quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Gossip Boys capítulos 51 à 60




 51

Thur fala:

Uma semana havia se passado desde o cinema. Lua estava com Josh e eu estava com Bella – que ia me buscar todos os dias na escola para ir ao seu apartamento, como se eu fosse uma criancinha.
Mas eu não ligava muito.
Era no apartamento que a mágica acontecia.
Eu e Lua nunca conversamos sobre as mensagens, mas eu sabia, de algum jeito, que elas estavam gravadas no seu coração, assim com estavam no meu. E mesmo com pessoas diferentes, nós sabíamos que o destino iria nos juntar novamente. Então só deixamos o tempo correr, sem qualquer tipo de pressão.
E o fato de eu estar muito ocupado com Bella e ela com Josh ajudava um pouco as coisas.
Com a banda estava tudo ótimo. E tudo começou na sexta-feira.
Eu tinha me esquecido que na sexta-feira seria a primeira vez que nossa música tocaria na rádio. Sabe como é, Bella era boa em me fazer esquecer as coisas.
Ah como era!
Então quando Harry chegou na escola com um rádio e um amplificador, perguntei, curioso:
- Hum, Harry, a Mile anda dando alguma coisa pra você tomar de diferente? Sabe como é, alguma coisa verde ou, hum, amarela.
- Por quê? – ele perguntou, surpreso.
- Porque você está, hum, entrando na escola com um rádio embaixo do braço.
- Como assim, Thur, você não se lembra que é hoje que nossa música toca na rádio? Cara, a Bella é boa no que faz! – ele disse, e eu não contive o riso.
- Dude, tinha esquecido completamente! – expliquei.
- Tinha que ser o Thur. – Micael me zoou, dando um tapa na minha cabeça.
- Pô, galera, dá um desconto, a cabeça dele anda muito “ocupada” com outras coisas. – Chay brincou, fazendo aspas com as mãos.
- Respeito aí, é minha garota! – pedi, fingindo ficar bravo.
- É sua garota mas é hot demais! – Chay riu, recebendo um empurrão de Harry.
- Fica na sua aí, Chay, que você já tem dona. – argumentei.
- Ah, e por falar nisso, eu comprei uma aliança pra Sô e... Olá, meninas! – ele exclamou, fazendo uma reverência exagerada para Sophia, Mel,Michele e Lua, que chegavam rindo de algo que Lua falara.
- Oi, amor! – Mel exclamou, beijando Micael.
- Chay, você esqueceu sua mala na minha casa! Como você vem pra escola sem a sua mala? – Sophia chegou acusando Chay, que somente sorriu e pegou a quase namorada nos braços, beijando-a e babando em todo seu rosto de brincadeira.
- Harry! – Michele disse, abraçando o namorado.
Atrás deles vinha Lua, sorrindo pela felicidade das amigas. Usava os cabelos soltos e sandálias, mais natural do que nunca.
- Oi, Thur! – ela disse, sorrindo. – Acho que sobramos como sempre.
- É. Parece que nascemos para ficar de vela. – brinquei.
- Bom, acho que... – ela ia dizendo, mas foi interrompida pelo locutor que gritava nos amplificadores:
- Agora, uma novidade! Eu já ouvi o som e garanto que é muito bom. Com vocês, Five Colours In Her Hair, McFLY!
Nós 8 ouvimos a música inteira paralizados, nos entreolhando. Os outros alunos pararam para ouvir e logo a roda em volta do rádio era gigante.
Tipo, gigante mesmo.
Quando a música acabou, olhei para Micael, que olhou para Harry, que olhou para Chay que olhou para mim.
- AAAAAAAAAAAH! – gritamos ao mesmo tempo, nos abraçando e pulando em roda.
Gay. Eu sei. As emoções, sabe como é...
Em nossa volta, todos riam e nos davam parabéns. Algumas meninas da oitava pediram autógrafos de brincadeira – ou não.
- Cara, me beslica pra eu ver se estou sonhando? – pedi para Micael, mas o retardado achou que era verdade e me deu um puta beliscão no braço. – Porra, dude, eu estava brincando!
- Mau aí, Thur, eu estou tão em órbita que pensei que fosse verdade. – ele se desculpou.
- Tudo bem. Agora vem aqui e me dá um abraço! – exclamei, abraçando-o.
Gay². Eu sei. As emoções, sabe como é...
Mas quando toda a gritaria e a veadisse acabaram, os guys foram procurar as respectivas namoradas.
E eu?
Fui procurar Lua.
Porque era com ela que eu queria falar. Mesmo com todo aquele negócio do Josh. E Bella. Porque, como eu mesmo disse, o destino ia nos juntar novamente.
A vi parada perto das amigas, sorrindo. Quando cheguei perto, sem pensar duas vezes, a abracei pela cintura e a rodei no ar. Nós dois ríamos muito a tudo era muito lindo, muito maravilhoso.
Tudo muito VEADO.
Aliás, eu desmonhequei total aquele dia.
- Thur! Parabéns! Estou tão feliz por vocês! – ela exclamou, bagunçando meus cabelos quando a coloquei no chão.
Beijei sua testa por cima dos cabelos – descabelados por ter pulado e abraçado todo mundo – e senti vontade de chorar.
Sério.
Mas eu não fiz isso. Quero dizer, chorar. Porque, bem, não ia pegar muito bem.
- Brigado, Luinha! Sério! É um sonho, é um... Ah, eu nem sei o que é isso! – exclamei, sorrindo e olhando para os lados, porque todos me chamavam ao mesmo tempo. - Agora só falta eu me tornar promotora e nós não precisaremos criar nossa agência de encontros! – ela disse, rindo.
- Que pena, porque era uma ótima idéia... – suspirei, desapontado de brincadeira.
- Mas me diz, agora você pode me contar qual é o segundo sonho? – perguntou, me olhando nos olhos. Coloquei uma mecha dos seus cabelos atrás de sua orelha e observei seu rosto contorcido de felicidade com admiração.
Ainda olhando para ela, observei as pessoas em volta. Chay corria com Sophia de cavalinho pelo pátio. Harry quase chorava e Michele o cutucava e exclamava: “Gay, gay, gay!”. Micael gritava com Mel e os dois pulavam como bobos.
Voltei a atenção para Lua.
Não podia contar. Não ainda.
- Ainda não.
Ela sorriu cúmplice a mim. Até ser atingida por Michele, Sophia e Mel, que gritavam histéricas coisas sem sentido. Fui até os dudes e começamos a gritar como idiotas. E então, no meio de toda aquela gritaria sem sentido, Chay resolveu dar uma de homem.
Pelo menos uma vez na vida.
- Sô!? – gritou com autoridade, marchando até ela. Ficamos olhando para ele com curiosidade. Sophia se separou das amigas e foi até ele. Mas parou de andar ao ver que Chay se ajoelhava. Olhou incrédula para ele e as meninas começaram a se cutucar. Chay continuou, atrapalhado como sempre quando se tratava de Sophia e outras pessoas olhando. E foi bem corajoso em gritar: - Por favor, galera, vocês podem ficar em silêncio um pouco?
Todos que comemoravam – e até os que não – pararam subitamente.
- Obrigado. Olha, gente, pedi para vocês prestarem um pouco de atenção porque, bem, eu... – agora ele parecia realmente envergonhado. Sophia somente olhava para ele, sem saber o que fazer. – Eu queria que todos vocês soubessem que, bem, essa estressadinha que está parada na minha frente é simplesmente a mulher da minha vida. É a pessoa mais maravilhosa que eu conheci em todos esses anos e, sem ela, eu não seria nada e não teria força nem determinação para conquistar o que conquistei hoje. Sei que não estamos há muito tempo juntos, mas para mim foi muito mais que o suficiente. Nós demoramos para finalmente dar o braço a torcer e ficar juntos mas, por ela, passava por todos os problemas novamente. Porque agora eu sei que não consigo mais viver sem você, Sô. Eu sei, pode parecer piegar, mas é a mais pura verdade. Eu te amo, Sophia Abrahão. Eu te amo, eu te amo, EU TE AMO! E... – Chay colocou uma das mãos no bolso e as lágrimas corriam no rosto de Sophia. – Sô? – perguntou, abrindo uma caixinha vinho com duas alianças de prata dentro. – Quer namorar comigo e fazer de mim o imbecil apaixonado mais feliz do mundo?
Sophia se aproximou trêmula dele, que ainda estava ajoelhado. Ele estendeu a caixinha para ela, que respondeu:
- Não.
Todos prenderam a respiração. Chay arregalou os olhos e antes que todos começassem a jogar pedras em Sophia – que eu suspeitei seriamente que fariam – ela continuou:
- Porque, na verdade, é você que me faz a imbecil apaixonada mais feliz do mundo. E eu sei que vai continuar fazendo, assim que colocar essa aliança no meu dedo.
Chay sorriu radiante e todos começaram a aplaudir, tipo aquelas cenas bizarras de filme. Mas, bem, foi legal. Queria eu ter a coragem de Chay.
Ele se levantou e colocou a aliança no dedo de Sophia, que repetiu o gesto, colocando a aliança no dedo dele. Depois ele passou as costas das mãos no rosto dela, para limpar as lágrimas e a puxou para perto dele.
E eles se beijaram.
Eu, Harry e Micael nos entreolhamos, enquanto o resto da escola batia palmas.
- No 3? – perguntei.
- 1... – Micael contou.
- 2. – contei.
- 3! – Harry exclamou e nós três pulamos em cima de Chay e as meninas em cima de Sophia.
- Que lindoooo! – Michele gritou, apertando a bochecha de Sophia, que estava rubi de vergonha.
- Ai gente, pára com isso! – disse, com um sorrisinho tímido.
É. As cheerleaders tinham realmente mexido com as nossas cabeças.
Quero dizer, com a dos dudes.
Ok, com a minha também.
Mas ninguém além da linda menina na minha frente, que bagunçava os cabelos de Sophia, precisava saber disso.








