quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Gossip Boys capítulos 116 à 130 (últimos capítulos)




116

Thur fala:

“Ouvi dizer que o Gossip é o próprio Thur...” July Armstrong sussurrou para um grupo de veteranas, que nos olharam com uma mistura de ódio e admiração.
“Eles são viados, é tudo fachada, eu tenho certeza...” Kamila Eyes disse, um pouco alto demais, para todos os amigos, que estavam parados no bar, bebendo. Era um flashback da última festa em que fomos, e por esses e outros motivos eu estava dando graças a Deus que aquela era a última em que iria.
- Acho que na verdade são todos robôs e nós estamos vivendo no incrível mundo de Beakman. – Chay sussurrou em meu ouvido, e eu cuspi a cerveja que estava bebendo, rindo.
Fomos até o fundo do salão, decorado com lycras brancas e luzes vermelhas, e pegamos a mesa mais distante de todas. A toalha era branca, as cadeiras com forro vermelho e um arranjo de flores brancas estava posto no meio dela. Sentamo-nos. Não estávamos com saco de ficar em pé e ouvir todas as merdas que falavam de nós 4 e das 4 meninas. Eu não estava com saco pra nada, pra falar a verdade. Eu só queria olhar em volta e procurar alguém com cara de suspeito. No fundo eu estava rezando para que alguém com uma plaquinha escrito "Eu sou o/a Gossip" aparecesse na minha frente, pra acabar com tudo aquilo.
- Thur? – alguém chamou atrás de mim, e eu dei um pulo na cadeira. Virei-me para trás e uma mulher de uns 30 anos, com uniforme de garçonete, sorria pra mim. – Te mandaram esse bilhete. – ela disse, colocando um papel dobrado em minhas mãos e piscando para mim.
Abri com cuidado.
“Se a Cinderela não me encontrar até 12h, vou pegar o microfone e destruir sua vida. Eu estou circulando por aí. Por falar nisso, linda camisa verde.”
Olhei à minha volta, mas não vi ninguém suspeito. Depois olhei para frente e a mulher já havia sumido. Tentei encontrá-la com o olhar, mas ninguém com avental de garçonete chamou minha atenção.
“Merda...” pensei, socando a mesa.
- O que foi, Aguiar? TPM fora de hora? – alguém perguntou atrás de mim. Virei-me, confuso como o resto dos guys, mas minha confusão desapareceu ao encontrar John me olhando com cara de imbecil, e Josh ao seu lado, rindo. Atrás deles algumas meninas cochichavam.
- Tava demorando... – Micael virou os olhos, voltando sua atenção para Chay e Harry, que voltaram a conversar, ignorando a interrupção.
- O que você quer aqui? – perguntei, me lembrando que ele e Josh eram um dos meus suspeitos. – Estão querendo alguma foto inédita?
Eles se entreolharam, com cara de fomos-pegos-no-flagra.
- O que você quer dizer com isso, Aguiar? – Josh perguntou, perdendo um pouco a cara de idiota.
- Eu quero dizer... – murmurei, me levantando para poder ficar do seu tamanho. – Que eu sei que vocês dois andam tirando fotos que não devem.
Josh olhou para John, engolindo em seco.
“Isso!” pensei. Então eles eram mesmo os filhos da puta que...
- Tudo bem, Aguiar, é verdade. – John deu de ombros. – Quero dizer, nós achávamos que essa história não ia vazar, mas parece que nessa escola as coisas voam! – sorriu, debochado. – Quanto você quer para esquecer essa história?
Hm, pera aí... Eles não queriam ser descobertos por mim?
- Do que... Do que exatamente estamos falando? – perguntei, confuso.
- As fotos das meninas peladas. – Josh sussurrou, com a sobrancelha erguida. – Que mandamos para a Playboy. É disso que estamos falando.
Olhei para John, que concordou com a cabeça, meio envergonhado, meio sacana.
Por aquilo eu não esperava.
- Hm... Sim. É, disso mesmo. – respondi, um pouco surpreso em saber daquilo, um pouco desapontado. John e Josh definitivamente não eram os donos do Conte Seu Babado. Então, quem mais poderia ser?
Marcus, James e Ben eram minhas alternativas.
- E então? – Josh perguntou. – Quanto você quer?
Olhei para ele e logo depois para John.
Sim, eu poderia muito bem ferrar com eles. Poderia espalhar aquilo para todos e nunca mais me preocupar. Mas... Por que estragar o meu último baile com uma fofoca idiota? Por que não deixá-los seguir com a vida deles e seguir com a minha? Quero dizer, eles tinham me infernizado o Ensino Médio inteiro, mas não era como se eu guardasse mágoas nem nada do tipo... Só das porradas que levei. Mas isso não vem ao caso.
- Tudo bem, não vou contar. – respondi, dando de ombros. Eles se entreolharam, espantados. – É sério.
- Ok, então. – John deu de ombros.
- É... – Josh assoviou.
Ficamos ali, em pé, nos olhando sem saber o que dizer.
- Então é isso... – disse, sem graça.
- É, é isso... – eles disseram juntos.
Se viraram para ir embora, e eu já estava quase me sentando, quando John recomeçou a falar, quase como um sussurro.
- Aguiar, eu só queria, sabe como é, pedir desculpas. Por tudo.
- Como assim? – perguntei, espantado.
- Esse é o nosso último baile, e eu posso parecer imbecil, mas não queria acabar o colégio com inimigos. – ele disse, parecendo sincero. – O negócio é que eu sempre gostei da Luinha, e eu simplesmente não conseguia vê-la com você... Mas isso já passou. – se explicou, enquanto Josh se afastava com as meninas. – Quero dizer, acho que eu sempre vou tê-la como meu primeiro amor, mas não é algo permanente. Existem muitos peixes nesse mar... – ele piscou pra mim, antes de dar as costas e se juntar ao seu eterno grupo de babacas.
Eu entendia completamente o que ele sentia. Era difícil não se apaixonar por Lua, e naquele momento, depois de muitos anos odiando-o, senti um pouco de compaixão por John.
Mas só um pouco.
- O que esses babacas queriam? – Micael perguntou, logo que me sentei na mesa.
- Nada. – respondi, dando de ombros. – Mas pelo menos agora eu sei que nenhum dos dois roubaram a senha do blog.
- Ótimo, agora só resta a escola inteira. – Harry ironizou, abrindo o celular que vibrava. – As meninas estão entrando.
- Finalmente! – Chay exclamou, virando o pescoço para a porta, assim como o resto de nós.
- Espero que toda essa espera valha a pe... – Micael ia dizendo, quando a sandália vermelha de salto alto de Mel apontou na porta.
O salão parou.
Até as fofocas cessaram.
A primeira a entrar foi Mel; ela usava um vestido vermelho tomara-que-caia, combinando com as sandálias de saltos altíssimos. Ele parava na altura dos joelhos, um pouco acima. Seu decote era em "V" e a saia era solta e leve, com um cinto preto de cetim marcando sua cintura. Seu cabelo estava todo enrolado, com cachos largos, sua boca cor de cereja, e seus olhos sensuais pelo delineador grosso, estilo gatinho. Ela estava parecendo aquelas pimp-up, mulheres bonecas dos anos 80. Estava incrivelmente sexy, preciso admitir. Espero que Micael não leia isso.
Ao seu lado vinha Michele. Usava uma sandália prata um pouco menor que a de Mel e um vestido preto, colado ao corpo, parando um pouco abaixo das coxas. Seu decote era um tanto quanto grande, mas isso não a tornava vulgar. Muito pelo contrário, estava especialmente doce, com os olhos naturais e a boca marcada pelo gloss rosa claro. Seus cabelos estavam soltos e lisos pelos ombros. Ela sorria e sua bochecha estava corada, e isso fez com que Harry se arrumasse na cadeira.
Um pouco atrasada, entrou Sophia. Usava um vestido azul claro, estilo grego, com a saia toda cortada em pontas. Estava de sapatilhas de centim, do mesmo tom de azul, e seu cabelo estava preso no estilo medieval, um pouco preso por uma presilha prata com pedras azuis, um pouco solto pelos ombros. Ela sorria e corria em direção as amigas, um pouco envergonhada por entrar sozinha. Mas logo as alcançou. Seus olhos estavam marcados por lápis e rímel azul, e seu batom era cor da pele. Logo que entrou, sorriu para nossa mesa, e eu sorri automaticamente ao vê-la, como se fosse impossível não sorrir em sua presença.
Prendi a respiração logo que as 3 entraram. Sabia que o que viria a seguir não faria bem para o meu estômago, e amaldiçoei mentalmente os cachorros-quentes que havia comido no almoço. Se fosse vomitar, aquele seria o melhor momento.
Então ela chegou. E não estava tão bonita quanto eu imaginei.
Estava melhor.
Chay me olhou, espantado, e eu entendi o que ele queria dizer. Era algo do tipo “olha só a merda que você fez, seu imbecil”. Agradeci pelo olhar.
Eu era mesmo um imbecil.
Ela entrou sem aviso prévio. Colocou os pés pra dentro do salão casualmente, e sorriu para algumas de suas amigas do primeiro ano. Era para ser uma coisa normal, só uma garota entrando e sorrindo para os conhecidos. Mas o simples movimento do seu peito subindo e descendo, possibilitando sua respiração, era sensacional naquele momento. Seus olhos brilhavam, sua boca provocava e seus movimentos eram graciosos e sensuais. Estava usando um vestido verde turquesa e uma sandália prata com pedras azuis turquesa para combinar. O vestido tinha um decote em "U", e descia esplendormente até seus quadris, onde se abria um pouco, dando volume à saia balonê, que acabava um pouco abaixo das coxas. Era de alcinhas, que se cruzavam nas costas. Usava brincos de prata compridos e um colar, também de prata, que ia até suas clavículas, com um pingente de fada. Seus olhos estavam marcados com o delineador e o rímel pretos, e sua boca sorria sob o gloss rosa bem escuro, quase vermelho. Suas maçãs do rosto estavam vermelhas, e seus olhos iluminavam o local.
Era como se um anjo estivesse parado na porta da quadra de basquete.
- Já pode respirar, Aguiar. – a voz distante de Michele invadiu meus ouvidos, mas eu não desviei o olhar dela, que cumprimentava alguns amigos. Aos poucos os burburinhos voltavam a invadir o salão, e eu tenho certeza de que eram mentiras escandalosas, mas não conseguia ouvir. Não conseguia respirar. Só o que me importava era ela.
- Esquece, ele só vai voltar a piscar quando ela chegar aqui. – Micael respondeu por mim.
Aos poucos ela foi se aproximando. Quando chegou à nossa mesa, me olhou e sorriu. Sem mais nem menos. Sem se importar com todos ao redor.
- Thur. – disse, simplesmente, sentando-se ao meu lado.
- Luinha. – murmurei, com a garganta seca. – Você está linda.
- Você também não está mal. – ela riu, e eu sorri, perdidamente hipnotizado.
Ficamos um bom tempo nos olhando, como se nada existisse em nossa volta. As conversas e brincadeiras foram deixadas de lado, e nossos olhos pareciam conversar por nós.
Sem que pudesse controlar meus movimentos, minha mão já estava tirando a flor branca que trazia dentro do terno. Ela levantou o braço e eu, sem pedir permissão, a prendi em seu pulso, delicadamente, sem tirar os olhos dos seus olhos.
- Hm, o casal aí poderia dar atenção para os amigos carentes? – Sophia pediu, e Lua desviou o olhar. Fiz o mesmo, mas ainda sentia sua presença com o canto dos olhos.
Sophia estava sentada ao lado de Chay, e ele a abraçava pelos ombros. Ao seu lado, Harry segurava as duas mãos de Michele em cima da mesa, eMel havia apoiado a cabeça no ombro de Micael.
Todos os meus amigos felizes.
Aquilo era simplesmente ótimo. Éramos em oito, corações unidos, pro que der e vier.
Meus melhores amigos.
- Então, Thur, já descobriu alguma coisa? – Mel perguntou. Então abaixou a voz. – Do Gossip.
- John e Josh estão fora da jogada. – dei de ombros.
- Então sobraram James, Marcus e Ben? – Michele perguntou.
- Aparentemente sim...
- Quem diria, eim? – Lua perguntou, ao meu lado. – No começo do ano estávamos ameaçando esses palhaços no Barney’s e agora estamos aqui, no baile de formatura deles, na mesma mesa, de mãos dadas e compartilhando segredos.
- Realmente, nunca imaginei que vocês pudessem ser tão legais. – Harry concordou.
- É, e vocês tinham que ver os nossos apelidos para vocês. – Chay brincou.
- Sim, "As Megeras"! – eu disse, e todos nós rimos.
- Melhor que McLosers, certo? – Sophia provocou.
- Para vocês verem como as aparenças enganam... – Michele disse.
- Mas isso não importa mais, certo? – Mel perguntou. – Quero dizer, agora nós somos melhores amigos, não precisamos ficar revivendo o nosso passado sombrio...
- O seu passado sombrio, Melzinha, não fui eu quem chamou a professora da segunda série de "vaca menstruada". – Sophia riu, e Micael cuspiu o que estava bebendo.
- Foi você! – exclamou. – Você é meu ídolo!
Por um bom tempo ficamos conversando na boa, como costumávamos conversar nas tardes depois da escola, no Barney’s. Alguns insultos, algumas histórias do passado, zoações... Como nos velhos tempos.
A música continuava no fundo, e eu podia sentir o olhar de todos na nossa mesa. Mas não era como se eu me importasse com aquilo. Era tudo besteira comparado à nossa amizade.
- Casais apaixonados, agora vamos tocar algo que talvez possa interessar. – o Dj interrompeu a música, anunciando no microfone. Quando percebi, todos haviam se levantado, e eu fiquei na mesa, sozinho com Lua.
A música começou. Let Me Take You There, do Plain White T’s.
- Adoro essa música. – ela disse ao meu lado, mais para ela mesma do que pra mim.
Virei meu pescoço, junto com o corpo inteiro, e peguei suas mãos. Ela levantou o olhar.
- Você me concede essa dança? – perguntei, cortês.
- Acho que não vai me matar. – ela sorriu.
Levantamo-nos e fomos para o meio da pista, de mãos dadas. Todos olharam, todos comentaram. Isso não nos impediu de continuar. Ela colocou as duas mãos no meu pescoço e eu a envolvi pela cintura. Apoiou sua cabeça no meu ombro, e eu pude sentir o cheiro do seu cabelo, doce.
Conforme dançávamos, eu tinha certeza de uma coisa.
Aquela seria, pra sempre, a nossa canção.








