sorriu bobamente, sabendo o quanto Arthur sempre odiara a parte do filme Titanic em que Rose promete a Jack continuar a viver sua vida sem ele. O rapaz havia comentado isso uma ou duas vezes durante a semana. Mesmo tendo a certeza de que estava errando todas as falas, continuou a dizer: – Não aqui, não hoje. - Eu odeio esse filme. – resmungou, arrancado-lhe um sorriso – E eu não vou te prometer nada. Só prometo se você prometer de volta sair dessa viva. – o sangue em suas mãos era tão vívido que quando ele passava os dedos pelo rosto de Catherine, manchava-o de vermelho – Me promete? - Não, Arthur. Não po-sso prome-ter o que sei que não vo-ou cump-rir. Ele esbravejou alto, assustando as pessoas. - Prometa-me, Lua! Por favor. – implorava. - Eu pro-meto te am-ar pelo res-to da eterni-dade. Isso não é o sufi-cien-te? – murmurou ela. - NÃO, NÃO, NÃO. - Sinto mui-to. – choramingou ela – Vo-cê tem me-eu co-ra-ção se qui-ser ficar com ele. É seu e sem-pre será. Medo. Medo foi o que ela sentiu naquele momento, quando viu que a morte se aproximava. Medo do que encontraria no “plano superior” sem Arthur ao seu lado para enfrentar o que fosse desconhecido. Medo de não viver. Medo de ser esquecida por ele. Suspirando fundo, juntando todas as forças, conseguiu dizer sem ao menos gaguejar, as palavras: - Eu te amo. – e fechou os olhos delicadamente, ainda ouvindo a voz ecoante de Arthur berrar em seu ouvido. - Não se atreva a me deixar, não... – sentiu-o mexendo seus ombros e chacoalha-la com força como em câmera lenta – LUA, NÃAAAAAAO. E, então, tudo apagou. N/a: música. Arthur nunca perdoaria o Dr. Ryan e toda a sua equipe por tê-lo feito perder seu mais precioso tesouro. Nunca. A culpa seria dele por sua incompetência e atraso. Ele, obviamente, abusou de seus contatos para acabar com a carreira do médico, mesmo sabendo que isso era um exagero. Lua não voltaria e alguém tinha que pagar. Alguém. Agora estava ali, onde toda essa história havia começado: em um cemitério. Mas dessa vez, não era seu irmão o dono do caixão avermelhado com entalhes rústicos e sim Lua. Sua doce e ingênuaLua. Sua vida havia se transformado em um mar de tristeza. Ele estava sozinho no mundo. Reece desaparecera e bem no fundo de sua alma, Arthur desejava que ele estivesse morto. Aquele era o fim. Todos os convidados do enterro já haviam ido embora. O coveiro já havia tampado a cova com terra e uma única rosa vermelha vinda de Arthur descansava em seu leito. E mesmo assim ele permanecia ali. Ajoelhado frente à lápide, escrita com letras garrafais tudo o que ele jamais havia dito “Amada até o último suspiro e muito além”. A chuva caía sobre sua cabeça, molhando sua roupa suja de terra. Trovões reverberavam ao fundo, iluminando aquela tarde escura. E até no mais ínfimo espaço de sua mente as palavras “Alguém tem que pagar” ecoavam como estrondos. Alguém, alguém... O culpado. Ele. - Se eu vou te encontrar depois do que eu estou prestes a fazer? Sinceramente, não sei. Contudo não pretendo viver nem por um segundo nesse mundo sem você. Eu poderia encontrar outra pessoa, sim. Mas seria você o tempo todo assombrando meus pensamentos. Você a quem eu veria ao olhá-la. O seu nome eu gritaria, te pedindo de volta para mim. Acho que deixei bem claro o quanto eu sou intenso nos meus sentimentos. Mas afinal, "como posso viver sem aqueles que eu amo? O tempo ainda vira as páginas do livro queimado. Lugar e tempo sempre na minha cabeça. E a luz que você deixou ainda permanece e é tão difícil ficar quando eu tenho tanto pra dizer, mas você está tão distante..." – suas lágrimas se misturavam às gotículas de chuva que corriam por seu rosto – E é por isso... É por isso que eu estou indo me juntar a você. – e sorriu com o canto dos lábios – Você seria completamente contra isso, eu sei. Mas agora quem toma minhas próprias decisões sou eu mesmo. E você é mais do que tudo para mim. Eu te amo, Lua Blanco, e faço isso para te ter ao meu lado, na vida e na morte. Sempre. Retirou vagarosamente uma pequena adaga de um dos bolsos da calça e rodou-a nas mãos, analisando o objeto de prata com um sorriso conformado nos lábios. Ele estava preparado para desistir de sua vida. - Meu coração também é seu agora. – e enfiou-se a adaga no peito, mugindo de dor. Rasgou a carne lentamente e ao sentir seu organismo clamar por uma parada, percebeu que os órgãos estavam expostos. De maneira até impossível, teve forças para introduzir a mão direita dentro do ferimento aberto e arrancar o próprio coração. Sua vida se fora no mesmo instante. Tudo terminaria ali. Naquele túmulo. Naquele cemitério mórbido. Por ela. Por Lua. Seu corpo imóvel caiu para o lado, deixando o coração vermelho ensanguentado rolar para perto da rosa solitária enquanto a chuva banhava a funesta cena. Uma última gota de lágrima escorreu por seu rosto, morrendo no canto de sua boca, onde ainda permanecia gravado um eterno sorriso, que ninguém jamais saberia o motivo de estar exposto. Ele demorou a vida toda para saber de sua existência, um mês para encontrá-la e uma semana... Para perdê-la. E quem sabe, talvez, tê-la novamente em seus braços. 

FIM.cruzeiros

Créditos: Fanfics Tensão Teen

5 comentários:

Claryce disse...

own chorei

Ana Carolina disse...

Muito linda
chorei muito mesmo

Anônimo disse...

nossa muito linda e triste,mas nos fez mostrar que o amor verdadeiro é'infinito e que quando amamos damos a nossa vida por essa pessoa e que sem essa pessoas nao mais pq viver.

ASS:ESTER

Anônimo disse...

lindo demais

Anônimo disse...

eu chorei !!! que perfeito !!

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