                                                        52

Lua fala:

- Luinha, quantas garrafas de tequila os meninos trazem? – Mel perguntou, enquanto olhava para todas as roupas que tinha trazido para minha casa em cima da cama e falava ao celular com Micael. – Tipo, o Micael tá dizendo que 4 dão, mas sei lá, vem a escola inteira e...
- Você quer dizer o Ensino Médio inteiro e algumas pessoas da oitava série. – Michele a corrigiu, passando a chapinha nos cabelos na frente do espelho.
Era sábado, o dia seguinte da estréia de Five Colours In Her Hair. Nós iamos dar uma festa na minha casa para comemorar que a música dos meninos estava bombando nas rádios. Aproveitando, é claro, que Rosa tivera que voltar à cidade natal pois sua nora estava para ter bebê.
- Tanto faz. Para mim a escola seria só o segundo e terceiro ano. – ela respondeu, dando de ombros e quase deixando o celular cair. – Oi, amor, estou aqui ainda, esperando a Luinha responder.
- Sei lá, Melzinha! – gritei de dentro do banheiro. – Acho que 4 dá. O pessoal costuma beber mais vodka mesmo...
- 4 mesmo, Micael... Ok, até de noite!... Te amo também!... Tchau! Sô, acho que vou com essa roupa mesmo! – Mel suspirou, impaciente, colocando as peças na frente do corpo.
- Já disse quinhentas vezes que você ficou linda com ela! – Sophia reclamou, virando os olhos. Como ela era a única pronta, ficava sofrendo na mão das amigas indecisas.
- Ok, então estou pronta. – Mel disse, dando uma voltinha. Usava uma saia jeans azul clara que ia um pouco acima dos joelhos, meia-calça cor de pele e um scarpin preto. Sua blusa era naquele estilo morcego preta, que caia de um de seus ombros. Seus cabelos caíam nos ombros e seus brincos de prata compridos com estrelas na ponta iam até mais ou menos as bochechas. Nos olhos, lápis e sombra prata. Sua boca era marcada por um gloss rosa bebê e ela estava radiante. – Como estou?
- Putaqueopariu, eim Mel! – exclamei, rindo com ela e as outras meninas. – Você quer MESMO matar meu amigo do coração!
- Por falar nisso, fiquei sabendo que eles combinaram de vir com alguma coisa igual hoje. – Michele disse, desligando a chapinha e se levantando. – Quero só ver o que vai ser... Bom, como estou?
Michele usava uma saia xadrez verde e preta, uma blusinha básia verde escura e meia arrastão preta. Nos pés, botas de cano baixo pretas de couro e bico fino. Seus cabelos também estavam soltos e ela usava brincos pequenos de cristal. Um colar comprido com pingente de um coração flechado prata ia até o final do seu busto e sua maquiagem era forte nos olhos e suave no resto do rosto.
- Vai tomar no cu! – exclamei, saíndo do banheiro já pronta. – Onde eu fui arranjar tanta amiga bonita?
- Poxa, ninguém falou de mim... – Sophia choramingou de brincadeira. Olhamos para ela e mostramos o dedo do meio.
Ela usava um vestido vermelho tomara-que-caia-quase-caindo com sandálias douradas, assim como os brincos e o colar. Seus cabelos estavam presos por um bico-de-pato em um coque demorei-duas-horas-para-deixar-ele-com-ar-de-desarrumado. Sophia puxou os olhos com delineador e parecia um gatinho, com a sombra dourada cintilando nos olhos e a boca vermelha.
- Eu nem vou comentar de você. – respondi, recolhendo meu dedo. – Você está linda demais para uma festa da escola!
- Tenho meus motivos. – ela disse, se jogando na cama.
- Ok, e eu, estou bem? – perguntei, rodando várias vezes até ficar tonta e cair na cama. As meninas riram.
Eu usava um daqueles vestidos de um ombro só, que ficam bem justinhos nas coxas e largos no resto do corpo, preto. Nos pés, sandálias de couro pretas, bordadas em svarovisky. Meus cabelos estavam soltos e enrolados nas pontas, e batiam na minha cintura. Usava brincos de argola e pulseiras também de svarovisky. Meus olhos estavam todos contornados de preto e minha boca estava com brilho transparente.
- Na verdada, nem sei porque me arrumei tanto. Josh nem vem... – disse magoada, mas no fundo não sentindo mágoa nenhuma.
- É, mas o Thur vem. – Mel provocou.
- Admite, Luinha, você está toda lindona pro gostoso do Aguiar! – Sophia continuou.
- Você não nos engana, gatinha. – Michele concordou.
- Nada a ver, meninas. Mesmo porque, Bella vem com ele e... – tentei dizer, mas fui cortada por Mel, que falou:
- Ela não vem. Viajou com as amiguinhas piranhudas.
- A é? – perguntei, sentindo meus ânimos melhorarem e minha barriga dar um loopim completo. – Hum... Legal...
- Legal, né? – Michele disse, irônica.
- Ai gente, vamos mudar de assunto? – pedi.
- Ok, vamos mesmo. Porque preciso contar algo para vocês. – Sophia concordou.
- Conte-nos, praguinha. – Mel pediu, se jogando na cama.
- Bom, vocês querem mesmo saber porque eu estou toda gatuxinha hoje? [N/A: Gatuxinha? Da onde eu tirei isso?].
- Queremos. Por quê? – Michele perguntou.
- Bom, na verdade, antes, eu preciso de uma opinião. – ela pediu.
- Tudo que quiser. Menos dicas de filmes pornôs. Isso é com seu namorado... – Mel brincou.
- Ótimo, bom saber que meu namorado anda assistindo coisas obscenas com o Borges. – ela brincou. Depois continuou, séria. – Vocês sabem que eu sou virgem, não sabem?
- Até onde eu sei, sim. – brinquei, e ela me lançou um olhar não-estou-mais-brincando-porra. – Sim, você é virgem. E aí? O que isso tem a ver com a conversa?
- É que... Ah, eu tenho vergonha! – ela piou, enfiando a cabeça entre as mãos.
- Pára com isso, Sô, você sabe que pode contar tudo para nós! Nós somos suas amigas! – Michele a encorajou.
- É que eu estava conversando com o Chay e... Bem, acho que eu estou pronta para fazer. Isso. Vocês sabem o quê. Porque, tipo, nós nos amamos. De verdade. E mesmo que não fiquemos para sempre, é dele que eu quero lembrar pro resto da vida. Mas... Queria saber a opinião de vocês antes.
Olhei para Mel, que já trocava olhares com Michele, e realmente não soube o que fazer.
Muito menos o que dizer.
- Nossa, Sô. Agora você me pegou. – disse, jogando meus cabelos para trás. – Eu realmente não sei o que dizer. Eu... Eu não tenho experiência nenhuma nisso.
- É, eu também não. – Mel admitiu. - Eu também não. Mas, Sô, acho que, se você se sente preparada para isso, deve fazer o que seu coração manda. – Michele aconselhou.
- É. – concordei. – Se você acha que ele é especial e que é dele que você quer se lembrar para o resto da vida...
- Sempre achei que isso tinha que ser com alguém que se ama, e esse é realmente o caso de vocês dois, então, se você se cuidar e não fizer nenhuma besteira, não vou impedir. – Mel disse, racionalmente.
- Não, claro que sim! – Sophia exclamou. Logo depois suspirou. – Que bom que vocês não quiseram me matar...
- Claro que não, Sô! O que você achar que é bom pra você, é bom para a gente também! – Michele respondeu.
- Só não vai fazer merda porque eu não estou a fim de ser titia antes do tempo. – Mel brincou.
- Ai Melzinha, credo! Vira essa boca pra lá! – Sophia pediu, jogando uma almofada na amiga. – É claro que eu vou usar tudo que estiver ao meu alcance para isso não acontecer. Já fui ao ginecologista e ele me aconselhou e tudo o mais. Realmente acho que todas as meninas deveriam fazer isso antes que sair por aí fazendo besteira... [N/A: Momento palestra de educação sexual que uns tios chatos dão na escola como se fôssemos retardados. Mas, bem, eu concordo com o que escrevi. Mesmo que eu só vá pensar nisso depois dos 18. Hehehehe.]
- Bom mesmo! – Michele disse, se levantando. – Bom, vamos parar de se meter na vida alheia porque temos que começar uma festa!








                                                      53

Thur fala:

- Oi, Melzinha! – exclamei, abraçando Mel até sufocá-la.
- Nossa, Thur! Tá animadinho hoje, é? – ela perguntou, olhando torto para mim. Mas não era de se estranhar. Eu – assim como os outros meninos – usava uma roupa meio social meio casual e Ray-ban espelhado.
- Sim! Você não tem noção, Melzinha! Hoje de manhã eu estava comprando as bebidas e uma menina veio me perguntar se eu era o Thur do McFLY e, pasme, me pediu autógrafo e tirou uma foto comigo! Não é animal!? – perguntei, animado.
- Thur! – ela quase gritou, rindo. – Sua primeira fã! Lembra o nome dela?
- Alguma coisa com b... – respondi, não me lembrando mesmo do nome da minha primeira fã.
- Olha só como você é um péssimo rock star... – ela balançou a cabeça em reprovação. – Só espero que as groupies não comecem a dar em cima do meu homem. Aliás, cadê meu ursinho?
- O ursinho tá pegando as bebidas no carro. – respondi, rindo do apelido.
Nem terminei de falar e Mel já saía correndo para encontrar Micael. Entrei na casa de Lua sem esperar convites, encontrando algumas meninas da oitava série já meio bêbadas que ficaram me dizendo que sempre souberam que eu e os meninos iríamos fazer sucesso. Deixei elas com alguns meninos com cara de idiotas do segundo ano e continuei andando pela casa, ouvindo as risadas de Micael, Mel, Harry, Michele, Chay e Sophia no saguão.
Passando pela cozinha, dei uma espiada para dentro e sorri ao ver Lua sozinha, colocando as bebidas em um isopor.
- Oi, Luinha. – disse, batendo na madeira da batente da porta.
- Oi, Thur! – ela disse, assustada. Deixou o isopor em cima da mesa e veio me cumprimentar, me dando um abraço e um beijo estalado na bochecha.
- Nossa, tá toda animadinha assim por quê? – perguntei, dando um peteleco no seu nariz.
- Ah, nenhum motivo específio... Apenas acordei animada! – ela disse, e logo em seguida foi cumprimentar Harry e Micael que entravam na cozinha. Eu, por outro lado, fui cumprimentar Michele e Mel.
- Bom, acho que o melhor que temos a fazer é beber! – Micael sugeriu, segurando uma garrafa de tequila na frente do corpo, como se fosse um bebê.
Começamos a beber na sala, junto com todos os outros convidados. Na verdade, não bebemos muito, e só ficamos ali, conversando. E nem notamos a falta de Sophia e Chay. Até que os dois entraram correndo na sala, esbaforidos e dando risada.
- Galerinha do mal, vamos subir pro quarto da Luinha? Aqui está muito barulho! – Chay sugeriu, abraçando Sophia pela cintura.
- A gente vai fazer o que lá só nós 8? – Harry perguntou.
- Nem te conto, Judd. – Sophia respondeu, e nós rimos. – Ah, sei lá, a gente pode ouvir alguma música que não seja yo-shizzel my-wizzel nigga mother-fucker e, sei lá, brincar de alguma coisa idiota. – ela completou, fazendo carinha de cachorro-que-caiu-da-mudança para nos convencer.
- Ok, vocês venceram. – Lua concordou. – Vamos lá.
Subimos para o quarto e Micael foi procurar algum Cd.
- Luinha, onde ficam seus Cd's?
- Poutz, nem sei os Cd's que estão no meu quarto, mas olha lá na prateleira que fica em cima do meu computador. – ela respondeu, apontando da cama para onde o computador ficava. Micael foi até lá e pegou 4 Cd's.
- Vamos lá, na ordem. Green Day, Offspring, Blink e Beatles.
Colocamos os Cd's no meu som e decidimos o que iríamos fazer.
No final, ficou decidido que iríamos brincar de Verdade ou Verdade.