                                                       117
Lua fala:
I know, a place where we can go to,
(Eu conheço, um lugar que podemos ir,)A place where no one knows you,
(Um lugar onde ninguém conhece você,)They won’t know who we are!
(Eles não irão saber quem nós somos!)

Seus dedos seguravam firmes em minha cintura. Sua respiração batia costantemente em meu cabelo. Meus dedos 
escorregavam lentamente pelo seu cabelo. Nossos pés nos balançavam de um lado para o outro, sem ritmo e ritmados 
ao mesmo tempo. A batida da bateria nos levava de um lado para o outro. Nossos corpos, juntos, dançavam sem 
necessidade de ordens do cérebro.
I know, a place that we can run to,
(Eu conheço, um lugar do qual podemos correr para lá,)And do those things we want to,
(E fazer aquelas coisas que queremos,)They won’t know who we are!
(Eles não irão saber quem nós somos!)

- É a primeira vez que nós dançamos com música de verdade. – surrurrei, e ele soltou uma gargalhada gostosa.
- Está dizendo que eu não sei cantar, Blanco? É isso que está dizendo? – ele perguntou, e apertou minha cintura. Ele afundei mais ainda minha cabeça em seu ombro, feliz demais para mantê-la firme.
Let me take you there!
(Deixe-me levá-la lá!)I wanna take you there!
(Eu quero levá-la lá!)

- Não é nada disso... É só que dessa vez nós temos acompanhamento e pessoas em volta, dançando ao mesmo ritmo. – respondi, tentando me explicar.
- Para alguém que tem asma, Blanco, você fala demais. – ele disse, e eu fechei os olhos.
I know, a place that we’ve forgotten,
(Eu conheço, um lugar do qual esqueçemos,)A place where we won’t get caught in,
(Um lugar onde ninguém vai nos pegar,)They won’t know who we are!
(Eles não irão saber quem nós somos!)They won’t know who we are!
(Eles não irão saber quem nós somos!)

Continuamos a nos balançar lentamente. Eu sentia minha barriga quente e meus dedos estavam gelados em sua nuca. Ele continuava a respirar, me arrepiando.
Será que ele sabia o poder que tinha sobre mim?
Será que ele sabia o quanto eu o amava?
I know, a place where we can hide out,
(Eu conheço, um lugar onde podemos nos esconder,)And turn our hearts inside out,
(E desligar nossos corações,)They won’t know who we are!
(Eles não irão saber quem nós somos!)

- Você falar demais não significa que eu não gosto de ouvir você falar. – ele disse, depois de algum tempo em silêncio.
- Não é isso... – murmurei, emocionada de verdade pelo o que estava acontecendo. – Eu só quero guardar esse momento na minha memória para sempre. Não sei quando irá acontecer de novo...
Ele colocou a cabeça para trás, encostando sua testa na minha. Olhamo-nos fixamente, sorrindo como dois idiotas.
Let me take you there!
(Deixe-me levá-la lá!)I wanna take you there!
(Eu quero levá-la lá!)Let me take you there,
(Deixe-me levá-la lá,)Take you there!
(Levá-la lá!)Take… You there!
(Levá-la… Lá!)

- Não fale isso. – ele pediu, quase que implorando. – Eu não quero ter que pensar que podemos nos separar novamente. Eu quero ficar aqui para sempre, segurando você nos meus braços.
- Eu queria ficar aqui para sempre, sendo guiada por você, sentindo seu cheiro, sentindo seus braços, seu calor... – sibilei, num sussurro baixo. Ninguém em volta precisava saber de nós dois.
- Lua? – ele chamou. – O que você me disse ontem, ou hoje de manhã, tanto faz... Aquilo sobre estar apaixonada por mim... Isso é... Bom?
I know, a place we’ll be together,
(Eu conheço, um lugar onde vamos ficar juntos)And stay this young forever,
(E permanecer jovens para sempre,)They won’t know who we are!
(Eles não irão saber quem nós somos!)

- Thur... – disse, saboreando seu nome entre meus lábios. – Isso é simplesmente maravilhoso. Eu não posso imaginar minha vida sem o que eu sinto por você, sem o que você exerce em mim... Seria algo impossível!
Ele deu aquele sorriso com o canto dos lábios que eu tanto amava.
Let me take you there!
(Deixe-me levá-la lá!)I wanna take you there!
(Eu quero levá-la lá!)Let me take you there,
(Deixe-me levá-la lá,)Take you there!
(Levá-la lá!)Take… You there!
(Levá-la… Lá!)

Então, sem mais nem menos, ele colocou as mãos em meu rosto e aproximou sua boca da minha. Beijou-me. Apertou seu corpo contra o meu, e eu deixei minhas mãos em sua nuca, puxando-o para mim.
“Ele está me beijando!” pensei, sentindo borboletas no estômago. “Na frente de todos!”
Era como se eu tivesse 12 anos de novo.
We can get away,
(Nós podemos fugir,)To a better place!
(Para um lugar melhor!)If you let me take you there!
(Se você me deixar levá-la lá!)We can go there now,
(Nós podemos ir lá agora,)‘Cause every second count,
(Porque cada segundo conta,)Girl, just let me take you there,
(Garota, somente me deixe levá-la lá,)Take you there!
(Levá-la lá!)

A música acabou. Nossos rostos se separaram, encontrando o salão inteiro nos olhando.
“Eu te amo tanto...” pensei comigo mesma, olhando em seus olhos.
- Eu também. – ele disse, contendo o sorriso.







                                118
Thur fala:

Não me pergunte como. Nem quando e muito menos onde. Só sei que eu sabia. Eu sabia que ela me amava, e, naquele momento, era importante que ela soubesse que eu a amava também. Eu meio que sabia que a qualquer minuto minha vida estaria acabada.
E se fosse mesmo para tudo acabar, que acabasse de um jeito que eu me lembrasse para sempre.
- E quem foi que disse que eu te amo, Aguiar? – ela perguntou, beijando meu queixo. Tinha a consciência de que todos em volta nos olhavam. Alguns até pararam de dançar para isso.
- Seu coração, batendo no mesmo compasso que o meu. – murmurei em seu ouvido, segurando sua mão em cima de seu peito, para que ela pudesse sentir o próprio coração. – Seu sorriso ao olhar pra mim. Suas mãos em minha nuca. Seu corpo encostado ao meu. Tudo isso me leva a pensar que você me ama, Blanco. E isso é tudo que eu sempre quis. Eu estou falando sério, sem jogos, sem brincadeira. Eu fiz tudo por você. Eu fiz tudo para te ter em meus braços, e espero que dessa vez isso possa ser pra sempre. – olhei rapidamente para o lado, e vi que alguém nos observava com interesse. Mas logo desviou o olhar e saiu por entre a multidão. – Mas se não for – continuei, pois tinha certeza que quem nos observava era quem iria ferrar comigo. –, que seja eterno enquanto durar.
Ela sorriu, e enterrou sua cabeça no meu peito. Mas meio segundo depois, se levantou.
- Ah! – exclamou, com um sorriso de orelha a orelha. – Eu sei que as meninas já te contaram. Mas você sabia que eu e Ryan estamos de boa?
- Levando em consideração que essa madrugada você ficou choramingando coisas como "eu fiquei minha vida inteira puta com as pessoas erradas", nem que as meninas não tivessem me contado eu saberia. – sorri de um jeito debochado.
- Idiota. – ela brincou, me dando um soco no ombro.
- Fico feliz por você, Luinha. – sorri, sincero. – E espero que você possa se resolver com a sua mãe também.
- Eu também... – ela murmurou, deixando um semblante triste invadir seu rosto. Apertei sua bochecha e disse:
- Ok, vamos mudar de assunto. Não quero te ver triste. – virei os olhos. – Mesmo porque, eu quem deveria estar triste aqui. Sou que vou perder tudo que tenho hoje se não descobrir quem é o filho da puta que roubou a senha do blog...
- Com isso você não precisa se preocupar, Thur. – ela sussurrou. – Eu já disse, ele não pode tirar o que é seu por direito!
- Thur! – Micael gritou atrás de mim, entrando na pista de dança com uma expressão zangada. – Preciso falar com você!
Lua me olhou surpresa. Micael nunca havia falado comigo daquele jeito.
- Acho que já começou. – disse, antes de soltá-la, contra minha vontade. – Eu já volto. – exclamei, por cima de Pokerface, que começava alta nos alto-falantes.
Ela só continuou ali parada, estática, enquanto eu andava de costas, olhando Micael e me martirizando por estragar o momento perfeito com a garota perfeita.
Assim que chegamos no fundo do salão, onde o barulho era menor, escontrei Chay e Harry nos esperando. Ryan, o irmão de Lua, estava um pouco mais atrás deles, mas prestava atenção na conversa. Acenei para ele com a cabeça, que acenou de volta. Ele podia usar aquelas bandanas ridículas estilo Gun ‘n Roses, e podia ter me dado uma surra quando eu ainda pensava que ele havia traído Lua, mas ainda assim ele era gente boa.
Mas o quê exatamente estava acontecendo ali? Alguma seita onde eles iriam cortar meu pipi fora?
Run, Thur, run!
- O que foi? – perguntei, tenso.
- Dude, relaxa! – Harry assoviou, dando um tapa em meu ombro. – Nós não vamos te comer vivo nem nada do tipo.
- Então por que o Micael tá com essa cara? – perguntei, apontando para ele, que olhava emburrado para os sapatos.
- Nós o tiramos do maior amasso com a Melzinha. – Chay deu de ombros. – Por uma causa nobre, certo, Borges?
- É, pode ser... – ele murmurou, emburrado.
- Então, entregaram esse outro bilhete para Ryan, e ele nos trouxe. – Harry continuou, me entregando um pedaço de papel onde se lia "para ThurAguiar". Abri-o imediatamente, sem hesitar.
“Estou vendo que está tendo uma noite de princesa. Mas lembre-se, já são 22:47. Já descobriu quem eu sou? E, por falar nisso, sua bunda fica linda nessa calça.”

Como intuição, ou alguma merda desse tipo, me virei para trás, vendo a silhueta da mesma pessoa que havia visto na pista de dança. Infelizmente não pude ver mais nada, pois um casal bêbado entrara na frente, e, quando saíram, a pessoa já havia sumido. Mas pude ver que estava de azul-escuro.
Era um começo, certo?
- Vocês viram aquilo? – perguntei, me virando de volta. Harry negou com a cabeça, Chay olhou em volta, Ryan apertou os olhos e Micael levantou os olhos. – Tinha uma pessoa observando a gente. A mesma que me observou na pista de dança mais cedo. – expliquei, e eles se juntaram mais, como uma gangue ouvindo as ordens do chefe. – Essa pessoa usava azul-escuro... – avaliei, pensativo. – Nós podemos vasculhar a área, ver quem está de azul-escuro!
- Boa ideia. – Micael pareceu animado pela primeira vez. – Então vamos andar por aí e nos encontramos aqui daqui meia hora. – ele olhou no relógio. – Já será 23:30, ainda teremos meia hora para pensar.
- Ok, ótimo. – Chay disse, já saindo da nossa vista. Ryan, Harry e Micael fizeram o mesmo, me deixando sozinho. Mas antes que pudesse ir procurar, trombei com James, que derrubou cerveja na camisa azul-escura.
- Me desculpe, James! – exclamei, constrangido.
Espera aí...
Azul-escura?
Pera aí. Pera aí, só mais um minuto.
James estudava no Colégio Norbert para estar naquele baile?
- Não foi nada, Thur. – ele disse, passando a mão pela mancha de cerveja em sua camisa. Como um flash, me lembrei das fotos no seu armário, da suspeita dos guys e agora via sua camisa azul-escura.
Eu gostava de James, mas não havia mais dúvidas de que ele era...
- Escuta, Thur, eu preciso te pedir um favor. – ele disse, antes que eu pudesse terminar o raciocínio. – Estou pra te perguntar isso faz, sei lá, cara, meses! O negócio é que há algum tempo eu tenho acessado aquele blog, o Conte Sua Fofoca, ou algo do tipo... E eu imprimi algumas fotos. Sabe como é, pra poder lucrar um pouco. Tem gente idiota pra tudo, né? – ele perguntou, piscando pra mim. Fiquei confuso. Máqueporra ele estava querendo dizer? – Então eu meio que comecei a emoldurar as fotos e vender para os muleques idiotas do colégio. E eu meio que tô ganhando uma boa grana... Mas eu queria pedir tua autorização antes de continuar. Sabe como é, você pode querer entrar na justiça, aí que eu tô fodido. Já estou como bolsista na escola, e não quero me meter em encrenca. – dito isso, tirou um maço de cigarros do bolso e acendeu um na minha frente.
Pera aí, de novo!
Primeiro: como James podia ser do Colégio? Eu nunca havia o visto por lá!
Segundo: James, o bonzinho James, fumava?
Terceiro: será que ele não sabia que não podia fumar lá dentro?
Quarto: o filho da puta estava lucrando às nossas costas?
Antes que pudesse pensar sobre tudo isso, vi uma risada nas minhas costas, e quando me virei, havia sumido.
- Escuta, eu preciso ir. – disse, vendo um rastro azul-escuro sumir entre as pessoas. Comecei a correr, mas antes gritei de volta: - E não se atreva a vender mais nenhuma foto nossa! Seu imbecil!
Ufa.
Me senti bem em fazer aquilo.
Será que a solução dos meus problemas era xingar as pessoas?
Era algo a se pensar, enquanto eu seguia um rastro azul pelo salão.








                                     119
Lua fala:

Era estranho ficar sozinha entre todas aquelas pessoas – meninas, diga-se de passagem –, que me olhavam com ódio. Não sei porquê tanto ódio no coração, gente, era só um garoto como todos os outros! Famoso, mas ainda assim um garoto.
Na verdade era um garoto lindo, de arrasar corações.
E com uma conta corrente imensa.
Mas e daí? Do que adianta tudo isso sem amor?
Não que o dinheiro atrapalhasse algo...
Ok, por que eu estava mesmo pensando no dinheiro de Thur mesmo?
- Luinha! – Mel gritou ao meu lado, me tirando dos pensamentos idiotas.
- Melzinha! – exclamei de volta. Estava tão feliz que sentia vontade de conversar aos berros. E a música alta no fundo me ajudava nisso. – Tudo maravilha na ilha?
- Tudo tranquilo no mamilo, my lady. – ela respondeu, um pouco vermelha demais.
- Por que você está vermelha? – perguntei, já imaginando a resposta.
- Dancei demais. – ela respondeu, ficando mais corada ainda.
- Hm... – murmurei. – Legal saber que você cansa dançando música lenta. – disse, sorrindo. Ela me deu um tapa de leve e nós começamos a dançar Pokerface. Quando menos percebi, Michele e Sophia se juntaram a nós duas, como Comensais da Morte que apareciam do nada.
Só que sem o capuz preto e as tatuagens do mal.
É, você me entendeu.
Continuei a dançar, fechando os olhos e deixando o ritmo me levar. Deixa a vida me levar, vida leva eu! [N/A: Eu contei pra vocês que fui no Hilton pra ver o McFLY e encontrei o Zeca Pagodinho breaco? Tem até foto no meu orkut, HAHAHA! Pra quê o Tom se eu posso ter o Zeca?] Eu sei que eu deveria estar por lá procurando o cara ou a garota que queria ferrar a vida do cara que eu amava. Mas Pokerface é tão boa!
Lady Gaga é diva. Quero dizer, tirando o fato de que ela é mais esquisita que o David Bowie.
- Mas e aí, alguma pista de quem seja o Gossip? – Sophia perguntou, se aproximando de mim.
- Thur me disse, enquanto dançávamos, que Josh e John estavam fora da parada. Eu não estou vendo Bella por aqui, então ela também não pode ser... – suspirei, vendo que nossa lista de suspeitas diminuía a cada minuto. – Só nos resta James. E os meninos acham que Marcus também pode ser. – dei de ombros, quando vi Thur passar correndo pelo salão, concentrado em algo. Olhei para onde ele olhava, mas não vi nada que pudesse mantê-lo tão sério. Quero dizer, Marcus dançava perto de mim com algumas amigas, e James estava no bar, passando um pano pela camisa.
Continuei a dançar, quando a música trocou de Pokerface para Just Dance.
Overdose de Lady Gaga é o que há!
Quando o refrão começou a tocar – "Just dance, it’s gonna be ok, just dance!" – senti duas mãos em meus ombros e uma respiração ofegante. Virei-me, assustada, e vi Thur com uma mistura de expressões. Estava triste e bravo ao mesmo tempo.
- James... saiu... da... parada... – ele murmurou, entre respirações. Respirou mais um pouco e continuou. – Eu só sei que... A pessoa está de azul-escuro. Não sei se é... Vestido ou camisa, só sei que é azul-escuro.
- Então dos nossos suspeitos, só restou... – parei de falar, e ele balançou a cabeça em afirmativa. Fiz uma careta. Não podia ser!
- Marcus. – terminou por mim.
Olhei para trás, onde ele dançava animadamente com o namorado. Respirei aliviada ao ver que ele usava – dou uma bala para quem adivinhar – rosa, e não azul-escuro. Mas segurei o ar novamente, ao ver que Dylan, seu namorado, usava azul-escuro. E que ele acabara de se juntar a Marcus.
Thur olhou para onde eu olhava e mordeu o lábio inferior.
- Eu vou até lá. – ele disse, decidido.
- Eu vou com você. – disse, segurando sua mão gelada.
- Não, fica aqui, é melhor que eu vá sozinho. – ele pediu. – Aproveita o baile, Luinha. Deixa que eu me viro com isso.
- Mas eu não consigo aproveitar o baile quando sei que você está todo tenso. – exclamei, passando a mão por seus ombros. Ele cedeu um pouco, pronto para me puxar para um beijo, mas Marcus começou a se afastar com Dylan, e ele ficou tenso novamente.
- Eu preciso descobrir isso. – disse, como se colocasse um ponto final naquela conversa. – Por mim e por você. – dito isso, tirou delicadamente minhas mãos de seu ombro. – Aproveita com as suas amigas.
Deu um beijo rápido em minha testa e saiu atrás dos dois.
Voltei meu corpo para as meninas, que esperavam curiosas.
Dei de ombros.
Estava começando a pensar que aquela seria uma batalha perdida.








                                                 120
Thur fala:

O namorado gay de Marcus estava de azul-escuro. E por onde eu olhava via pessoas de azul-escuro. Com o canto dos olhos, vi Ryan conversando com duas meninas de azul. Porra! Aquele era o dia mundial do azul?
Olhei no relógio. Quando recebi a carta do Gossip, eram 23:02, agora já eram 23:33. Teria que me juntar com os guys, mas tinha que ir até Marcus. E logo. Porque ele era minha última "esperança". Eu esperava, na verdade pedia aos céus, que fosse ele. Que fosse ele ou que fosse logo alguém, pelo amor de Deus! O desespero começou a me comer por dentro. Desde que tudo aquilo começara, não sentira medo nenhuma vez. Exceto aquele momento. Aquele momento crucial, onde eu sabia que eu dependia unicamente de Marcus. Eu dependia dele. Eu queria que ele fosse o Gossip.
Ele é gay, pelo amor de Deus! Tinha que ser ele!
Ia pensando enquanto andava, distraído, então eu meio que trombei nele, não percebendo o quão próximos nós estávamos.
- Me desculpe! – exclamei pela segunda vez aquela noite. Só esperava que pudesse retirar as desculpas, como não pudera fazer com James.
Marcus sorriu, e seus olhos brilharam. Senti um chute no estômago.
- Tudo bem, Aguiar. – disse, saboreando meu sobrenome em sua boca. – Não tem problema.
Sorri amarelo, olhando para seu namorado, que olhava para mim com uma mistura de raiva e divertimento.
- E aí. – cumprimentei, acenando com a cabeça. – Beleza?
- Beleza, e você? – perguntou, estendendo a mão. – Eu sou Dylan.
- Eu sei quem você é. – murmurei, e ele e Marcus me olharam, inexpressivos. Dylan abaixou a mão. Era agora ou nunca. – E eu sei o que vocês dois estão fazendo pelas costas de todos nós. Eu sei que você – olhei para Marcus, e ele continuava sem expressão. Aquilo estava me deixando mais nervoso ainda. Eu suava, e tinha vontade de correr para a barra da saia da minha mãe e chorar. – se faz de "amiguinho" – fiz aspas com a mão, para enfatizar. –, mas no fundo é um cuzão. Um cuzão com C maior.
Respirei fundo.
Nós três nos olhávamos, os dois sem expressão, e eu como se fosse chorar a qualquer momento.
Passados alguns segundos de tensão, Marcus me segurou pela manga do terno e me puxou para baixo. Desequilibrei-me, quase caindo, se não fosse por Dylan, que se abaixou junto e me segurou; os dois juntaram as cabeças, criando uma espécie de roda fechada.
- Eu vou dizer só uma vez e espero que você escute com atenção. – Marcus começou, com uma voz de homem incrível. Nunca pensei que aquela bicha afetada pudesse falar daquele jeito. Eu meio que fiquei com medo. – Você não sabe de nada, você não viu nada. E se essa história vazar, pela escola ou pela Internet, você é um homem morto.
- Nós estamos realmente ficando ricos com isso, Aguiar. – Dylan murmurou, por entre os dentes. – E não vamos perder tudo por sua causa. Você tem a sua bandinha, e eu imagino como seria para você perdê-la.
Hã? Ricos? O blog dava dinheiro?
- Mas eu já descobri vocês! – exclamei, ansioso. – Não estou livre do castigo ou qualquer coisa do tipo?
- Do que você está falando? – Marcus perguntou, parecendo desconcertado pela primeira vez.
- Do Conte Seu Babado e as ameaças que vocês estavam fazendo! – abri o jogo, sem paciência para joguinhos, me segurando para não gritar. Por que eles não acabavam com o meu sofrimento de uma vez só? – Porra, eu descobri, eu mereço isso!
Os dois arrumaram a postura e se olharam, confusos.
- O quê? – choraminguei.
Eu era, oficialmente, um filhinho de mamãe.
- Do que exatamente você está falando, Aguiar? – Marcus perguntou, voltando para sua voz normal de afetado. – Você acha que nós roubamos a senha daquele blog de merda?
Não!? Não roubaram!?
MERDA!
- Não roubaram? – perguntei, rezando para que aquilo fosse um tipo de pegadinha de mau gosto. Mas eu sabia que, no fundo, não era. Eles continurama em silêncio, e eu fui ficando cada vez mais nervoso. – NÃO ROUBARAM? – gritei, e abaixei a voz ao ver que algumas pessoas nos olhavam curiosas. – Não roubaram? – perguntei novamente, mais calmo.
Não tão mais calmo.
- Não! – eles disseram em uníssono.
- Claro que não, nós temos mais o que fazer... – Dylan deu de ombros.
MERDA!
- Ah não, ah não, ah não! – disse, ignorando a presença dos dois. Estava tão desesperado que nem quis saber do que eles estavam falando e como diabos eles estavam ficando ricos.
- Ok, fiquei aí com seus lamentos. – Marcus disse, se afastando. – E você não ouviu nem sabe de nada de nós dois. Combinado?
Não respondi. Estava desolado demais para responder.
Se não eram eles, quem diabos poderia ser!?
E, mais uma vez, voltava a estaca zero.
Caminhei lentamente até o fundo do salão, onde Ryan, Micael, Harry e Chay me esperavam. Eles pareciam ansiosos, mas eu continuei devagar. Não tinha mais esperanças. As ameaças do Gossip eram reais demais, e eu sabia que perderia mesmo tudo que era meu.
Então por que a pressa?
- Cara, vai logo! – Chay me despertou dos lamentos mentais.
- Não é Marcus. – dei de ombros. – Não é Marcus, não é James, não é John nem Josh. Não é Bella, NÃO É NINGUÉM! PORRA! – estourei, sentando-me de qualquer jeito na cadeira mais próxima. – Agora eu estou ferrado. Vou perder vocês, vou perder a banda e... – senti um nó se formar em minha gargante. – Vou perder Lua. Mais uma vez. Eu não vou aguentar perdê-la mais uma vez... – agora falava comigo mesmo, ignorando a presença dos meus amigos. Olhei no relógio. 23:55. Eu tinha 5 minutos.
- Cara, você acha mesmo que um estranho pode tirar você da gente? – Micael perguntou, chacoalhando meus ombros pesados. – Acorda pra cuspir, seu imbecil, não é assim tão fácil se livrar de você! – levantei meus olhos também pesados pelo cansaço mental. – Nós te amamos, dude, não vamos sair do seu lado nunca! Estamos te ajudando com essa pessoa só porque não queremos ter ver mal, mas independente do que ele ou ela possa dizer, não vai mudar a nossa amizade!
- Pára de viajar, Aguiar. – Harry concordou.
- O máximo que pode acontecer é você passar por algum tipo de humilhação social. Mas quem se importa com todos esses imbecis? – Chay perguntou, apontando com a cabeça para as pessoas que dançavam no salão. Olhei para eles, desolado, e pude ver Sophia, minha Sô, toda feliz e saltitante. Vi Mel, indo até o chão de brincadeira, e ao seu lado vi Michele, rindo da idiotice das amigas; e, no meio delas, estava Lua dançando, animada.
Lua cruzou seu olhar pelo meu e sorriu, mandando um beijo para mim. Sorri fraco. Não tinha mais forças para fingir que tudo estava bem.
- Você gosta mesmo dela, não é? – Ryan perguntou, baixo o suficiente para que só eu pudesse ouvir. Micael, Harry e Chay conversavam sobre novas suspeitas, mas nada mais me importava. Eu só queria que tudo acabasse logo, para poder me afundar de vez no meu infortúnio.
- Mais do que você pode imaginar. – respondi.
- Ela é mesmo especial pra prender um cara como você. – ele disse, sorrindo abobado, olhando para a irmã.
Especial.
É. A partir daquele momento, aquele seria meu adjetivo para me lembrar da melhor época da minha vida.Especial.
- Boa tarde, formandos. – ouvi a voz distante do diretor. Afundei meu rosto em minhas mãos. Só me restava esperar. – Estão aproveitando o baile?
Os vários "sim" pareciam distantes pra mim. Tudo parecia distante pra mim naquele momento.
- Então vamos contar até 10 para a meia-noite, onde vocês estarão formalmente formados! – ele riu da própria piada, tentando ser um diretor "cool", embora todos soubessem que ele era um idiota de marca maior.
Os gritos ecoaram por todo o lugar, invadindo minha pequena cabana de cabelos e braços.
- 10! – ele gritou.
“9”
“8”
“7”
“6”
“5”
“4”
“3”
“2”
“1...”
Ouvi alguns chiados no sistema de som, e logo uma voz estridente soava por todo o salão, com os protestos do diretor ao fundo.
- Arthur Aguiar, está me ouvindo? O baixista do McFLY consegue me ouvir? Ou melhor, consegue ver seus amigos daí? Consegue ver o amor da sua vida daí? Então aproveite o momento, porque depois do que eu vou falar, você não vai vê-los por um bom tempo. Ou eles que não vão querer te ver... – a voz disse, e eu levantei minha cabeça, olhando para o palco. Quando meus olhos se focalizaram, vi todo o salão me olhando. Vi Lua com uma expressão de dor, e vi minhas amigas olhando assustadas para mim. Depois olhei para o palco e vi. Vi quem estava disposto a destruir minha vida. Mais do que disposto. Vi quem estava sentindo um prazer imenso em estar acabando com tudo que eu mais amava.
A primeira coisa que veio em minha cabeça foi: "Não pode ser."
Simplesmente não podia ser!
O Gossip era...