Lua fala:

Terminamos de nos arrumar e descemos. As primeiras pessoas já chegavam – umas meninas da oitava série – e nós ficamos ocupadas, arrumando todas as coisas e colocando o som. Uns 15 minutos depois, avisaram que os meninos haviam chegado. Fui até a janela enquanto Mel ia até a porta recebê-los.
O primeiro que eu vi foi Thur – grande ironia. Ele usava uma calça jeans preta, uma camiseta pólo pink e sapatos sociais pretos nos pés. Seus cabelos estavam caídos nos olhos, que eram cobertos por um óculos Ray-ban espelhados.
Atrás dele veio Micael, com um saco de bebidas em uma mão e com a outra de mãos dadas com Mel. Ele usava uma calça jeans azul escura, camiseta pólo listrada branca e preta e nos pés All Star preto. Os cabelos estavam todos bagunçados e ele também usava um Ray-ban espelhado que combinava perfeitamente com sua aliança.
Dois segundos depois, Michele entrou de cavalinho em Harry, que usava uma camisa social azul clara por cima de uma regata branca amostra. Calça jeans claras e nos pés All Star azul. Seu cabelo estava levantado em um moicano demorei-dez-horas-pra-fazer, e, assim como os outros, usava um Ray-ban espelhado, só que sua armação era dourada, e não prata como os óculos de Micael e Thur.
Saí correndo para a cozinha ao vê-los entrar na casa. E, ao chegar lá, fui abordada por todos eles alguns instantes depois. Fomos beber na sala de estar e estávamos conversando de boa. Thur estava sendo muito simpático comigo, assim como eu com ele. Nada de muito anormal.
Até Chay e Sophia entrarem correndo como idiotas na sala.
Chay usava uma camisa social branca com os três primeiros botões abertos, deixando amostra um pedaço de seu peito. Calça social preta e tênis Relf verde e branco. Seus cabelos estavam nos olhos, assim como os de Thur, e seu Ray-ban era dourado como o de Harry e espelhado como todos os outros.
Todos eles estavam maravilhosos. Mas na minha humilde opinião, Thur era o melhor.
Sophia e Chay queriam porque queriam que nós subíssemos para o quarto, e depois de perceber que não tinha interesse em nenhuma pessoal em especial lá em baixo, concordei com eles.
Subimos. E decidimos – porque sempre tínhamos essas idéias idiotas? – brincar de Verdade ou Verdade.
Michele pegou uma garrafa de tequila vazia lá embaixo e nós começamos.
Na primeira rodada, Harry perguntava para Mel.
- Ok, Melzinha. Deixa eu pensar... – ele disse, coçando a cabeça com cuidado para não estragar o moicano. – É verdade que Micael tem o melhor beijo que você já provou?
- Provou? Que estranho dizer isso! – Mel brincou. – Mas sim, é verdade.
- VIU, HARRY! – Micael berrou. – Não foi perda de tempo você ter me ensinado.
- Credo! Agora eu estou imaginando a cena! – Mel reclamou!
- Ok, eu definitivamente poderia dormir sem essa... – Thur suspirou, fazendo cara de nojo. - Brincadeira, minha linda. – Micael disse, dando um beijão em Mel, que retribuiu.
- Tá bom, galera fogosa, já deu, né? – Chay interrompeu o beijo impaciente. Depois rodou a garrafa.
Sophia perguntava para Michele.
- Mile, é verdade que seu sonho na sétima série era perder o Bv com Harold Judd? – ela perguntou, com um olhar diabólico.
Michele mostrou o dedo do meio para ela e respondeu:
- Sua vaca. Você sabe muito bem que se eu admitir ele vai se achar mais do que nunca!
- Amor, você é toda lindinha e tals, mas é meio lerdinha também. Porque não sei se você sabe, mas acabou de admitir. – Harry zoou com a cara da namorada, dando um beijo na sua testa. Ela sorriu e beijou sua bochecha.
Micael girou a garrafa.
Thur perguntava, bem... Para mim.
Na hora ele ficou sem reação, olhando para a garrafa imóvel. Pisquei os olhos e me virei para Mel, que deu de ombros, também não entendendo o que ele estava fazendo.
Voltei meu rosto para a garrafa e Thur não olhava mais para ela. Na verdade, agora, ele olhava para mim. Abriu a boca e deixou os lábios entreabertos, – me deixando hipnotizada por eles – aparantemente pensando no que iria perguntar.
Mas quando ele perguntou, deu a impressão de estar ensaiando aquilo há meses.
Mas aquele era Thur. Se fingindo de amigo e fazendo uma pergunta daquelas. Que me fez peder o fôlego.
E a cabeça, ao ver seu rosto sério me encarando e as palavras saírem lentamente de sua boca:
- É verdade que você ainda me ama?








                                                            54

Thur fala:

- Ah! Aqui estão vocês! Luinha, quebraram um vaso lá embaixo e vomitaram no... – Jéssica, uma garota alta e certinha da minha sala entrou no quarto dizendo. Mas logo parou, ao ver o clima estranho no quarto. – Ah, desculpe, estou atrapalhando alguma coisa?
Não, não... SÓ MEU ÚNICO MOMENTO DE CORAGEM NOS ÚLTIMOS 5 MESES!
- Não. Nós só estávamos... – Lua gaguejou, me olhando com angústia, mas ao mesmo tempo querendo dizer algo.
- Conversando. – terminei, olhando para ela.
- Bom, acho melhor vocês descerem logo, porque estão destruindo a casa. – Jéssica voltou ao seu estado normal de menina preocupada com tudo. – E tem umas meninas da oitava querendo falar com você Thur.
- Umas meninas da oitava? Por quê? – perguntei.
- Nem te conto. – ela respondeu, piscando para mim e saindo pela porta.
Nós ficamos em silêncio. Mel, Sophia e Michele olhavam apreensivas para Lua, que estava de cabeça baixa. Micael, Chay e Harry olhavam boquiabertos para mim.
- Acho melhor eu, hum, descer. – ela disse, saindo rapidamente pela porta.
Enfiei a testa entre as mãos, nervoso. Tudo rodava pela minha cabeça. Todas as palavras, as brigas, as risadas, os beijos... Então, me vi levantar, sob as perguntas de “você está bem, Thur?” de meus amigos, e sair correndo pela porta, com apenas um pensamento.
Eu tinha que pegar minha garota de volta. Nem se fosse por uma noite.
- Luinha! – gritei no corredor. Ela já descia as escadas e continuou, me ignorando. Ao chegar na sala, continuei atrás dela, que corria por entre as pessoas, esbarrando em todos. – Luinha!
Lua entrou na cozinha e eu fui atrás. Ela saiu pela porta da lavanderia e eu continuei a seguindo. Quando saímos no seu jardim da frente, a chamei de novo, dessa vez mais autoritário.
- Luinha! – gritei, agora já andando pela rua deserta atrás dela. – Lua, pára de andar!
- Pra quê? – ela gritou de costas para mim, sem me obedecer. – Pra você vir aqui, dizer que só quer ser meu amigo e me provocar como acabou de fazer? Para bagunçar toda minha cabeça?
- EU baguncei SUA cabeça!? – gritei de volta, incrédulo. – Que eu saiba, foi você quem ficou comigo escondida, e, quando resolveu assumir, terminou tudo no mesmo dia! E, como se não fosse o bastante, 4 meses depois você ficou comigo novamente e eu realmente pensei que dessa vez tudo estava bem. Mas não! Nunca é bom o suficiente para você não é, Lua? Porque você me tratou como lixo no dia seguinte, ainda por cima por algo que eu não tinha feito! Qual é, Luinha, acha mesmo que você é a única aqui com a cabeça bagunçada?
- Thur! TUDO que eu fiz foi por você! Aliás, você quer mesmo saber a verdade? – perguntou, parando de andar e se virando para mim. O céu estava carregado e alguns pingos caíam, fazendo a atmosfera ficar sombria. Sem esperar minha resposta, continuou: - Eu terminei com você porque John disse que se eu não o fizesse, ele teria como provar que o blog era seu! E, desde o começo, você soube que eu não faria nada para te prejudicar! E da segunda vez, admito, eu errei. Mas foi só para te afastar de mim, porque, por mais que tudo fosse maravilhoso ao seu lado, eu sabia que você iria acabar saindo disso todo ferrado. Principalmente por meus antigos amigos, como, por exemplo, John.
A chuva começou a cair forte e ela chacoalhou os cabelos molhados para longe dos olhos e ofegou. Me aproximei dela.
- Lua... Quantas vezes terei que dizer que EU NÃO ME IMPORTO!? Eu não me importo com esse blog idiota, eu não me importo com o que os outros vão falar, eu não me importo de apanhar todos os dias de John e Josh, se no final...
Aproxeimei-me mais dela, a ponto de nossos rostos estarem a alguns centímetros de distância. Afastei seus cabelos molhados do rosto e ela fechou os olhos, encostando a bochecha gelada na minha mão.
- Se no final? – perguntou, de olhos fechados.
- Se no final eu tiver você.