                                                        121
Thur fala:

- Katy Springs? – murmurei comigo mesmo. – Katy Springs? – repeti, como um disco riscado. Mas eu não conseguia entender. Por que diabos Katy Springs estava querendo acabar com a minha vida? Eu nem a conhecia direito! Eu só sabia que no começo do ano ela estava com Harry, e que ela era a garota mais peituda do colégio.
Então, de repente, como se estivessem ali o tempo todo, flashes invadiram minha cabeça.

“Então, um belo dia, uma menina que Harry estava ficando – Katy Springs, a eterna peituda – mandou uma foto para uma amiga de John beijando duas meninas. Mas ela errou o endereço – ou não – e mandou para Harry, que achou a foto tão engraçada que postou-a no blog.”

Ela que havia começado com tudo. Ela tinha um plano perfeito.

“Pista 1 – Você conversa comigo quase todos os dias. Nós somos até que próximos. De um jeito diferente, mas somos.”

Lembro-me de que sempre conversava com ela, pois tinha pena pelo jeito que Harry havia acabado tudo. Com uma mensagem pelo celular.

“Pista 2 – Quando voltar da Argentina, estará mais próximo de saber quem eu realmente sou! Mas não pense que se livrará de mim por lá. Eu estarei na sua cola!”

Katy havia pego Ben. Ben era o seu informante da Argentina!
Lembrei-me da conversa que as meninas tiveram sobre Ben logo que pousamos na Argentina. Eu parecia estar prestando atenção nos guys, mas estava com o ouvido nelas.
"Fiquei sabendo que sua última vítima foi Katy Springs!", Mel disse.
"... A eterna peituda!", as quatro riram.

“Pista 3 – Não se engane. Às vezes as pessoas não são nada do que você acha que são! Fique ligado, existem os vencedores e os subordinados!”

Naquela época, cheguei a pensar que Ben fosse o Gossip. Mas ele era só um "empregado". Era ela quem comandava tudo.

“Pista 4 – Estou com saudades! Quem sabe a gente não se esbarra por aí, tanto na escola quanto nas festas... ? Fique esperto com todos à suavolta, algum deles pode ser eu.”

A festa de Marcus! Nós havíamos perguntado à ela onde Lua estava!
"A Lua tá aí?", Harry perguntou.
"Tá lá em cima", Katy respondeu, visivelmente tensa, fugindo de nós logo em seguida.

“Pista 5 – Foi bom encontrar você! Bom, resolvi antecipar as coisas... O baile de primeiro de Setembro está chegando! Se até lá não descobrir quem eu sou... Já sabe o que vai acontecer, certo?”

Lembrei-me de trombar com Katy no último churrasco em que fomos.
Eu passei correndo pelas pessoas, mas esbarrei sem querer em alguém. A garota, que reconheci pelos peitos como sendo Katy Springs, sorriu de atravessado pra mim, e eu a ignorei!

“Então, quem eu sou!? Homem ou mulher? Alto(a) ou baixo(a)? Gordo(a) ou magro(a)? Peituda ou gostoso?”

E essa foi a cartada final.Peituda ou gostoso?
Meu Deus, como eu não havia percebido antes!?
Estava ali na minha cara todo esse tempo e eu não havia me ligado. Nem eu nem ninguém. Porque, afinal, Katy era só mais uma no cenário escolar. Ela não era nada demais. Uma peituda gostosona no máximo.
Só uma coisa não se encaixava: o que ela tinha contra mim?
Ela deveria estar brava com Harry, não comigo!
O que diabos eu havia feito pra ela!? Eu sempre fora simpático com ela!
- Katy Springs? – os sussurros começavam a se espalhar pelo salão. Depois se transformaram em vozes altas, e o burburinho começou.
Eu não conseguia falar nada, enquanto olhava para aquela baixinha peituda, em pé no palco, segurando o microfone com firmeza. Ao meu lado, os guys pareciam estar na mesma. Nenhum deles se mexia, temendo que com isso pudessem desencadear a terceira guerra mundial.
Então ela recomeçou a falar, e o salão ficou quieto novamente, como se estivesse rolando um funeral, e não um baile de formatura.
- Boa noite, Colégio Norbert. – nenhuma resposta, e ela continuava a sorrir, um sorriso maligno e debochado. Isso me fez tremer por dentro. – Como vocês já devem estar suspeitando, eu sou a Gossip. Fui eu quem atualizou o blog todo esse tempo. Eu quem tirei as fotos, e quando não pude estar presente, Ben as tirou por mim. Ah, ele não pôde comparecer hoje pois está na Alemanha, mas mandou um beijo para todos vocês! – ela falava como se fosse a coisa mais normal do mundo. Até o diretor prestava atenção em Katy. – E como vocês já devem estar sabendo, a pessoa que deveria me revelar, não conseguiu. Essa pessoa é Arthur Aguiar, que está parado ali atrás com a maior cara de idiota do mundo! – ela riu, e muitos rostos se viraram para me observar melhor. Por puro nervosismo, dei dois passos para frente. Não conseguia mais olhar para ninguém, a não ser Katy Springs, com seu vestido decotado, azul, seu cabelo caindo em cachos pelas costas, sua flor branca presa à mão, e seu sorriso diabólico. – Sabe, ArthurAguiar sempre foi uma lenda urbana. Ele sempre foi... – ela colocou a mão no queixo, pensativa. Seus olhos queimavam minha pele. – Perfeito. – seus lábios destilaram, sentindo prazer em me torturar.
Ela se virou e começou a mexer em um controle, ligando alguma coisa atrás de si. Eu permaneci imóvel e mudo. Ouvia a respiração dos meus amigos, atrás de mim, mas estava aterrorizado demais para ver o que eles estava fazendo.
Eu estava me perguntando mentalmente o que ela sabia sobre mim que poderia me ferrar tanto assim... Até aquele momento não havia pensando nisso! Quero dizer, eu tinha a ficha limpa! A não ser por... Mas ela não seria capaz de contar aquilo, seria? E como ela poderia saber sobre aquilo!? Impossível... Mais que impossível, impossível e improvável! Ninguém seria capaz de ser tão cruel ao ponto de usar aquilo para ferrar com a vida de alguém...
Será que Katy seria tão cruel assim!?
De repente, lembrei-me da ligação no meio da noite. Depois do show do DellRay, no dia em que Lua descobriu que o pai estava voltando com o irmão... Passei mentalmente todas as casas da rua: o casal com os dois filhos, a senhora com 20 gatos, Marcus, o cara separado que morava sozinho, o casal com três filhos pequenos e John. John e Marcus estavam descartados. O casal com três filhos pequenos também... O cara separado que morava sozinho também, porque eu sabia que ele não tinha filhos. Só sobrava a velha com os 20 gatos... Forcei minha cabeça, tentando me lembrar das muitas fofocas que ouvira de Katy Springs. Era muito burra, odiava a cor verde, pegara 13 caras em uma mesma noite, morava com a avó louca... A avó louca! Então era aquilo!
Mais uma vez me pegava pensando: "Como eu pude ser tão cego?"
O telão da quadra desceu, e imagens começaram a aparecer.
Será que ela teria o sangue frio de usar aquilo que eu pedia a Deus que não usasse?









                                                   122

Lua fala:

Katy Springs? A eterna peituda?
No way!
Agora sim o mundo estava de ponta cabeça! Por que, quero dizer, a Katy? A inofensiva e burrinha Katy Springs? Que comia com o grupo de teatro e ouvia Beyoncé o dia inteiro? Essa Katy Springs?
O que ela poderia querer com Thur? Além da sua conta bancária? Porque, convenhamos, ele sempre fora gentil com ela, principalmente depois que Harry dera um pé em sua bunda! Então por que diabos ela estava ali, com um sorriso parecido com o de Lúcifer no rosto?
Aquilo tudo era culpa do Harry. Ele ia ver só quando chegasse em casa!
Um estalo alto invadiu meus ouvidos, e o salão escureceu. Olhei para cima, e uma tela piscava, como um grande cinema macabro.
Olhei para trás e Thur continuava estático, em choque.
Homens...
Preciso admitir que ao mesmo tempo em que eu não queria que nada ferisse Thur, estava curiosa para saber o que aquela criatura diabólica poderia dizer sobre ele que mancharia sua reputação. Como ela mesma dissera, ele era perfeito, não tinha defeitos, não tinha um passado ruim... Então o que poderia ser?
- Esse é o Thur que vocês conhecem. – ela murmurou, e imagens dele começaram a rodar, ao som de Don’t Stop Me Now do Queen. Ele dançando no palco da escola, no pré 1. Ele pulando de felicidade ao ganhar o campeonato de basquete na sétima série. Ele pulando de cueca na piscina de Britanny, ao encher a cara no primeiro churrasco da oitava série. Ele tocando no show do DellRay, com uma calcinha na cabeça. Ele dançando no intervalo com Chay, Micael e Harry. Ele no Barney’s, jogando batatinha frita em todos nós. Então a música mudou, para Miserable At Best do Mayday Parade. E mais fotos começaram a aparecer. Fotos minhas e dele. Fotos íntimas, de nossa viagem à praia, de nossa viagem à Argentina, de todas as idas ao Barney’s, de nossas zoeiras na casa deles... Fotos antigas, fotos atuais.
- Esse é o queridinho do Colégio Norbert. O garota que conquistou a menina mais bonita de toda a escola! Esse é o perfeitinho, o fofinho, o sensívelArthur Aguiar! – ela piou, enraivecida. Então, mudando o tom de voz para felicidade pura, continuou: - Mas vocês sabiam que o nosso Thur tem uma irmãzinha? – perguntou no microfone, em sintonia com a nova imagem que aparecia. Na foto, Thur, com uns 13 anos, abraçava uma garotinha, de uns 9, muito parecida com ele. Os dois sorriam para a câmera, e pareciam bem ligados. Olhei para trás, intrigada, e os guys pareciam compartilhar meus pensamentos. Procurei Thur, e o encontrei, mas ele não percebeu meus olhos em cima dele. Sua boca tremia e seus olhos estavam muito vermelhos. Senti um nó na garganta, no mesmo instante em que Katy voltava a falar. – Provavelmente ele nunca falou sobre ela a ninguém, pois a pequena Joana está em coma há dois anos. – disse, como se fosse a coisa mais normal do mundo. – E por que ela está em coma? É uma boa pergunta... E acho que vocês tem todo o direito de saber! – exclamou, como uma criancinha feliz. E, dito isso, o telão deu mais um estalo, e um vídeo começou a rodar.
No começo as imagens estavam desfocadas, e só se ouviam vozes embaralhadas e sirenes. Depois, a imagem ficou nítida, e só se via fumaça. Uma ambulância passou na frente da câmera, dispersando a fumaça, deixando amostra os restos mortais de um carro preto, batido de lado em um poste, que caíra sobre ele.
"O que aconteceu aqui?" a pessoa que filmava, um homem, perguntou a uma senhora do seu lado, de cabelos grisalhos e uma expressão preocupada no rosto.
"Foi um garotinho. 15 anos... Ele saiu ileso, graças à Deus! Já a irmã, coitadinha... Só 11 anos! Quebrou três costelas e bateu a cabeça. Suspeita de traumatismo craniano, pelo o que falou o paramédico que a retirou do carro. Foi direto pra UTI, estava desmaiada..."
"Que história horrível!" uma mulher exclamou, ao fundo.
O homem que filmava deu zoom nos estilhaços e no ferro retorcido, que antes fora um carro. O lado do motorista estava levemente amassado, mas o lado da carona fora destruído pela pancada, e a parte de trás do carro fora amassada pelo poste, que caíra em cima. Era como um desenho, um quebra-cabeça. Se mais pessoas estivessem no carro, todas estariam feridas, ou mesmo mortas, menos ele. Ele fora salvo, sem nenhum arranhão. A imagem com zoom mudou de foco, para um garotinho enrolado em um cobertor cinza. Quando ele se virou para o lado, todos viram que era Thur. Ele chorava silenciosamente, e seu pai o abraçava pelo ombro, enquanto falava com os policiais.
O telão escureceu e clareou de novo. Dessa vez, fotos felizes. Thur e sua irmã, abraçados, na piscina, jogando travesseiros um no outro, tudo ao som do silêncio. Quando percebi, lágrimas escorriam por meu rosto.
Depois, as fotos felizes foram substituídas por fotos da garotinha na UTI. Seus cabelos loiros estavam desbotados, sua pele amarelada. Estava magra, com tubos enfiados por todo o seu corpo. Não era, nem de longe, e menina feliz das fotos anteriores.
A última foto foi uma de Thur gargalhando. Embaixo, uma legenda: "Perfeito ou assassino?"
O salão ficou claro novamente, e eu cobri meus olhos, não acostumada com a claridade. Quando meus olhos finalmente pararam de lacrimejar, olhei para Katy, que sorria, serena, enquanto todos continuavam calados. As respirações viraram uma só. Os corações batiam como um só. E todas as mentes tinham a mesma pergunta: Por que Thur nunca contara aquilo?
Eu estava desapontada. Não por ele ter causado o acidente, era claro que aquilo não havia sido sua culpa. Talvez fosse sua culpa ter pego o carro sem carta ou autorização, mas o destino era assim mesmo. O que tivese que ser, seria. Mas eu estava desapontada por ele não ter me contado. E mais ainda, por ele ter aguentado calado todos os meus lamentos, quando o que ele tinha guardado era mil vezes pior. Por ele não ter confiado em mim, por ele não ter dividido comigo sua angústia... Era por isso que eu estava desapontada.
- E aí, Aguiar, não tem nada pra falar? – Katy perguntou, rindo.
Continuei de costas; não conseguia encará-lo. Não por achar que ele era um assassino, mas por me sentir péssima por ele. Por ele estar passando por tudo aquilo sozinho.
O salão continuou em silêncio por alguns segundos. E no instante seguinte, ouvi uma batida de porta se fechando. Quando finalmente olhei para trás, Thur não estava mais ali.
- Acho que alguém não encara muito bem a verdade... – ela deu de ombros, desligando o telão despreocupada. Então se ajeitou, arrumando a postura, e sorriu. – Bom, agora que eu já fiz o que disse que faria, e agora que o blog acabou, não preciso mais me esconder, e esconder o que eu sempre senti. – então ela desceu os degraus do palco e caminhou despreocupada entre as pessoas, ainda com o microfone nas mãos. O salão ainda estava em silêncio, absorvendo as últimas informações. Eu sabia que se não sentisse que mais algo estaria por vir, estaria correndo atrás de Thur, mas eu precisava saber o motivo pelo qual Katy Springs havia feito tudo aquilo.
- Por que você fez isso? – me ouvi gritar no meio do salão. Não sei de onde veio a minha voz, só sei que ela saiu, sem mais nem menos, como se não pudesse esperar mais dois segundos. – Por que diabos você fez isso? Você sente prazer em humilhar e magoar alguém assim? Você é sádica ou algo do tipo?
Katy, que andava tranquila por entre as pessoas, que a olhavam sem expressão, se virou para mim, sem desfazer o sorriso.
- Que bom que você perguntou, Luinha! - exclamou, como se fóssemos velhas amigas. Deu cinco passos em minha direção, e, quando percebi, ela segurava meu braço, próxima demais. – Eu espereva que fosse você a primeira a perguntar isso... No fundo, eu queria que fosse você. – disse, mostrando os caninos afiados.
- O que você quer dizer com isso? – perguntei, e senti a presença das minhas amigas logo atrás de mim.
- Quero dizer que eu estava me preparando para isso há muito, muito tempo... – ela murmurou, e o sorriso desapareceu. Seu rosto agora era calmo e... Expressivo. Intenso. E eu estava ficando com medo... Será que aquele era seu objetivo? Matar a patricinha no baile de formatura, tipo Carrie, a Estranha? Ou era simplesmente seu jeito de torturar as pessoas? Fazendo aquela cara de louca sob o efeito de calmantes. – Na verdade, eu me preparo para isso há 5 anos, quando descobri que estava apaixonada por você, Lua.
Comecei a rir no mesmo instante em que ela falou aquilo. Ela poderia ser uma louca, mas aquela piadinha fora mesmo engraçada.
Então olhei direito para ela, que permanecia séria.
Espera aí... Ela... Não... Hã!?
- É brincadeira, não é!? – perguntei, dando um passo para trás, me livrando de seus dedos gélidos. Um lampejo de dor atravessou seu rosto bem composto, quase que uma máscara caindo.
- Claro que não! – exclamou, nervosa, pela primeira vez mostrando sinais de que era um ser humano. – Por que você acha que eu fiz tudo isso? Por que eu sou sádica? Fiz por amor, Lua! Por amor!
Eu estava pasma.
Aquilo tinha que ser uma pegadinha! Eu tinha quase certeza que Ashton Kutcher iria pular do bar e gritar "You’ve been Punk'd!" pra mim, ou que o Serginho Malandro fosse descer do palco e gritar "Pegadinha do Malandro!" [N/A: HAHA, não aguentei, tinha que usar o Serginho Malandro, ele é divo!]. Então esperei um pouco em silêncio.
Mas quando percebi que não, aquilo não era uma brincadeira – depois que ficamos nos olhando quase que um minuto inteiro em silêncio – balancei a cabeça, abobalhada, sem saber o que dizer ou o que fazer. Então eu recomecei a rir.
A rir. Gargalhar!
Não que aquela situação fosse engraçada, longe disso... Era só que, o quão bizarro era ser hetero e ter uma mulher gostando de mim? Nada contra lésbicas, longe disso, mas eu, definitivamente, não gostava da fruta. Como ela poderia pensar, depois de todos os caras que eu já fiquei e namorei – não que fossem muitos, mas os poucos foram polêmicos – que eu fosse abrir os braços e murmurar "me beija"? Ainda por cima depois de tudo que ela havia feito com Thur!?
- Você... Eu... – gaguejei, desnorteada.
- Nós! – ela falou, sorrindo mais do que o normal. – Agora nós podemos esquecer o “você” e “eu” e só falar “nós”, meu amor!
Olhei bem para ela. Olhos grandes e castanhos, cabelos castanhos, ondulados até os ombros, maçãs do rosto rosadas, bochechas grandes, cílios compridos, rosto gordinho de criança, vestido azul, mostrando as pernas e o decote volumoso, unhas feitas e salto alto. Era uma pena... Se ela não tivesse feito tudo aquilo com o meu Thur, poderíamos ter sido amigas.
Mas já que ela o fizera, não me arrependi de ter feito o que eu fiz. Qur foi virar um tapa em seu rosto angelical com toda a minha força.
Sabe, depois de muito tempo, eu percebi que eu dera um tapa forte demais. Quero dizer, as gengivas delas sangraram. E isso pode ser chamado de um tapa forte.
- Eu não ficaria com você nem se você fosse homem! Nem se você fosse o último homem na face da Terra! – gritei, tremendo de nervosismo. – E nunca mais se meta comigo ou com as pessoas que eu amo!
Katy parecia irada, mas não se mexeu. Só ficou me olhando, com a mão no rosto e uma expressão indecifrável. Dei minhas costas à ela, batendo com meu cabelo em seu rosto. Passei pelas meninas e pelos guys, e eles fizeram menção de me seguir, mas eu os impedi, lançando um olhar que eles entenderam no mesmo instante.
Precisava ficar sozinha com Thur. E sabia muito bem para onde ele tinha ido.
Mas antes de sair, pude ouvir a explosão de palmas e gritos. E depois o coro: “Lua! Lua! Lua! Lua!”.
Mais tarde, quando tudo havia passado, as meninas me contaram que Katy foi vaiada e saiu chorando, gritando que iria se vingar de todos nós.
E aquela noite ficou marcada para sempre como "O baile da Gossip".