Lua fala:

- Thur... – sussurrei, me afastando. Mas não fui rápida o suficiente, pois ele tirou uma das mãos do meu rosto e me puxou de volta pela cintura. Com a outra, entrelaçou meus cabelos molhados e aproximou nossas bocas.
- Por favor, - ele sussurrou, seu hálito quente roçando minha bochecha. – deixa eu me lembrar do seu cheiro, do seu gosto...
E é claro que, depois disso, eu meio que o agarrei.
Vai dizer que você também não agarraria?
A chuva caía pesada e fria em nós dois, parados no meio da rua. Thur me apertou contra seu corpo e colocou as mãos nas minhas costas, me arrepiando. O beijo era feroz e ele me beijava como se nunca mais fosse me beijar novamente.
- Thur! – exclamei, ofegante. – O que deu em você hoje?
- O que me deu hoje? – ele perguntou, me pegando no colo e rindo pelos meus gritos de protesto. – É que hoje eu acordei com vontade de te ter de volta.
- Você nunca me perdeu. – respondi, dando um beijo de leve nos seus lábios entreabertos.
- Você não sabe como é bom ouvir isso.
Fechei os olhos e passei os lábios por sua boca. Ele estremeceu e me colocou lentamente no chão. Quanto bati meus pés na rua, ele me empurrou até a calçada e meu prensou contra um poste, continuando a me beijar com vontade.
- O que nós vamos fazer agora? – perguntei, quando finalmente consegui me livrar – não que eu quisesse – do seu beijo.
Thur me olhou fixamente, pensando.
- Você quer dizer agora, agora? – ele perguntou, sorrindo maliciosamente.
- Não, Thur! – exclamei, cutucando sua barriga e o abraçando novamente, querendo sentir o tecido molhado de sua camiseta em meus braços. – Quero dizer sobre eu e você.
Olhei para baixo, envergonhada pelo o que tinha dito. Sabe como é, eu tinha acabado de falar que queria ficar com ele. E se ele me desse um fora depois de tudo que eu já tinha feito?
- O que você quer fazer agora? – perguntou, esfregando o nariz no meu.
- Não sei. – respondi, sinceramente.
- O que você acha de voltarmos a estaca zero? – ele sugeriu, no meu ouvido.
- Como assim?
- Nós continuamos com nossas vidas, - ele disse, e eu me afastei um pouco de seu corpo, olhando incrédula para seus olhos que pareciam estar se divertindo com a minha cara. “Como assim? Ele está me rejeitando?” pensei. – e ficamos escondidos. Até, hum, nós descobrirmos quem roubou o blog?
“Ahhh, assim sim.”
- Quando descobrirmos, contamos a todos. – ele continuou. – Porque ficando escondidos, ninguém vai poder falar nada e muito menos seus amiguinhos vão ficar nervosinhos comigo. E depois que descobrirmos quem roubou o blog, o dono vai perdê-lo, sem poder postar mais nenhuma merda sobre nós e nossos amigos. E ninguém vai poder falar nada do mesmo jeito, porque nós assumiremos. E, por fim, John não vai poder me ferrar pelo blog porque nós vamos provar quem era o dono, que definitivamente, pelo menos agora, não é nenhum de nós 4.
Olhei para o lado e mordi o lábio inferior. Quando voltei a encarar seu rosto beirando a perfeição, sorri.
- É uma ótima idéia!
- Mas... – ele disse, sério. – Ninguém pode saber sobre nós dois.
- Claro, eu...
- Não, Luinha, quando eu digo ninguém, é, tipo, ninguém.
- Eu entendi, Thur. – respondi, arqueando a sobrancelha.
- Nem nossos amigos. – ele murmurou.
- Hã? – exclamei, levantando a sobrancelha. – Mas não era você mesmo quem dizia que nossos amigos nunca nos fariam mal?
- Eu sei, linda, e é verdade. – ele confirmou. – Mas, pensa bem, você acha mesmo que eles não iriam tentar nos convencer de que assumir seria a melhor coisa?
Pensei bem. E percebi que era verdade. Pelo menos minhas amigas sim.
- É...
Olhei para baixo, pensando na proposta de Thur.
Será que conseguiríamos esconder? Depois da experiência má sucedida?
- Hey, fofa. – Thur me chamou, e eu levantei o rosto, olhando hipnotizada para seus olhos. – Sabe o que dizem?
- Não, o quê?
- Escondido é bem melhor, perigoso é divertido.
Ri e beijei o pescoço dele, que estremeceu.
- Thur?
- Oi, Luinha.
- Eu te amo.
Thur me deu um beijo de leve nos lábios.
- Luinha?
- Oi, Thur.
- Eu te amo.








                                                 55

Thur fala:

- Ficou com 37 em uma noite? – Lua perguntou, acariciando minha mão com o polegar.
- Mito. – respondi. – Deixou um menino estéreo com um chute?
- Lenda. – ela respondeu, deitando a cabeça no meu peito. [N/A: Parte meio inspirada em 10 Coisas Que Eu Odeio Em Você. xD]. Ainda estávamos na rua deserta, úmidos, sentados no chão e conversando sobre as mentiras que inventavam sobre nós dois. Ela estava entre minhas pernas e seu cheiro invadia meu cérebro e fazia eu me sentir bem.
Ou talvez fosse só a endorfina.
- Chorou quando Digimon acabou? – ela perguntou, e eu ri, encostando meu queixo em seu cabelo molhado.
- Caiu um cisco no meu olho. É diferente! – respondi, rindo com ela.
- Ok, vou fingir que acredito.
- É sério! – exclamei, e ela olhou para cima. Inclinei-me e beijei sua boca, que praticamente me chamava.
Aquilo era bom demais.
Estávamos há algum tempo conversando e olhando as estrelas. A chuva havia parado e nossos corpos estavam quentes, pois nos aquecíamos juntos.
De repente, um raio cortou o céu, e Lua gritou:
- Meu Deus, a festa!
- O que tem a festa? – perguntei, rindo da sua cara de assustada.
- Eu deixei aqueles delinqüentes juvenis destruindo a minha casa! – ela respondeu, já se levantando. – Vem comigo?
- Claro. Mas não esquece do que combinamos. – eu a lembrei, puxando seu corpo junto ao meu. – Agora deixa eu aproveitar antes que tenha que ficar longe de você no meio daquelas pessoas malvadas! – brinquei, a puxando para mais perto e mordendo seu lábio inferior.
- Ah, não precisa ter medo! Eu vou te proteger das pessoas malvadas! – ela respondeu, grudando seus lábios aos meus.
Demos um beijo em meio aos risos – nem sei porque estávamos rindo, só sei que era engraçado – e voltamos pela rua abraçados. Quando chegamos perto da casa, nos soltamos e começamos o teatro logo na entrada, onde algumas pessoas estavam.
- Vai se foder, Aguiar, eu não preciso ouvir suas merdas! – ela exclamou, chamando a atenção das pessoas.
- Vai pro inferno, sua prepotente do caralho! Você acha mesmo que o mundo gira em torno do seu umbigo? – exclamei de volta.
Lua me lançou um olhar bravo e ao mesmo tempo convenceu-com-o-palavrão e entrou pela porta da frente. Já eu entrei pelo jardim, ouvindo alguns “mandou bem, Aguiar!” dos meninos que fumavam narguile lá na frente.
Ao entrar, passei pelo corredor da lavanderia, e ao olhar para o lado, vi Chay e Sophia se beijando encostados na parede.
- Hey, por que vocês não arranjam um quarto? – perguntei, dando um tapa na cabeça de Chay, que parou de beijar Sophia e olhou meio fora de foco para o corredor escuro.
- Até que não é uma má idéia! – respondeu, rindo e deixando Sophia envergonhada. Depois voltou a beijá-la, como se eu não estivesse ali.
Eca.
Saí de lá e entrei na cozinha, onde, por ironia do destino, – ou tempo contado no dedo – encontrei Lua expulsando as pessoas.
Ela olhou para mim com o canto dos olhos e eu entendi o que ela queria me dizer.
- Já que você está aí sem fazer nada, por que não me ajuda a tirar esses bêbados daqui, Aguiar, seu imprestável? – ela perguntou, empurrando um menino sorridente pela porta.
- Se eu sou tão imprestável, por que você não faz isso sozinha? – perguntei como resposta.
- Cala boca e me ajuda logo! – ela disse, segurando o riso.
E eu, como sempre, a obedeci.
Não que eu fosse seu cachorrinho nem nada do tipo. Eu simplesmente gostava de ajudá-la. Ela ficava tão linda ocupada com alguma coisa, e meus olhos simplesmente não saíam de cima dela.
- Pára de babar tanto nas minhas coxas que agora nós vamos ver o estrago lá em cima. – ela disse no meu ouvido, ao tirarmos o último bêbado/vândalo da sua casa.
- E quem disse que eu estou babando nas suas coxas? – perguntei, rindo maliciosamente, dessa vez olhando para suas coxas.
E que coxas!
- Aguiar, seu tarado! – ela respondeu, me dando um tapa no ombro.
Ao subirmos, o estrago já estava feito. Os 4 – Michele, Harry, Micael e Mel – estavam bêbados e rindo histericamente.
- Ooooooi, Luinha! – Mel meio que gritou, tentando se equilibrar no colo de Micael, que só ria. Michele dormia em Harry, que fazia cafuné nos seus cabelos e cantava músicas sem sentindo nenhum.
- Oi, Melzinha! – Lua respondeu, pegando a menina pela cintura. Micael tentou pegá-la de volta, mas seus braços só caíram pesados pelo corpo. – Vamos tomar um banho?
- Vamos! – ela exclamou, feliz.
Lua piscou para mim e entrou com Mel no banheiro, como se ela fosse uma criancinha.
Ordenei que Harry e Micael fossem até o quarto de hóspedes – sabe como é, eu não era tão paciente com meus amigos bêbados como Lua era com as suas – e em menos de cinco segundos depois eles já roncavam jogados ao chão – e a culpa não foi minha, eles que quiseram dormir no chão.
Fiquei lá, rindo quando Micael acordava de tempos em tempos para contar alguma piada sem sentido e de Harry que acordou e vomitou pela janela pelo menos umas três vezes. Mas já estava começando a ficar entediado. Então decidi procurar Lua.
Entrei em seu quarto e fiquei sem reação, ao ver que ela se trocava enquanto Michele e Mel - já de banho tomado – dormiam como anjos nos colchões no chão.
Ela não estava pelada nem nada do tipo, mas descia a camisola de seda lentamente pelas curvas. Quando acabou, soltou os cabelos e os prendeu novamente em um coque frouxo. Calçou pantufas do Bob Esponja e ficou de costas para mim, tirando os brincos.
Prendi a respiração e saí do quarto, encostando a porta. Mas pelo meio do corredor, senti duas mãos frágeis apertarem meu rosto.
- Adivinha quem é? – ela perguntou em meu ouvido, com uma voz muito sexy.
- Eu sei que é você. – respondi, indiferente.
- Eu quem? – ela perguntou, encostando os lábios quentes na minha orelha.
- Bella. – afirmei, querendo zoar com a sua cara.
- Como assim Bella!? Como você tem a cora... – ela começou a pseudo gritar comigo, mas eu fui mais rápido e em um movimento ninja me virei e a calei com um beijo.
Quando a soltei, comecei a rir.
- Qual é a graça? – ela perguntou, irritada.
- HAHAHAHAHA. Sua voz de bravinha é a coisa mais fofa... Você acha mesmo que eu iria te confundir com a Bella? – me expliquei, ainda rindo.
- Então por que fez isso? – ela parecia magoada.
- Porque eu amo te ver brava. Você fica tão linda. – falei, a abraçando. Ela fez uma careta horrível e perguntou:
- Essa é minha mais nova cara de brava. Fico linda assim?
- Fica linda de qualquer jeito. – respondi, apertando seu nariz.
- É. E meu nome é Jacinto Pinto! – ela brincou.
- Bom, srta. Jacinto Pinto, vamos pra sala assistir alguma coisa? – perguntei.
- Só se você me levar no colo. – ela respondeu, fazendo bico. Não tive coragem de dizer não. Não para aquele rosto perfeito.
Peguei-a no colo e desci as escadas. Coloquei-a no sofá e me sentei ao seu lado. Envolvi meu braço em volta dela, que apoiou sua cabeça em mim e nós assistimos – na verdade nos beijamos – a qualquer filme que passava na Tv.
Quando ela adormeceu, a levei de volta para o quarto e me joguei na cama de casal do quarto de hóspedes, ouvindo os roncos de Micael e Harry e me sentindo o cara mais sortudo do mundo.