                                                  123
Thur fala:

Estava frio, mas era como se eu não sentisse. Estava molhado, mas era como se eu não me molhasse. Estava escuro, mas mesmo se estivesse claro, eu não enxergaria. Tudo isso me torturava, mas naquele momento, dor era tudo o que eu mais queria. Eu queria sofrer, sofrer, sofrer e depois morrer, lenta e dolorosamente. Era o que eu merecia. Era o que Deus deveria ter feito comigo, mas por algum motivo, não o havia feito.
Eu era uma péssima pessoa.
Por mais que eu tentasse, por mais que eu parecesse normal e feliz para as outras pessoas, não se passava um dia sem que eu pensasse nela.Joana. Minha irmãzinha, minha melhor amiga, que agora estava em coma havia 2 anos, e a culpa era toda minha.
Era por isso que meus pais se mudaram para o interior, me deixando sozinho com mais três adolescentes. Era por isso que eu nunca ia visitá-los. Porque, por mais que eles falassem que haviam me perdoado, eu não me perdoara.
Claro que todo mês eu ia visitar Joana. Às vezes ia duas vezes por mês, quando sentia muito sua falta. Mas sempre dava uma desculpa boa por meus sumiços de 3 ou 4 horas.
Passar esse tempo com minha irmãzinha era o melhor do meu mês. Ver que ela continuava ali, mesmo que só em corpo, me acalmava, me mostrava que nem tudo estava perdido. Me dava esperanças de que ela iria acordar e me perdoar. Pois eu sabia que só seria eu novamente quando ouvisse da boca da minha irmã que ela não guardava rancores e que ainda me amava.
Eu sempre contava sobre o mundo, sobre mim, sobre meus amigos, sobre minhas amigas, sobre a banda, sobre Lua... Na verdade, nos últimos tempos, era somente sobre ela que eu falava. Pedia conselhos, contava histórias, desabafava... E mesmo sabendo que não obteria resposta, saía de lá com a cabeça mais aberta para tomar decisões.
Agora que estava me sentindo péssimo, me perguntava o que Lua pensaria de mim, depois de ter descoberto o que havia acontecido com Joana. Será que algum dia ela me perdoaria?
Será que algum dia alguém me perdoaria?
Achava difícil. Principalmente pela reação deles. Quero dizer, ninguém olhou na minha cara, nem mesmo para mostrar o quão irados estavam comigo.
Joguei uma pedrinha no azul claro da piscina, e pequenas ondinhas espalharam-se até a borda. Coloquei os braços atrás do pescoço e me deitei na grama salpicada de gotas do sereno. Estava na casa abandonada, a mesma em que um dia consolara Lua. Jogara a pedrinha na mesma piscina em que entramos só com as roupas íntimas. Eu estava ali, onde passara um dos melhores momentos da minha vida, quando um dos piores estava acontecendo.
Nada. Era o que eu queria sentir. Nada.
Ouvi um barulho de "clic", mas não me importei. Pensei que fosse algum animal ou o vento espalhando as folhas.
Fechei os olhos, tremendo de frio.
Era diferente o frio que eu sentia. Me lembrava de que eu ainda estava vivo, mas isso doía tanto que eu gostaria que parasse até de tremer. Era como se minha alma estivesse fora do corpo. O frio era intenso, mas minha dor interna era maior.
Então eu senti calor. Um calor fraquinho, mas era o suficiente para me fazer parar de tremer. Depois de quase meia hora sofrendo, não sabia se agradecia ou xingava por estar sentindo novamente minha pele.
Abri os olhos lentamente e percebi o porquê do calor. Estava enrolado em um cobertor felpudo.
Da onde tinha vindo aquilo?
- Confortável? – uma voz angelical e conhecida perguntou. Sabia quem era, mas preferia acreditar que era um anjo.
- Por que eu? Por que não algum assassino, algum estuprador? Por que logo a minha roda tinha que estourar? Por que eu tinha que acabar com a vida da minha irmãzinha? – perguntei, imaginando que falava com um mensageiro, e que essas perguntas seriam diretamente entregues a Deus. – Por que não eu? Por que eu não entrei em coma no lugar dela? Por que eu saí ILESO? POR QUE EU NÃO MORRI, PORRA?
As lágrimas que eu segurava há tempos, rolaram quentes por minhas bochechas, acabando salgadas em minha boca. Algumas persistentes, escorriam até o queixo e se desmanchavam. Eu sempre tivera vergonha de chorar, na verdade, podia contar nos dedos os momentos em que chorei em minha vida. E aquele era um deles.
Levantei-me, deixando o cobertor no chão e encontrando os duros olhos de Lua, que me fitavam sem compaixão. Ao vê-la, sentada na mureta, descabelada da corrida, segurando a barra do vestido e os saltos na mão, senti vontade de sorrir. Mas não consegui, principalmente pelo jeito que ela me olhava. Fria. Mais fria que o vento que bagunçava nossos cabelos.
- Eu não sou Deus, Aguiar. – ela disse, daquele jeito desprezível, como se meu sobrenome tivesse 20 sílabas. – Eu não posso responder nenhuma dessas perguntas, e, mesmo se pudesse, não responderia. O que aconteceu, aconteceu sem motivo, era pra ser. Mas não era motivo suficiente pra você esconder dos seus amigos! – ela exclamou, saltando da mureta e ficando de frente para mim, segurando minha mão. Um choque percorreu minha espinha com seu toque. – Não era motivo pra esconder de mim, que sempre te contei tudo! Você sempre me apoiou, Thur, por que achou que comigo seria diferente? Achou que eu iria te julgar errado? Todas as pessoas daquele salão sabem que esse acidento foi um horrível erro, a culpa não fo...
- Não. – cortei-a, soltando nossas mãos entrelaçadas. – Não diga isso, por favor. Não diga que a culpa não foi minha. A culpa foi toda e exclusiva minha!
- Não, Thur, não foi! – ela piou, exaltada. – Você está se culpando por uma coisa que aconteceu sem querer! E, se continuar assim, vai se tornar uma pessoa amarga! Você tem que se perdoar, porque a culpa não foi sua!
- NÃO FOI MINHA CULPA? – gritei, explodindo. – NÃO FOI MINHA CULPA? NÃO FOI MINHA CULPA PEGAR O CARRO ESCONDIDO, COM 15 ANOS E SEM CARTEIRA? NÃO FOI MINHA CULPA USAR MINHA IRMÃ COMO PILOTO DE TESTE? NÃO FOI A PORRA DA MINHA CULPA PEDIR À JOANA QUE TIRASSE O CINTO PARA PEGAR MEU PORTA CD NO BANCO DE TRÁS? NÃO FOI MINHA CULPA, LUINHA, ESTAR MEXENDO NO RÁDIO QUANDO BATI A RODA NA GUIA? – me senti mal por estar gritando com ela, que não tinha culpa nenhuma. Mas não conseguia me controlar. Ela estava com aquela expressão. Com os lábios contraídos e o corpo rígido, segurando o choro. Eu estava prestes a fazê-la chorar, mais uma vez. Mais uma vez estava magoando a única pessoa que sempre estivera ao meu lado.
Qual era o meu problema, afinal?
Continuei gritando, gesticulando, e tinha quase certeza que algumas lágrimas rolavam pelo meu rosto.
- VOCÊ NÃO ENTENDE! VOCÊ NÃO SENTE O QUE EU SINTO! VOCÊ NÃO SOFRE TODOS OS DIAS, MINUTOS E SEGUNDOS DA SUA VIDA! – parei para respirar um pouco, e tentar me acalmar, porque seu lábio quase não aparecia, de tão contraído que estava. Respirei fundo e contei mentalmente até 10. Quando estava no 7, ela colocou as duas mãos em meus braços, de um jeito carinhoso, e isso me amolou um pouco. – Você nunca entenderia,Luinha... – suspirei, passando a mão direita pelo rosto, ainda com seus dedos em volta do meu braço esquerdo. Limpei as lágrimas com a manga da camisa. – E eu posso entender se não quiser mais falar comigo. Afinal de contas, eu sou mesmo um assassino.
Eu era um assassino, sem amigos, amigas, sem banda e sem namorada.
O mundo dá voltas...









                                                                 124
Lua fala:

- Perdoar você? – perguntei, horrorizada. Ele abaixou a cabeça. – Como você pode chegar a pensar em uma coisa dessas, Thur? Como eu posso te perdoar!? – ele fechou os olhos, e duas lágrimas apostaram corrida por seu rosto. Mas ele estava sério e concentrado, quase como se estivesse se acostumando com a ideia. – Como eu posso te perdoar se não tenho motivos para estar brava com você?
Ele levantou o rosto. E o que veio a seguir foi inesperado.
Ele me abraçou, chorando.
Mas não um choro de macho. Era um choro de soluços, sofrido e aliviado ao mesmo tempo. Seu corpo tremia, sua cabeça estava escondida em meu pescoço e ele segurava com força minha nuca.
Ficamos um bom tempo abraçados. Eu passava as mãos por suas costas, deslizando-as pelo tecido fino de sua camisa, e ele amassava meu cabelo em minha nuca, soluçando. Eu não achei constrangedor. Era claro que um dia ele iria estourar, chorar ou gritar, e fiquei feliz por ele estar fazendo aquilo comigo. Sabia que em mim ele confiava, e a melhor coisa do mundo era ter sua confiança.
Depois de algum tempo, ele parou de chorar, e o abraço ficou menos apertado. Sua cabeça começou a se desencostar do meu ombro, suas mãos se soltaram um pouco do meu cabelo, eu parei minhas mãos em sua cintura, e quando seu rosto entrou em meu campo de visão, sorri para ele, que retribuiu o sorriso.
- Obrigado. – murmurou, com a testa encostada na minha.
- Pelo quê?
- Por existir. – e, dito isso, ele me beijou. Me segurou forte pela cintura e me colou em seu corpo. No susto e no reflexo, enfiei minhas duas mãos com força entre seus cabelos, e o puxei para trás. Encostamos na mureta, ficando ofegantes com o beijo feroz e inesperado.
Thur abaixou a mão para minha coxa, apertando-a, me fazendo soltar um suspiro alto. Com habilidade, puxou minha perna para cima, encaixando-a entre suas próprias pernas. Espalmei as mãos em seu peito definido, e ele fez o mesmo, apertando meus seios por cima do vestido. Gemi baixinho, mordendo seu lábio inferior.
Mão vai, mão vem, e ele parou o beijo subitamente.
- Lua, desculpe... – pediu, ofegante. – Sei que esse é o pior momento para dizer isso, mas não dá! Esses amassos acabam comigo... – murmurou, envergonhado, olhando para baixo. Segui seu olhar, e encontrei um volume suspeito em sua calça. – É claro que eu vou esperar, você sabe disso, só queria pedir pra você pegar leve, isso não é fácil pra mim também, e...
- Vamos para casa? – perguntei, interrompendo seu monólogo de bicha. Passei a mão em seu ombro e sorri, marota.
Era agora ou nunca!

Thur fala:

Era agora ou nunca!
O momento pelo o qual eu esperei ansiosamente desde que conhecera Lua. O momento que pedia a Deus sempre que podia! O momento que sempre dizia à Joana que seria perfeito! O momento que eu passara todas as noites daquele ano em claro, imaginando como seria!
O melhor momento da minha vida!
- V-você e-está falando s-sério? – gaguejei.
- Estou.
- E você está 100% certa disso?
- Estou! 100% certa disso! – ela piou, sorrindo. Parecia que todo o drama de 15 minutos atrás nunca existira. – Você é o cara certo pra mim! Eu nunca estive tão certa disso como eu estou agora! Mesmo que não dure para sempre, quero me lembrar de você pelo resto da minha vida! Eu queroisso! Meu Deus, eu quero muito isso! – essa última frase ela meio que gritou, mais para ela mesma do que para mim.
Depois de dizer isso, ela se aproximou de novo, e lambeu meu pescoço lentamente, terminando com uma mordida na almofadinha da minha orelha.
Ok. Estava confirmado: aquela garota me deixava louco!
- Certo, vamos! – exclamei, pegando-a pelas pernas e colocando-a em meu ombro. Ela soltou uma gargalhada, mas não reclamou.
Provavelmente eu nunca corri tão rápido como corri aquela noite. Minha casa – nossa casa – era somente a alguns quarterões dali, mas eu cheguei lá em alguns segundos! Parecia um louco correndo pela rua. Mas, naquele momento, eu estava mesmo louco. Louco para ter só para mim a garota dos meus sonhos.
Chegamos em casa em tempo record. Eu estava ofegante e suando, mas continuava elétrico.
Mal chegamos – ela ainda estava em meu ombro –, e recomeçamos a nos beijar. Coloquei-a no chão e abaixei as alcinhas finas do seu vestido. Mas antes que eu pudesse perder o controle, parei de beijá-la.
- Me espera aqui! – ofeguei, disparando escada acima.
Se aquilo seria perfeito pra mim, teria que ser perfeito pra ela também.








                                                  125

Lua fala:
Sentei-me no sofá, tombando a cabeça para o lado, mexendo a perna freneticamente.
Eu queria aquilo! Eu queria aquilo demais!
Por que ele estava demorando tanto? Por que ele estava me torturando daquele jeito? Por que eu o havia torturado por quase um ano? Era por isso?
Pelo meu nervosismo, dava pra perceber o quão necessitada eu estava.
- Aguiar! – gritei, passados 15 minutos naquela angústia. – Eu não pretendo mudar de ideia, mas prefiro que aconteça nesse mês ainda!
Ouvi barulhos altos e um "ai caralho!" de lá de cima. Depois senti a escada tremer e logo ele estava do meu lado.
- Pronto! – ele meio que gritou, me pegando pelas pernas e ombros, me carregando no colo. Ri da situação, enquanto subíamos a escada correndo. Quero dizer, ele corria comigo no colo, enquanto eu ria.
Quando chegamos à porta do seu quarto, ele deu um chute para abrí-la, correu até a cama e me jogou de brincadeira, subindo por cima de mim. Começou a beijar meu pescoço e morder minha orelha, me arrepiando.
Até o momento, mantinha os olhos fechados. Mas os abri, curiosa para ver o que ele havia feito em todos aqueles 15 minutos.
Fiquei paralisada.
O seu quarto estava impecavelmente limpo. Sem meias e cuecas no chão, sem portas dos armários abertas, sem caixas de pizza em cima das coisas, sem manchas de cerveja no chão, sem absolutamente nada que envolva a palavra "sujo" ou "desorganizado".
Abri a boca.
Thur, ao ver minha surpresa, descolou o corpo do meu, se apoiando nos braços para não me machucar.
- Você não gostou? – perguntou, com a expressão receosa. – Quero dizer, você sempre me pediu para arrumar o quarto, achei que gostaria de fazer isso em um quarto limpo.
Olhei em volta novamente, ainda com a boca aberta.
- Se você não gostou eu posso bagunçar, sem problemas... Eu só pensei que... – ele parou de falar, passando a mão pelos 
cabelos que caíam em sua testa, constrangindo. – Foi uma péssima ideia, não foi? – ele perguntou, ficando vermelho de 
vergonha.
- Thur, eu... – parei, mordendo o lábio inferior. Ia dizer que estava sem palavras, mas eu tinha as palavras certas para dizer 
sobre o que tinha achado da surpresa. Quero dizer, ele havia arrumado toda aquela bagunça – que não era pouca e que ele 
amava de paixão – só para me fazer feliz. Existe algo mais fofo que isso? – Eu amei!
Ele sorriu de lado, aquele sorriso maravilhoso que eu amava.
Joguei meus braços em seu pescoço, puxando-o para mais perto. Ele voltou a me beijar, como se não tivéssemos parado.
Conforme o beijo ia se aprofundando, mais quente o quarto ficava. E nossa conexão também, pois quando pensei que não 
fosse mais aguentar de calor, Thur começou a abrir o zíper do vestido nas minhas costas. Depois, abaixou as alcinhas, e eu 
comecei a sentir o tecido gelado deslizar pelos meus ombros, clavículas, barriga, coxas e joelhos, até despencar no chão, 
fazendo uma ponte em meus pés.
Thur parou um pouco de me beijar e se ajoelhou para me olhar. Seus olhos brilhavam.
Sorri envergonhada.
Pelo menos minha calcinha era vermelha, combinando com o sutiã, e não do Bob Esponja.
- Eu sei que eu já vi antes, mas você é tão linda... – ele murmurou, com a voz rouca.
- Obrigada.
Inclinei-me pra cima, abrindo sua camisa de cima para baixo. Ela permaneceu estático, enquanto eu abria um por um. 
Eu sentia que ele continuava a me olhar, mas não me importei. Pra dizer a verdade, gostava de saber que ele se sentia 
atraído por mim.
Acabei de abrir e coloquei a mão por dentro, para tirá-la, passando as mãos por seu peito e ombros. Ela caiu no chão, junto 
ao meu vestido, e eu voltei a me deitar, enquanto ele permanecia ajoelhado em cima de mim.
Observei seu peito definido, subindo e descendo conforme sua respiração. E aquilo tudo seria meu.
Só meu.
Obrigada, papai do céu, muito obrigada!
- Depois eu que sou linda... – murmurei, e ele gargalhou, voltando a se deitar em cima de mim. Novamente voltamos a nos 
beijar, e minha mão foi hipnoticamente para seu cinto. Abri com um pouco de dificuldade, mas ele estava tão absorto em 
abrir o fecho do meu sutiã que nem percebeu.
Abri sua calça ao mesmo tempo que ele tirava delicadamente meu sutiã; sua boxer era azul-marinha com estrelas 
branquinhas. Sorri com aquela visão.
Ele nunca iria mudar.
Thur distribuía beijos por todo meu colo, e eu sentia meus músculos se contraírem, intercalados.
Era uma sensação maravilhosa.
Ele desceu os beijos, passando por minha barriga e chegando na linha da minha calcinha. Ao chegar nessa última, eu pegava 
fogo.
- Posso? – perguntou, segurando o elástico entre os dedos, com uma cara de safado.
- Pode. – sussurrei, sem fôlego.
Ele a puxou para baixo, enquanto eu puxava sua boxer. Logo as duas peças de roupa restantes estavam fazendo companhia 
às outras no chão.
Thur inclinou-se para frente, abrindo a gaveta e pescando uma camisinha.
Fechei os olhos, enquanto ele a colocava.
O mundo parou.
E, no intervalo de um suspiro, aconteceu.
Ele me beijava, sem muita cordenação, e eu apertava suas costas, deslizando as unhas por sua pele macia como se fossem 
lâminas. Seu corpo se impulsionou para frente, suavemente, e a dor da primeira vez sumiu tão rápido quanto chegou.
Meus olhos permaneciam fechados, proporcionando uma percepção maior.
No começo, era só novidade, curiosidade, mas passados alguns minutos, virou desejo, prazer.
Ele saiu e entrou novamente.
Gemi.
Saiu e entrou mais uma vez.
Gemi mais alto.
Ele gemeu.
A cada segundo que passava, o prazer se intensificava. Chegou um momento em que eu jurei que seria impossível melhorar.
E melhorou.
Thur ia devagar, embora fosse visível que se esforçava para não aumentar o ritmo. O prazer só aumentava. Aumentava, 
aumentava e aumentava. Eu já estava cansada, mas não queria parar, nunca mais queria parar.
Então, num movimento involuntário, arqueei as costas, tirando as unhas de suas costas e segurando o colchão, pois tinha 
medo de machucá-lo, tamanha a força que fazia. Ele fechou os olhos e mordeu o lábio, reprimindo um gemido alto.
Finalmente, ele saiu e entrou pela última vez, e todos os músculos do meu corpo se comprimiram, me proporcionando a 
melhor sensação que eu já havia sentido. Gemi alto, e ele também.
Nossos corpos relaxaram ao mesmo tempo, e ele caiu ofegante para o lado.
Ficamos em silêncio, esperando a respiração voltar ao normal. Depois de algum tempo, já sem ofegar, Thur passou o braço 
por meu ombro, e eu me encaixei nele, nos cobrindo.
Não dissemos nada.
Não precisávamos.







                                                            126
Thur fala:

Não sei ao certo quando peguei no sono. Num instante estava observando Lua dormir em meus braços, nos outros sonhava com coisas completamente sem noção. Dormi, acordei, e a primeira coisa que pensei foi nela. Lua. E em como seríamos felizes a partir daquele momento.
De olhos fechados podia perceber que a luz invadia o cômodo.
- Boa di... – ia dizendo, quanto bati a mão no colchão vazio ao meu lado. – Lua? – chamei, abrindo os olhos e não encontrando ninguém ao meu lado. – Luinha? – tentei mais uma vez, alto o suficiente para que se ela estivesse em algum lugar na casa pudesse me ouvir.
Nada.
Deixei meu corpo tombar novamente na cama, fechando os olhos.
Como em algum momento cheguei a pensar que as coisas finalmente seriam fáceis para nós dois?
O meu celular tocou, me assustando um pouco.
Meu coração acelerou.
Podia ser ela, ligando para dizer que havia saído pra comprar pão ou algo do tipo, e que já estava voltando. Quero dizer, eu podia ser otimista, não podia?
Atendi sem ver quem era no visor. Não queria parecer desanimado ao atender quem quer que fosse.
- Alô? – murmurei, cruzando os dedos.
- Thur!? – a voz de Chay falhou do outro lado.
- Eu! – exclamei, frustrado por não ser Lua, com receio de que ele estivesse ligando para me expulsar da banda no primeiro dia de turnê e feliz por estar falando com meu amigo quando pensei que nunca mais o iria fazer.
- Cadê você, dude? Estamos te esperando no terminal com o busão da turnê! Você precisa ver, tem até geladeira e... – ao fundo, ouvi Micael gritar “Fala o que você tem que dizer, dude!” e Chay voltou à realidade. – E o Fedelso já está puto, cara, e você sabe como o Fedelso fica quando está puto.
Sabia. Ele ficava... Puto.
- Vocês... – hesitei, ao ouvir Fedelso gritar ao fundo “Não deixem as fãs ultrapassarem a barreira!”. – Vocês não estão bravos comigo?
- Bravos? Pelo o quê? – ele perguntou, e Harry gritou ao seu lado “Thur, vem logo, cara, eu juro que essas meninas vão invadir esse ônibus e me comerem, no sentido literal da palavra, e a Michele está ficando com medo!”.
- Por Joana... – sussurrei, e só a menção do seu nome me deixava com um nó na garganta. – E por ter escondido de vocês.
- Cara, esquece essa história. – ele disse. – Nós estaremos do seu lado independente do que acontecer. Pode ter certeza. E quanto à sua irmã, ela vai melhorar. Eu sei que vai. Todos nós acreditamos nisso. E, se não for pedir demais, você podia parar de drama e vir logo? Não dá pra fazer turnê sem baixista!
Respirei fundo, pulando da cama animado. Por um instante havia me esquecido do abandono de Lua.
- Obrigado, galera. – exclamei, mesmo que só Chay estivesse ouvindo. – Eu amo muito vocês! E chego aí em 5 minutos!
Joguei o celular longe.
Estava triste e feliz ao mesmo tempo. De repente, uma luz me invadiu, e eu entendi. Entedi por que ela havia ido embora. E era por isso que estava triste e feliz. Triste porque sabia que ela não estava mais ali por arrependimento. Mas não podia mais ir contra suas vontades, e estava feliz por isso. Aquele era o primeiro dia do resto de nossas vidas juntos, e eu esperaria por ela.
E ela sabia disso.
Me troquei e peguei minhas coisas. Coloquei tudo na Eco Sport de Micael e estava quase saindo de casa, quando me lembrei de pegar os óculos de sol.
Entrei e os encontrei do lado de uma folha em branco.
Destino?
Como um flash, tive uma ideia.
Procurei por uma caneta e, ao achá-la, escrevi o que sabia que a convenceria de que nós éramos pra ser. E se ela gostasse mesmo de mim – o que eu tinha certeza que sim – e voltasse para me procurar, rezava para que não fosse tarde demais quando ela lesse o meu bilhete.







                                              127
Lua fala:

Mais uma vez estava confusa.
Mais uma vez não sabia o que fazer.
Mais uma vez magoava Thur.
Por que eu não podia ser uma pessoa normal?
Estava sentada no banco do parque que ficava no final da rua. O Sol queimava minhas bochechas e esquentava meus ombros nus, cobertos por 2 alcinhas finas da minha regata branca.
Esfreguei meu All Star de couro também branco na terra, e a barra da minha calça skinny ficou marrom.
Olhei novamente para minha lista de prós e contras, que estava fazendo desde que saíra de casa, deixando um adorável e desfalecido Thur pra trás.



Olhei no relógio. Em meia hora Thur entraria naquele ônibus de turnê e só voltaria depois de 3 meses, levando consigo meus amigos e minhas amigas.
Fiquei mais um tempo olhando para o céu, sem pensar em nada.
Ou pelo menos tentando.
O negócio é que eu sabia que se fosse com Thur naquela viagem, ficaríamos juntos, ligados, para sempre.
E eu queria brigar e me desgastar pra sempre?
Olhei no relógio de novo. 23 minutos.
Respirei fundo. E baixou a inspiração.
Que tipo de pergunta era aquela? Era claro que eu queria continuar brigando com Thur, se isso me deixasse sempre perto dele!
Olhei de relance no relógio.
18 minutos!
Levantei já correndo. Só tinha fucking 18 minutos para corrigir a merda que tinha feito!
17 agora... !
Corri como nunca pela rua, onde algumas crianças corriam umas atrás das outras. Depois de quase derrubar 3 meninas e realmente derrubar um garotinho, cheguei em casa, esbaforida.
- Thur! – gritei escada acima, embora soubesse que ele já deveria estar chegando no terminal onde o ônibus da turnê estava esperando por eles. –Thur, você está aqui!?
Nada.
“Merda!” pensei, me apoiando no balcão da cozinha para respirar um pouco. Nesse movimento, acabei derrubando um pedaço de papel no chão. Agachei-me e o peguei. Estava dobrado no meio, escrito “p/ Luinha”.
Meu coração acelerou mais do que estava acelerado da corrida.
Abri o papel e li as 4 pequenas linhas escritas.