                                                 56

Lua fala:

Acordei me sentindo meio tonta. Minhas pernas estavam moles e minha garganta doía. “Maldita chuva”.
Olhei para o lado e vi Mel e Michele dormindo como anjinhos nos colchões. Levantei-me com cuidado e saí do quarto, tentando fazer o mínimo de barulho possível.
Entrei no quarto de hóspedes mais silenciosa do que nunca fora. Realmente não sei como não acordei Micael e Harry do jeito que sou desastrada.
Mas bem, isso não vem ao caso.
Deite-me na cama de Thur e fiquei olhando para ele. Seu peito subia e descia e sua boca estava entreaberta. Os cabelos estavam jogados no rosto e ele estava todo torto na cama.
Observeio-o por mais algum tempo e fui interrompida por sua voz sonolenta:
- Vai ficar me olhando mesmo?
Sorri e abaixei-me, beijando sua testa de leve.
- Sabia que você fica lindo dormindo? – sussurrei.
- Sabia. – ele respondeu, se levantando e grudando sua boca na minha. [N/A: É, eu sei, coisa mais nojenta beijar de manhã com todo o mal hálito e essas coisas... Mas finjam que ele não existe. Afinal, é seu McGuy. ;D].
- Acorda os meninos que eu vou levar as meninas pra tomar café, ok? – perguntei, depois do nosso longo beijo. Ele sorriu perto da minha boca e respondeu:
- Ok, patroa.
Saí do quarto e voltei ao meu. Ao chegar, Michele e Mel ainda dormiam.
- MENINAS, ACORDANDO QUE A VIDA NÃO É COR-DE-ROSA. VAAAI, ACORDAAA! – gritei, jogando travesseiros e tudo que estava ao meu alcance nelas.
- Vai se foder, Lua! – Michele reclamou, enfiando o cobertor na cara.
- É, vai se foder, Lua. – Mel concordou, fazendo o mesmo.
- Bom, ok, acho que eu vou ter que tomar café sozinha com Micael, Harry e o Aguiar. – disse, e isso não causou impacto nelas. Completei: - Todos sem camisa.
E em alguns segundos depois todos nós estávamos na mesa da cozinha. E eles, de fato, estavam sem camisa. E não pense que foi fácil comer com a visão do peito nu de Thur subindo e descendo na minha frente. Porque não foi.
Vou dizer algo. Ele é gostoso. Sério.
- Gente, cadê a Sô e o Chay? – Mel foi a primeira a perceber o sumiço do casal.
- Nossa, verdade. Onde eles estão? – Micael perguntou com a boca cheia, então saiu algo do tipo “Bossa, berdadi. Bondi ebes ebstão?”
- A última vez que eu os vi, estavam no maior amasso na lavanderia. – Thur respondeu, enfiando um pedaço de bolo na boca.
Ai meu Deus, porque ele tinha que ser tão gostoso?
Eu lutava com meus olhos para eles não caírem tanto assim no corpo de Thur.
Mas era difícil.
Bem difícil.
- E você não falou com eles? – Harry perguntou, confuso.
- Falei. Eu mandei Chay procurar um quarto. E acho que ele seguiu minha orientação... – Thur respondeu novamente, dessa vez rindo com os outros meninos de um jeito malicioso.
Olhei para Mel e Michele, que me lançaram olhares preocupados de volta.
- Será que aconteceu alguma coisa com eles? – perguntei, meio nervosa.
- Calma, Luinha, não precisa se desesperar! – Micael disse. – Por que a gente não liga pro celular de algum deles?
- É, verdade... – admiti. – Eu ligo.
Saí da cozinha e peguei meu celular em cima da Tv. Liguei para Sophia que atendeu no terceiro toque.
- Alô? Sô? – perguntei. – Cadê você?
- Luinha? Oi, é o Chay. – Chay respondeu do outro lado da linha.
- Ah... Oi, Chay. A Sô tá aí? Eu posso falar com ela? Aliás, onde diabos vocês estão? – perguntei, aflita e curiosa ao mesmo tempo.
- Calma aí, são muitas perguntas pro meu pequeno cérebro! – Chay brincou. – A Sô tá dormindo, e nós estamos aqui em casa. – eu ia dizer algo, mas ele me cortou, continuando: - Luinha, preciso ir. Vou fazer o café para ela. Depois eu falo pra ela ligar pra você.
- Ok, Chay. – respondi, achando o que ele disse tão fofo e nem me incomodando em encher o saco dele para trazer minha amiga viva para casa. – Beijos. Tchau.
- Falou.
Desliguei o telefone e fui até a cozinha avisar os outros que havia conseguido falar com Chay.
- Como assim a Sô dormiu lá? – Mel perguntou, achando graça.
- Dormiu dormindo, ué! – respondi, me sentando na mesa.
- Será que rolou alguma coisa entre os dois? – Michele sugeriu, nos olhando com o famoso olhar eu-sei-o-que-nossa-amiga-fez-no-verão-passado. Ou melhor, na noite passada.
- Se rolou ou não, depois ficamos sabendo. – respondi, piscando para ela.
- O Chay é meu herói! – Micael exclamou, tomando um gole de suco.
- Por que o Chay é seu herói? – Harry perguntou, curioso.
- Porque ele namora há um dia e já pegou a Sô de jeito! – ele respondeu, arrancando gargalhadas de todos nós.
- É, realmente, o Chay é meu herói... – Thur concordou, olhando para mim de relance.
- O Chay é nosso herói! – Harry exclamou, piscando os olhos como uma mocinha em perigo.
- Cala boca, seus tarados pervetidos. Vocês nem sabem se rolou algo ou não! – exclamei.
Acabamos de tomar café e fomos ver o estrago na minha casa. A parte de baixo estava mais suja e quebrada, então decidimos que as meninas iriam limpá-la e os meninos limpariam a parte de cima.
Os meninos subiram e depois de uns 10 minutos de trabalho árduo – na verdade, nós só rimos e jogamos o lixo fora – o meu celular tocou.
- Fala aí, sua vaca. – eu disse, ao atender a ligação de Sophia.
- E aí, Luinha, alegria na padaria? – Sophia perguntou.
- Opa, tranqüilo no asilo! – respondi, rindo. – Agora vai, conta tudo. Por que a senhorita não dormiu aqui? E... – parei de falar ao ouvir as gargalhadas dela ao telefone. – Por que você tá rindo?
- Eu não dormi aí porque Chay me chamou para dormir aqui. E eu estou rindo porque ele está nesse exato momento dançando YACM para mim em cima da cama só de boxers. Olha, eu realmente preciso ver isso. Quando eu chegar aí eu te conto tudo. Tchau, Luinha!
E desligou.
Durante o resto da manhã e o começo da tarde, limpamos a casa. Eu me segurando para não olhar muito para os braços de Thur ao tirar o lixo dos quartos e para seu peito que subia e descia arfante depois de um dia de trabalho. 
Êêêê visão do paraíso.
- Eu tô com fome, o que tem pra comer? – Micael perguntou, se jogando de qualquer jeito no sofá da sala, todo sujo e suado, depois de ter acabado os quartos.
- Tem o meu telefone pra gente ligar pra pizzaria. – respondi, me jogando ao seu lado. Mel fez o mesmo.
- Eu quero de mussarela.
Ligamos e a pizza chegou junto com Chay e Sophia.
- Boa tarde, galerinha do mal! – Chay exclamou, entrando em casa com as pizzas nas mãos. – Nem me chamam mais para a festa?
- Boa tarde, Chay. – respondemos em uníssono.
- Acho que você estava se divertindo mais. – Harry respondeu sua pergunta, piscando para ele e deixando Sophia vermelha.
Nem sei como, devoramos a pizza em alguns segundos, e logo depois expulsamos os meninos de casa. Porque, bem, existiam coisas mais importantes a se fazer. Como descobrir nos mínimos detalhes o que acontecera na noite passada com Sophia e Chay.
- Eu te ligo. – Thur sussurrou no meu ouvido, quando todos estavam distraídos. Pisquei para ele, observando-o ir embora com um sorriso idiota no rosto.
- Eu quero jogar Mário! – foi a última coisa que ouvimos Micael falar antes do carro arrancar pela rua.
- Conta. – exclamei, segurando o braço de Sophia.
- Tudo. – Mel concordou.
- AGORA! – Michele exclamou, empurrando-a para dentro de casa e logo depois no sofá.
- Ok, vou contar desde o começo. – ela se deixou levar. – Ontem à noite, quando Thur nos mandou arrumar um quarto...

Flashback on.

Sophia fala:

- Olha, até que não é uma má idéia! – Chay disse, voltando a me beijar.
Eu estava nervosa – desculpe o palavreado – pra caralho! Mesmo com Chay, minha cabeça não conseguia relaxar. Nem minha cabeça e muito menos meu corpo.
- O que foi Sô? – ele perguntou, parando de me beijar e me olhando curioso. – O que você tem?
- Não sei, Chay... – suspirei, olhando para o outro lado. – Acho que eu estou nervosa.
- Hey, maluquinha, olha pra mim? – ele pediu, me virando delicadamente pelo queixo. Olhei para ele com cara de gatinho do Shrek. – Você sabe que se não quiser, nós não vamos fazer nada!
- Mas eu quero! – respondi. – Eu quero fazer com você... – olhei para seus olhos e senti suas mãos na parte de dentro da minha coxa. – E eu quero agora!
Mel sentiria orgulho de mim se visse o jeito que eu o agarrei depois do meu comentário mais que pornográfico.
Chay me beijava sorrindo e a cada segundo que passava a sua empolgação me contagiava.
- Ok, acho que agora é um ótimo momento para seguir o conselho de Thur. – Chay sugeriu, com a boca colada na minha.

Flashback off.









                                                        57

Thur fala:

- Chay, você é meu herói! – Micael exclamou pela décima quinta vez, se contorcendo todo no sofá para seguir os movimentos do controle do vídeo-game.
- Meu Deus, Micael, se você fica assexuado quando bebe, sóbrio compensa tudo! – Harry disse, imitando Micael com o controle nas mãos.
- Dá pra vocês pararem de putaria e deixarem a porra do Chay terminar a história? – pedi, o único que conseguia ficar parado ao jogar vídeo-game.
- Ok. Depois que disse aquilo, dirigi como um louco para chegar em casa...

Flashback on.

Chay fala:

Quando finalmente abri a porta de casa, já segurava Sophia no colo e nos beijávamos um tanto quanto calorosamente.
- Espera, espera um pouco. – pedi, colocando-a no chão. Ela se apoiou na parede e eu cheguei perto dela como se fosse a beijar, mas quando ela fechou os olhos, amarrei uma venda neles e sussurrei no seu ouvido:
- Conta até 30 e segue as plaquinhas.
Enquanto ela contava, subi e me escondi.

Flashback off.

Lua fala:

- E aí? O que estava escrito nas plaquinhas? – perguntei, agora com total atenção ao que ela contava, colocando o vidro de esmalte vermelho em cima da minha escrivaninha.
- Conta, Sophia! Não deixa a gente curiosa! – Michele pediu.
- Por que o Micael não é fofo assim? – Mel reclamou.
- Peguei a plaquinha e...

Flashback on.

Sophia fala:

Li o que estava escrito.

“Para provar que é pra sempre, vá até a cozinha e pegue seu presente. Eu Te Amo.”

Entrei na cozinha e um pacote vermelho e pequeno estava na mesa de centro. Peguei-o e, em cima dele, preso no teto, havia outro bilhete.

“Esse anel pertenceu a minha bisavó e tem a tradição de ser entregue a pessoa que mais amamos no mundo. Bom, pelo que você deve ter percebido, essa pessoa é você.
Agora vá até a sala e descubra porque você é minha amada.
Aishiteru.”

Fui até a sala depois de colocar o anel no dedo e, embaixo de outro bilhete, um livro. Peguei-o e o abri. Dentro, fotos minhas de bebê – muito obrigado por dar essas fotos para qualquer estranho que ver passar na rua, mãe – até a última foto que havia tirado, minha com ele.
Chorando – é, eu sei – peguei o cartão e li.

“Peguei essas fotos com a sua mãe. Espero que não se importe. É só para provar porque eu te amo. Mas, como não amaria, com esse sorriso lindo?
Agora, por favor, pare de chorar e vá até o quarto de Thur subindo as escadas. Vai amor, não fica aí parada!
Ich Liebe Dich.”

Ri sozinha e subi as escadas, virando a direita e entrando no quarto de Thur. Lá dentro, em cima da cama, havia um pacote. Dessa vez, peguei primeiro o cartão.

“Ok. Admito. Eu adoraria se você vestisse isso, mas se você não quiser, tudo bem, eu supero.
Ou não.
Bom, vestida ou não, vá para o quarto do boneco Mário. Lá dentro encontrará um presente no armário.
Je T'aime.”.

Ri sozinha novamente. O boneco Mário era um boneco horroroso que uma menina apaixonada por Harry dera para ela no Natal passado – pelo menos foi o que Micael me contara.
Olhei para baixo e abri o pacote que estava em cima da cama. Nem pude acreditar quando vi dentro dele uma fantasia de enfermeira.
Tão Chay!
Pensei bem. O que custaria? Aliás, seria engraçado.
Coloquei a fantasia e me olhei no espelho. Tinha ficado legal.
Para uma puta.
Saí pelo corredor e entrei no quarto de Harry. Me aproximei do armário e fui envolvida por duas mãos nos meus olhos.

Flashback off.

Thur fala:

- HAHAHAHAHA! – eu, Micael e Harry rimos.
Enfermeira? Boneco Mário?
Totalmente Chay!
- Pera aí. Vocês fizeram alguma coisa no meu quarto? – Harry perguntou, incrédulo.
- Não, cacete. Eu não conseguiria com aqueles pôsters do Travis me olhando. – Chay respondeu, entortando a boca.
- Claro, e com os pôsters do Tom Delonge você consegue... – Micael disse, virando os olhos.
- Posso continuar, porra? – ele perguntou.
- Pode. – respondi.
- Aí...

Flashback on.

- Chay!? – ela perguntou, colocando as mãos por cima das minhas.
- Hey, não diz nada, minha enfermeira. – respondi, empurrando-a delicadamente porta afora.
Sophia riu baixinho.
Levei-a ao meu próprio quarto, quase babando em cima dela, hot demais naquela roupa branca de enfermeira.
Chegando lá, sussurrei no seu ouvido:
- Pronta?
Sophia pensou um pouco.
- Pronta.
Tirei as mãos de seus olhos.
Ela ficou parada, olhando para o quarto, muda. Esperei um pouco e coloquei a cabeça no seu ombro, sentindo o perfume dos seus cabelos.
- Gostou?
- Se eu gostei!? – ela exclamou, com a voz embargada.

Flashback off.

Lua fala:

- E aí, você gostou? – Michele perguntou.
- Posso terminar? – ela perguntou, irritada.
- Pode.
- Então eu respondi...

Flashback on.

- Chay! – exclamei, sentindo as lágrimas voltarem. – Está lindo! Você não precisava...
Olhei novamente para o chão, com uma trilha de pétalas de rosas vermelhas, que chegavam à cama, onde mais pétalas foram jogadas. Em cima dos móveis, velas rosas, vermelhas e laranjas, de todos os tamanhos, estavam acesas. Ao lado da cama, um balde com gelo, chapanhe e duas taças.
- Tudo bem, linda! – ele respondeu, me virando de frente para ele. – Por você eu sou capaz de tudo. Agora, você tem certeza que quer fazer isso?
Olhei em volta novamente. Estava tudo lindo. Mesmo.
Mas, ao observar bem, vi a peça chave de todo o mistério. O que me fez decidir por fazer realmente aquilo.
Ao lado da sua cama, no seu criado-mudo, havia uma foto minha, com uns 14 anos. Na época que meus cabelos eram ondulados e castanhos claros, um pouco a baixo dos ombros. Na foto, um coração em marca texto estava desenhado em volta do meu rosto e, embaixo, estava escrito: I love her.
Então eu me decidi.
Simples assim.
- Tenho. – respondi, beijando-o e o empurrando na cama.

Flashback off.

Thur fala:

- Ok, pode parar por aí! – pedi, gritando ao matar Chay no jogo. Ele jogou o controle longe e se jogou para trás, apoiando-se nas mãos atrás da cabeça e se espreguiçando.
- Foi a melhor noite da minha vida. – afirmou, sorrindo como idiota.








                                                                  58


Lua fala:

- Isso é tão emocionante! – Michele piou, olhando em volta com um sorriso bobo no rosto. 
- Emocionante? – Mel perguntou, emburrada. – Você realmente acha emocionante umas 4 mil garotas histéricas gritando os nomes dos nossos namorados? 
- Seus namorados. – a corrigi, como sempre. 
- Ai Melzinha, credo, que insegurança é essa? – Sophia perguntou, e eu concordei com a cabeça. 
- Relaxa, Melzinha, o Micael é meio bobão, mas ele te ama! – afirmei, roubando um chocolate da mesa do camarim dos meninos, que estavam lá fora gritando como mocinhas ao ver todas as fãs, socadas no DellRay, que gritavam seus nomes enlouquecidamente. – Sabe como é, nenhuma dessas fãs chega aos seus pés. 
- Quem ama quem? – Thur perguntou, entrando com tudo pela porta, sem olhar para mim. Apertei meu celular no bolso com força, lembrando a mim mesma a mensagem que recebera dele na noite passada. “Queria você aqui comigo. É difícil de admitir, mas eu preciso de você cada dia mais. Te amo!”. 
“Eu que te amo, porra!” fiquei com vontade de dizer. 
- Não interessa, Aguiar. – respondi, ao invés disso. 
- Tudo estava tão bem quando vocês fingiam que eram amigos... – Michele disse, revirando os olhos para nós dois. 
O negócio é que, depois do nosso pacto na chuva, voltamos a nos maltratar na frente dos nossos amigos. 
- Vocês viram quanta gente!? – ele perguntou, ignorando Michele. – Nunca imaginei que tantas meninas gritariam meu nome assim sem ser porque eu passei a mão nelas “acidentalmente”! Bem que Bob disse, mas eu meio que não acreditei que os ingressos estavam esgotados e... 
- Será mesmo que esgotou? – Michele perguntou. 
- Patrick disse que sim, e é o que parece. As meninas estão esmagadas ali embaixo! Tem, tipo, umas 4 mil fãs gritando nossos nomes ali! – ele respondeu, com os olhos brilhando. Seu olhar se encontrou com o meu e eu sorri rapidamente. 
- 4 mil meninas gatas, vadias e louquinhas para ficar com o MEU Micael! – Mel resmungou. 
- Não exagera, Melzinha. Acho que é uma coisa mais equilibrada, tipo umas mil pra cada um... – Thur brincou e Mel ficou mais emburrada ainda, se afundando de vez no sofá. 
- 5 minutos! Ai caralho! – Chay irrompeu pela porta com Micael e Harry atrás. – Agora eu sei o que vocês sentem quando ovulam! 
- Meu Deus, que coisa mais nojenta! – Michele exclamou, fazendo uma careta e jogando uma toalha branca e felpuda em Chay, que gargalhou. 
Continuamos a zoá-lo, e em meio as risadas, Micael percebeu Mel emburrada no sofá e foi conversar com ela. 
Ele a abraçou pelos ombros e falou algo baixinho em seu ouvido, enquanto ela só afirmava com a cabeça. Quando Patrick apareceu na porta do camarim para avisar que o show iria começar, ela parecia mais calma. 
- Nós vamos esperar aqui fora. – Sophia disse, percebendo que os meninos queriam ficar sozinhos com o empresário. 
Patrick fechou a porta e começou a falar alguma coisa para os meninos, que só murmuravam em resposta. Nós, lá fora, começávamos a ficar nervosas. 
Eles só ficaram alguns segundos lá dentro, mas para mim pareceu uma eternidade. Eu estava muito nervosa por Thur, porque era seu primeiro grande show. Eu não queria ver o cara que eu amava se dando mal em frente de todas as fãs. 
Ou queria? 
- Vamos? – Harry, visivelmente o mais calmo, perguntou para nós, ao sair do camarim. 
- Vamos aonde? – perguntei, saindo dos meus pensamentos. 
- Ué, vocês não vão assistir ao show do lado do palco? – ele perguntou, estranhando minha pergunta. 
Dã! 
- Ah, é, claro. – respondi, me lembrando. Eu estava tão nervosa que até me esquecera do que estava fazendo ali. 
- Vamos, meu baterista gostosão! – Michele exclamou, sumindo com Harry pelo corredor. 
- Ok. Palheta: no bolso. Cabelo: penteado. Zíper: fechado. – Chay ia conferindo tudo e se apalpando ao andar pelo corredor ao lado de Sophia. – Agora, onde eu deixei m... 
- Tá no palco, Chay, no palco... – Sophia suspirou, cortando-o porque era a terceira vez que ele perguntava onde estava seu instrumento. Os dois também sumiram pelo corredor. 
- ... Prometo, ok? – Micael continuava a falar baixinho com Mel, enquanto viraram o corredor atrás de Chay e Sophia.
Olhei para a porta e quase fui derrubada por Patrick, que murmurou algo como “desculpe” e saiu correndo pelo corredor. 
Enfim a sós. 
Com Thur.
Hum... 
- Nervoso? – perguntei, me apoiando na parede branca e áspera. Lancei-lhe um olhar sou-uma-moça-inocente e sorri. 
- Um pouco. – ele respondeu, com as mãos nos bolsos, me olhando com malícia no olhar. 
- O que foi? – perguntei, ainda bancando a inocente. Pisquei os olhos algumas vezes e ele soltou uma risada meio anasalada. Balançou a cabeça e sorriu torto. 
Ah, aquele sorriso torto... 
- Nada. – respondeu, ainda com o sorriso no rosto. – Nada. – repetiu. 
- Pode falar, Aguiar, porque estava me olhando desse jeito esquisito! – ordenei, e ele abaixou a cabeça, mas pude notar que suas bochechas ficaram vermelhas. 
- É só que... – ele parecia envergonhado, mas isso não o impediu de se aproximar de mim, ainda com as mãos nos bolsos. – É difícil olhar para você e não querer sorrir. 
Eu praticamente me desmanchei ali na frente dele, depois daquele comentário. 
- Digo o mesmo. – respondi, andando até onde ele havia parado, no meio do caminho. Peguei suas mãos e as coloquei nos meus ombros. – Você vai apaixonar todas as meninas que estiverem no show hoje. 
- Por isso que é bom ser o único da banda solteiro... – ele disse, dando uma de garanhão e virando os olhos. Dei um tapa ardido no seu braço e ele gargalhou. – Brincadeira, amor, brincadeira! 
- Bom, então vai lá e arrasa M-E-N-I-N-A! – eu brinquei, apertando as bochechas dele, que sorriu e beijou a ponta do meu nariz. 
- Claro que sim, eu tenho que fazer bonito na frente da minha garota! - ele sussurrou no meu ouvido, e logo em seguida deu um pulo para trás ao ouvir a voz de Chay ecoar do outro lado do corredor: 
- Thur!? Você quer mesmo que as meninas derrubem a grade de segurança!? 
Ele riu de um jeito completamente fofo e apaixonante e foi em direção a Chay, não sem antes fazer um coração com as duas mãos no ar para mim. 
Olhei abobalhada para ele. 
Alguém conseguia ser mais perfeito?








                                                     59

Thur fala:

- E AÍ, DELLRAY! – Micael gritou ao microfone, fazendo todas as fãs gritarem alucinadamente. – COMO VOCÊS ESTÃO HOJE À NOITE? – mais gritaria. – AGORA EU QUERO OUVIR TODO MUNDO FAZENDO BARULHO COM FIVE COLOURS IN HER HAAAIR! 
Mais gritos. E mais gritos. E MUITO mais gritos. 
Olhei para Chay assustado. Como aquelas meninas conseguiam gritar tão alto daquele jeito? Desviei os olhos dele e olhei para o público enquanto cantava. Meninas – algumas bonitas, outras não – chorando, gritando, cantando, pulando... Mas todas com um só propósito: pegar um McLoser. 
- E aí, Thur, o que está achando das nossas fãs hoje? – Chay perguntou no microfone, depois que acabamos de tocar Five Colours. 
Para quem nunca tinha feito um show grande, até que nós estávamos indo bem. 
Mas é claro que Patrick teve uma boa contribuição nisso. 
“Não vomitem. Pega mal. Sério.”. 
- Eu acho que elas são as melhores fãs que já existiram! – gritei de volta. 
E esse comentário terminou em – te dou um chocolate se você acertar: isso mesmo que você pensou... Gritos. 
- Bom, eu concordo com você, Thur. – Micael entrou no meio da conversa. – E você Harry? 
- Eu amo minhas fãs. – Harry gritou de um jeito engraçado no microfone preso a bateria. – E amo o Chay!
- Eu também te amo, Harry. – Chay respondeu, rindo. 
- E eu? Ninguém me ama? – perguntei, aparentemente magoado. 
- Não. – Micael respondeu, fazendo os outros – e todas as meninas – rirem. Algumas até gritaram: “EU TE AMO!” para mim. – Bom, essa música eu dedico à minha namorada, Mel, que está ali do lado do palco. – Micael continuou, apontando para onde Mel estava escondida, que somente sorriu de um jeito engraçado e se escondeu atrás das outras meninas. – É um cover do Beatles, e se chama And I Love Her. Melzinha, minha bobinha ciumenta, eu amo você e é pra sempre! 
Todas as meninas na platéia – claro, aquelas que não quase espumaram de raiva – fizeram: “aaaaaah!” e Mel gargalhou do lado do palco, com os olhos brilhando de admiração. 
- Ah Micael! Que coisa mais romântica! – exclamei de um jeito bem gay, antes de começar a tocar, fazendo as fãs rirem. 
Micael olhou para Mel com cara de bobo a música inteira, e eu o imitava, fazendo Chay morrer de rir. 
O show foi tranqüilo, sem nenhum atentado terrorista de nenhuma das meninas. Ao final, recebemos algumas fãs no camarim, mas nada muito EU TE AMOOOO, AAAAAH! Elas foram como qualquer fã normal. Sabe como é, tiraram fotos, pediram autógrafo, passaram a mão e essas coisas. 
- Sei lá, acho que ela não era realmente loira... – Michele dizia, entrando no carro de Harry, que estava estacionado atrás do DellRay, depois do show. Iríamos divididos para casa. Eu, Lua, – mais que ironia – Michele e Harry no carro de Harry e Chay, Sophia, Mel e Micael no carro de Micael. – Aposto 10 pratas que ela não era loira. 
- Claro que era loira, cabeção! – Harry disse, dando um tapa de leve na cabeça de Michele. – Você não viu a cor da sobrancelha dela? 
- Ai cabeção! – Michele repetiu o gesto, fazendo Harry rir. – Você não sabe que dá pra pintar as sobrancelhas? 
- Meu Deus, vocês são o casal mais chato do mundo! – Lua exclamou, rindo. 
Michele e Harry discutiam sobre uma fã que ficara dando em cima de Chay, que, por sua vez, se agarrou em Sophia e não soltou mais, aparentemente com medo da menina. 
- Ok, o que acham de pedirmos uma pizza? – Harry sugeriu, dando partida no carro e seguindo Micael pela rua. 
- Pizza! – eu e Lua exclamamos ao mesmo tempo. Olhei para ela com a sobrancelha levantada, que deu de ombros. Por dentro, e isso eu pude sentir, ela se segurava para não rir. 
- E pizza será! – Michele disse, ligando o rádio. 
Chegamos em casa e pedimos a pizza, que chegou alguns minutos depois. Eu e Lua éramos os mais esfomeados, e meio que comemos uma pizza inteira. 
- Meu Deus! Não é à toa que vocês vivem brigando! Imagina se vocês namorassem. Tipo: “Sai, Thur, esse pedaço de pizza é meu!”. – Sophia comentou, horrorizada, apontando para a caixa de pizza vazia que eu e Lua comemos. 
Eu olhei para ela e sorri tímido, abaixando os olhos. Lua, ao meu lado, ficou em silêncio. Mas era meio o que acontecia toda vez que comentavam sobre nós dois. 
Ah, se eles soubessem! 
Mas sabe que esse negócio de ficar mentindo estava me transformando em um ótimo ator e todas essas merdas. 
Hollywood, me aguarde! 
- Hey, vocês, venham ver isso! – Micael gritou do computador, algum tempo depois da sessão vamos-falar-sobre-Lua-e-Thur, atrapalhando nossa sessão “piadas de pontinhos”. 
Ótimo. Lá vamos nós de novo! 
Nos levantamos, já ansiosos pelo o que iríamos encontrar lá. Ao chegar no computador, encontramos o Conte Seu Babado – supresa! – aberto e uma foto piscando no monitor. 
Era uma foto do McFLY com algumas fãs. Com quatro fãs para ser mais exato. A ordem da foto era Harry abraçado – meio de lado, como se estivesse em uma conversa super interessante com a garota – a uma morena. Ao lado da morena uma ruiva – que sorria mais do que a sala podia suportar, me fazendo sorrir também, porque, dude, aquela era realmente minha fã – abraçada a mim. Ao seu lado, Micael abraçava – e olhava interessado para o decote dela – uma morena com as pontas dos cabelos mais claros e, ao lado dela, Chay abraçado à loira que ficou dando em cima dele. 
Embaixo da foto, outro post. 