“Luinha,

Se mudar de ideia, estarei te esperando, seja onde for, seja como for. Vou te esperar pra sempre. Você é a mulher da minha vida.
It’s all about you, baby!

Thur.”

Apertei o papel contra meu peito.
Tinha menos de 10 minutos para reconsquistar o amor da minha vida.
Merda!









                                                        128

Thur fala:

- Cheguei! – gritei para Fedelso, depois de ultrapassar a multidão de fãs histéricas, que puxaram meu cabelo e roubaram minha blusa da Nike. – Vivo!
- Finalmente, Aguiar! – ele suspirou, aliviado. – Se esperássemos mais tempo, a barreira não aguentaria!
Coloquei as malas no chão, e Fedelso as pegou, levando para dentro do ônibus, que era o ônibus mais legal que eu já havia visto.
Vermelho e preto, gigante e com um McFLY escrito em letras garrafais verdes.
Da hora, dude!
- Então vamos? – Fedelso colocou a cabeça para fora do ônibus.
- Vamos! – exclamei, mas no fundo estava um pouco relutante. Olhei em volta, tentando ignorar os gritos de “Thur, casa comigo!” atrás de mim.
Ela viria. Eu tinha certeza que viria.

Lua fala:

- Pro Terminal, por favor, o mais rápido possível! – meio que gritei, me jogando dentro do táxi que parara para mim. – Se você chegar lá em 10 minutos eu te dou 100 libras! – o taxista arregalou os olhos e meteu o pé no acelerador.
No começo estava tudo livre, e eu tinha certeza que chegaria a tempo.
Até o táxi parar no maior trânsito da história dos trânsitos.
Não que eu soubesse algo da história dos trânsitos, mas como eu estava atrasada, pra mim era o maior trânsito do mundo.
- Ai, meu Deus, será que isso demora? – perguntei, entrando em desespero, só vendo um mar de carros na minha frente.
- Não sei, depende. O terminal é no final dessa rua, mas a rua é muito longa. – ele respondeu, assoviando junto com a música que tocava na rádio indiana que ele ouvia.
Enconstei-me no assento de couro, começando a suar.
“Merda, merda, merda!”

Thur fala:

- Não vai entrar, Thur!? – Sophia perguntou, colocando a cabeça pra fora logo que Fedelso a retirou. – Eu tenho quase certeza que essas meninas não estão brincando que querem se casar com você, e se alguma delas ultrapassar a barreira e você assinar um papel de casamento você está mais do que ferrado. – ela disse, sorrindo. Chay apareceu atrás dela.
- E aí, dude! Vamos ou não!? – perguntou, como se a história de Joana nunca tivesse existido.
Eu era muito agradecido por ter amigos tão maravilhosos como os meus.
- Sim, estou indo. – respondi, e os dois entraram.
Olhei em volta novamente.
Não tinha mais tanta certeza de que ela viria.

Lua fala:

- Pelo amor de Deus, vai pelo acostamento! – pedi, pela décima quinta vez. – Eu te pago se você for multado!
- Não posso, senhora, me desculpe. – ele disse, com sotaque estrangeiro.
Olhei pela janela. Um ônibus vermelho e preto, bem longe do meu campo de visão, tremia, como se estivesse sendo ligado.
Não pensei duas vezes.
Saltei do táxi, jogando uma nota de 10 libras para o mororista.
- Obrigado por nada! – gritei, correndo pela rua como uma louca.
Não perderia Thur.
Não de novo.








                                               129
Thur fala:

Subi os degraus do ônibus, sentindo como se estivesse sendo esfaqueado a cada degrau que subia. Ao chegar no interior, não consegui nem sorrir com os 3 video-games esperando por mim, ou pelo frigobar lotador de cervejas e vodkas.
Sem Lua comigo, aquela turnê seria uma merda.
- Todos prontos? – o motorista hippie de uns 60 anos perguntou por cima dos óculos redondos estilo John-Lennon-depois-da-Yoko.
- SIM! – todos, menos eu, gritaram.
Eu estava pronto?

Lua fala:

Corri pelo o que pareceu uma eternidade. Aquela era mesmo uma rua grande. Grande era pouco, era uma rua gigantesca!
Parecia que meu pulmão sairia pela boca. Meu cabelo voava e batia no meu rosto, enquanto minhas pernas me guiavam sem cordenação até o terminal. Olhei para frente, e pude calcular os 100 metros restantes.
Finalmente!
Sentia como se tivesse corrido uns 3 quilômetros, no mínimo.
As pessoas dos carros parados me observavam, curiosas. Alguns buzinavam, outras gritavam “É isso aí, garota!”. Era engraçado ver que mesmo sem saber do que se tratava, as pessoas me incentivavam.
Finalmente cheguei ao terminal, suada e ofegante.
Entrei ainda correndo, mas fui obrigada a parar diante da multidão de pré-adolescentes histérias no portão de embarque.
Ai, meu Deus!

Thur fala:

- Here we go! – Harry gritou, se jogando no sofá verde limão, com Michele ao seu lado.
Olhei pela janela.
Nada dela.
Mas eu não podia perder as esperanças. Não podia simplesmente jogar tudo pro alto.
Não agora.
- HEY! – gritei, chamando a atenção de todos. Até o motorista olhou para trás. Fedelso virou os olhos, prevendo um desastre se aquelas meninas invadissem o ônibus. – Não deveríamos, sei lá, falar algumas coisas antes de sair. Quero dizer, pra dar boa sorte, como um ritual que faremos todas às vezes que futuramente iremos sair em turnê!?
- É uma boa ideia, Thur! – Micael concordou.
- Então, bem, vamos juntas as mãos. – disse, pegando a mão de Micael de um lado e a de Harry do outro. Chay fechou a roda do outro lado. – Hm... – tentava pensar rápido, para que eles não percebessem que aquilo era uma farsa só para ganhar tempo. – Bom, nós, hm, deveríamos, hm...
Não conseguia! Não conseguia pensar em nada!

Lua fala:

- Com licença, com licença, por favor, eu preciso passar! – me espremia por entre as meninas, mas por mais que me mexia, não conseguia sair do lugar.
De repente, fui empurrada para fora da multidão por duas garotas que mais pareciam dois rinocerontes.
E agora? O que faria!? O que faria!?
Olhei em volta, tentando pensar em algo.
Logo atrás de mim um segurança segurava um megafone.
Brilhante!
- Por favor, moço, é caso de vida ou morte. Ou vida e morte de um amor. Você PRECISA me emprestar esse megafone! – pedi para ele, segurando sua camisa bem passada.
- Desculpa, menina, não posso. – ele respondeu, rígido.
Peguei as 100 libras que daria ao motorista do táxi se ele não fosse um incompetente – lá se ia meu dinheiro – no bolso.
- Nem por 100 libras? – perguntei. Ele olhou para a nota e para mim. Para nota e para o meu decote. Para nota e para o megafone.
Estendeu a mão, pegando as 100 libras e me dando o megafone.
- Obrigada! – exclamei, feliz.
Liguei no volume máximo.
- CALEM A BOCA! – gritei o mais alto que podia, e todas as meninas ficaram mudas.






                                            130
Thur fala:

- Uba uba uba ê! – Chay sugeriu, e Harry virou os olhos.
- Realmente, Chay, isso é algo muito poético de se dizer em todo o começo de turnê pro resto das nossas vidas!
Respirei fundo.
- Desculpe, Thur, sei que isso é importante para você, mas não temos mais tempo. Temos que estar na próxima cidade em 2 horas! – Fedelso colocou a mão em meu ombro.
Soltei as mãos dos guys.
Estava tudo perdido.
- Agora sim, lá vamos nós! – o motorista hippie, fumando um cigarro suspeito, exclamou, ligando o ônibus novamente. Deixei meu corpo mole, apoiando a testa no vidro.
As fãs continuavam lá fora. Nada havia mudado.
Como cheguei a pensar que ela havia mudado?
Que ela me amava acima de tudo e de todos?
- Calem a boca! – ouvi um grito distante. Apertei os olhos, e, no meio da multidão, vi uma garota de regata branca, calça skinny escura e All Star de couro branco, com os cabelos bagunçados caindo em cascata por suas costas. Seu rosto estava vermelho e ela parecia ofegante.
- ESPERA! – gritei para o hippie, que desligou o ônibus novamente, na maior paz e amor.
- O que foi dessa vez, Aguiar? – Fedelso parecia irritado.
- Me esperem, por favor, é importante! – exclamei, correndo pelo ônibus, saindo do mesmo e sendo recebido por silêncio. Porque, na verdade, as fãs não me olhavam. Elas olhavam, todas, para a garota que brilhava em cima de um banco, com um megafone nas mãos.
- Obrigada. – ela suspirou, no megafone. – Muito obrigada. Meninas, por favor, vocês precisam me ajudar.
Silêncio.
As fãs olhavam hipnotizadas por ela.
- Dentro daquele ônibus, está o amor da minha vida. Eu sei, eu sei que também é o amor da vida de vocês! – ela exclamou, quando os sussurros começaram. – Mas pra mim é diferente. Ele é diferente, meninas. Ele... Ele é o homem da minha vida. E se eu deixar ele partir hoje, nunca mais me perdoaria. Ele não pode sair com aquele ônibus sem saber que eu não vou sair daqui. Que eu não vou deixar de amá-lo nunca. Que eu nunca vou sair do seu lado, nos momentos bons e ruins. Ele precisa saber que se eu sou a mulher da vida dele, ele é o homem da minha. E que eu nunca, nunca, quis magoá-lo. – ela pigarreou, parecendo envergonhada. Mas mesmo assim, não parou. – Vocês precisam me ajudar, meninas. Se vocês já amaram alguém assim, vocês sabem do que eu estou falando. E se eu não puder passar por vocês, olhar nos olhos de Arthur Aguiar e dizer tudo isso, eu nunca mais vou me perdoar, porque sei que ele nunca mais vai me perdoar.
Silêncio.
Ninguém disse nada, e ela continuou ali parada, olhando suplicante para cada rosto que a encarava.
E ninguém disse nada.
Por que diabos ninguém se mexia?
Por que diabos eu não me mexia?
- Eu te ouvi, Lua. – me ouvi gritar, e todas as cabeças se viraram para mim, inclusive a dela, que me olhou surpresa. – Mas como eu posso ter certeza que você não vai fazer isso de novo?
- Eu não posso te dar certeza disso, Thur. – ela gritou, pois já havia entregado o megafone e descido do banco. Então começou a andar por entre as fãs, e elas abriram um túnel para que ela passasse e chegasse até mim. – E eu não tenho o direito de te deixar na dúvida, incerto. Mas eu posso te dar as minhas promessas, se para você elas forem mais do que meras ilusões, porque pra mim com certeza são. E tudo o que eu disse é verdade! Você precisa acreditar em mim.
Coloquei a mão no bolso, revirando a caixinha que guardava comigo, em todo os lugar que eu ia, desde um dia antes do baile.
Lua passou pelas fãs, finalmente ficando frente à frente comigo. A atmosfera era tensa. Eu estava tenso. Ela estava tensa. Tudo dependia daquele momento.
Daquele único momento.
A caixinha entre meus dedos tremia.
- Na verdade, tem um jeito de você demonstrar que nunca mais vai fugir como fugiu hoje. – disse, trêmulo. Ela segurou meu rosto com as mãos.
- Tudo. Eu faço tudo que você me pedir.
Tirei a caixinha do bolso e seus olhos se arregalaram.
Pigarreei, arrumando minha voz.
Respirei fundo.
Abri a caixinha.
Duas alianças de prata reluziam.
- Blanco, quer namorar comigo?
Lua me abraçou e murmurou em meu ouvido:
- Sim, sim, um milhão de vezes sim!
Então a explosão aconteceu. Aplausos e gritos das fãs, lágrimas de Sophia, Michele e Mel, e "aleluias" de Chay, Micael e Harry.
Depois de um ano de vai e vem, um ano de enrolação, um ano de palavras não ditas e sentimentos escondidos, um ano de segredos e vitórias, um ano de perdas e conquistas, finalmente, eu poderia ser feliz.
Mas eu continuava abraçado com Lua.
Porque ali era o meu lugar.
Nos seus braços.
Pra sempre.


#FIM!!!

Créditos: Raíssa
Link: clique aqui!

3 comentários:

loucacasalluar disse...

Simplismente MARAVILHOSA, incrível, tudo q uma web tem de ser, ela foi perfeita, quem escreveu escreveu muito bem, parabéns, tocou o meu coração!

Anônimo disse...

Chorei nesse ultimo capitulo cara que lindo pensa a cena eu akie na frente do compitador comendo brigadeiro e lendo toda carente isso deu em um choroooo

Unknown disse...

Ameiiiii muitooooo essa web,lindaaaaaa d +

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