“Como vão, coisas fofas? Tudo bem? Comigo está tudo ótimo, caso vocês queiram saber. Os negócios estão indo de vento em polpa! 
Mas ignoremos as formalidades e falemos sobre os novos rockstar do nosso colégio. Os gostosos do McFLY! 
Na foto, como vocês podem ver, são eles e algumas fãs. Mas que relação ‘próxima’ com elas, eim? Foram as próprias meninas que me mandaram essa foto! 
Não é uma graça? 
Ali do lado esquerdo, Harry e Melody. Parece que os dois estão muito bem entretidos, eim? Ao lado de Melody, Jennifer e Thur. Agora, quem está mais feliz na foto? Eu não sei... Ao lado de Thur, Micael, Mandy e os olhos de Micael no decote de Mandy. Hahahaha. Mas que feio, eim sr. Borges! E ao lado de Mandy, Elise e Chay. Elise? Elise... Não foi ela que ficou o show inteiro segurando um cartaz ‘Chay, casa comigo?’. 
Hum, parece que sim... 
Agora, vocês devem – ou não – estar se perguntando: qual é a grande fofoca dessa foto? 
O problema, meus lindos, como vocês já devem saber em meio às fofocas que circulam em nosso respeitável instituto de educação, é que os meninos têm namorada!!! 
É... Sophia, Mel, Michele e Bella? – se bem que Bella é mais ou menos um estepe, mas vamos considerar que sim. – Se eu fosse vocês, cuidaria mais dos seus homens! 
Sabe que eu acho que foi exatamente por isso que Lua deu um pé bem dado na bunda do Aguiar?
Provavelmente alguém não agüenta o ciúmeees. 
Ah, e por falar nos garotos do McFLY, tenho um recado especial para você-sabe-quem. 
Pista 1 – Você conversa comigo quase todos os dias. Nós somos até que próximos. De um jeito diferente, mas somos.
Beijos para as meninas e para os meninos também! 
XXOO.” 

Terminei de ler e olhei para Mel, que estava com a boca ligeramente aberta. Virei meu rosto para Micael e ele estava com as sobrancelhas unidas, com um rosto legal-agora-eu-me-ferrei. 
- Hum. – murmurei, porque, bem, foi a única coisa que eu consegui fazer. – Olha. Minha primeira pista! – exclamei, tentando cortar o silêncio da sala. 
- Micael. Por que você estava olhando para o decote da menina? – Mel perguntou, ignorando meu comentário e se virando para ele. Micael se curvou como se tivesse tomado um soco no estômago e respondeu: 
- Amor, veja bem, eu... 
- Você e eu. Lá em cima. Agora. – ela disse, marchando em direção à escada. 
Micael nos lançou um olhar foi-bom-conhecer-vocês e foi atrás de Mel, como um cachorrinho. Olhei para Michele, que parecia não ter se importado com a foto e já estava conversando sobre Et's com Harry. Et's? 
Quem conversa sobre Et's com a namorada? 
Principalmente depois de ter visto uma foto completamente alheia ao assunto? 
Mas bom, deixa pra lá, meus amigos eram meio estranhos mesmo... 
Sophia também não pareceu ligar. Na verdade, estava rindo dos dentes tortos da loira que estava com Chay, que também ria, aliviado. 
Olhei por último para Lua, que levantou a sobrancelha e foi até a cozinha. Entendendo o recado, disfarcei um pouco e fui atrás. 
- Hum... – disse, ao entrar. – Você ficou chateada? – perguntei, me apoiando na bancada ao seu lado. Ela sorriu e tomou um gole de Coca. 
- Não, Thur. Só quero saber quando você vai terminar com Bella. – ela respondeu, virando outro gole. – Só isso. Suas fãs não me preocupam. 
- Segunda. E você, quando vai terminar com o Josh? 
- Segunda. 
Ficamos em silêncio, nos analisando. 
- GENTE! VENHAM VER ISSO! – Chay exclamou, entrando na cozinha. Tomei um susto e Lua sorriu torto. – Luinha e Thur juntos sem se matar! – ele esclareceu, quando Sophia, Harry e Michele se juntaram a nós. 
- Ah, vai se foder, Suede... – ela disse, mordendo a bochecha de Chay, que sorriu e mordeu a dela. 
Ficamos por ali até uma e pouco da manhã, falando besteira e – novamente – combinando nossas férias, que seriam dali duas semanas. 
- Tchau para os que ficam! – Sophia exclamou, dando um selinho no namorado e um beijo no meu rosto, no de Harry e no de Micael – que havia descido com Mel meio pálido, mas já estava bem com ela. Pelo menos foi o que pareceu. – Até amanhã! 
- Amanhã nós temos show de novo. – eu informei. 
- E quem disse que nós não vamos? – Michele perguntou, fazendo uma careta e roubando a barra de chocolate que Harry comia. 
- É, se vocês forem ficar dando em cima de suas fãs, nós temos que estar por perto para zoar elas. – Sophia concordou e Mel riu. 
- Ok, não agüento mais olhar pra cara de vocês! – disse, empurrando as meninas pela porta. – Até amanhã! 
- Até amanhã, seu mal comido! – Mel disse, e elas entraram no carro de Harry, que as levaria para casa. Aproveitando que elas se estapeavam para ver quem ia na frente – e quem iria escolher os Cd's – peguei meu celular e mandei uma mensagem para Lua, que chegou enquanto Harry ainda ligava o carro e se defendia as unhadas entre si das meninas. 
“Boa noite, princesa!” 
Ela respondeu, gargalhando ao escrever no celular. 
“Princesa? Que coisa mais brega, Aguiar! Mas boa noite mesmo assim, meu príncipe!” 
Sorri. 
- É a Bella, dude? – Chay perguntou, apontando para o meu celular. 
- Não. – respondi, guardando-o. – É alguém bem melhor.








                                   60

Lua fala:

Entrei em casa na ponta dos pés para não acordar minha mãe, porque ela odiava ser acordada no meio da noite. Ela voltara mais cedo de sua viagem, e eu agradeci aos céus por ela não ter voltado antes e visto a festa que eu havia dado. 
Rosa ainda não havia chegado, então éramos só nós duas na casa. 
Passei pela cozinha e parei, ao ver uma neblina sair de lá dentro. E antes que eu pudesse correr escada acima, ouvi minha mãe me chamar de dentro dela: 
- Lua, pode vir aqui? 
Opa. 
Mãe. 
Na cozinha. 
Fumando. 
De madrugada. 
Coisa boa não era. 
- Desculpe, mãe, eu prometo que amanhã eu chego cedo! É que os meninos fizeram o primeiro grande show deles e... – tentei explicar, mas ela me cortou. 
- Não é nada disso. Eu preciso... – ela parou de falar para tragar seu cigarro. – Falar com você. Sobre algo. E é importante. 
- Tudo bem. Estou toda a ouvidos. – respondi, com receio do que seria. Minha mãe só fumava quando algo estava realmente errado. 
Entrei na cozinha e olhei para ela, de costas para mim, que não se virou e continuou falando: 
- Não sei se você algum dia vai me perdoar por te contar isso só agora, sendo que eu sei disso há meses. Mas agora não é hora de se arrepender... Bom, eu vou direto ao ponto. – então ela se virou, e eu me assustei ao ver seus olhos inchados e vermelhos. – Querida... – lágrimas caíram por sua bochecha. – Seu pai está voltando para o país. Daqui a pouco. Com... – agora as lágrimas caíam sem que ela pudesse controlar. – Com Ryan. 
Respirei fundo, tentando processar o que tinha ouvido. 
Meu pai. 
Com Ryan. 
Voltando. 
- C-como assim? – gaguejei, não processando muito bem a informação. 
Eu acabara de ouvir minha mãe pronunciar o nome do meu irmão? 
- Querida, há alguns meses seu pai vem me ligando, dizendo que iria voltar. E eu não acreditei nele, por isso te privei desse sofrimento desnecessário. Mas... Mas hoje ele me ligou e disse que estava embarcando com Ryan para ver você. E que não iria mais embora. Que iria ficar aqui no país com Ryan. 
Fiquei em silêncio, olhando para ela e pedindo para que aquilo fosse algum tipo de brincadeira. 
Mas ela não estava exatamente no humor para brincar. 
- Querida, por favor, fale alguma coisa! – ela pediu, se aproximando de mim e pegando meu pulso. Olhei para baixo e a verdade me atingiu em cheio.
Meu pai estava voltando.
Com Ryan. 
Olhei para a mão da minha mãe que segurava meu pulso e a repeli, com nojo. 
Até pouco tempo eu estava feliz, com o cara que eu amava, e logo depois eu recebo uma notícia daquelas da pessoa que eu mais confiava no mundo? 
Senti uma bola se formar na minha garganta. 
- Lua? – ela pediu mais uma vez, segurando meu braço novamente. O repeli também, agora com uma mistuta de nojo com ódio. 
Ódio por ela ter mentido daquele jeito para mim. 
- Por favor, eu fiz isso para seu bem! – ela tentou pela última vez que eu dissesse algo, soluçando e não impedindo as lágriamas que corriam por seu rosto. 
- Para o meu bem? – juntei forças que jurei não ter para conseguir dizer. E então as palavras começaram a correr para fora da minha boca. – PARA O MEU BEM? – repeti, gritando. – MEU PAI E MEU IRMÃO VOLTAM DEPOIS DE 8 ANOS LONGE E VOCÊ SÓ ME AVISA NA HORA QUE ISSO VAI ACONTECER? – continuei gritando, agora sentindo lágrimas se formarem embaixo dos meus olhos. – MÃE! – me curvei, como se uma espada tivesse furado meu estômago. As lágrimas começaram a rolar pelo meu rosto. De repente, não tinha mais forças para gritar. – Mãe... – repeti, soluçando. – Eu não quero vê-los! Eu não quero... Eu não posso... – sussurrei, com as mãos no estômago, sentindo uma dor incomparável. 
- Me perdoe. Por favor, querida, me perdoe... – ela pediu, com a voz desesperada, envolvendo seus braços no meu cabelo e me encostando em seu peito. – Eu nunca quis que você sofresse. Eu nunca quis... 
Fiquei ali, chorando abraçada a ela, que passava a mão por meus cabelos e também chorava, sentida. 
Mas depois de algum tempo, o ódio me dominou por completo. Desvencilhei-me dos seus braços e fiquei em pé, limpando as lágrimas com as costas da mão. 
- Você mentiu para mim, mãe. Você prometeu que eles não voltariam. Você prometeu que eu nunca mais iria sofrer assim. Você é uma mentirosa. – eu disse com uma voz séria, baixa e irada, despejando toda minha raiva em cima dela, que arregalou os olhos e ficou me olhando. 
- Eu sei, eu sei que prometi, mas eu não pude fazer nada, eu... – ela gaguejou, olhando no fundo dos meus olhos e se assustando com a intensidade com que eles a fitavam. 
Não posso culpá-la. Até eu estava assustada com que o que estava sentindo. 
- Eu te odeio. – disse por fim, cuspindo as palavras que estavam entaladas na minha garganta. 
Minha mãe soltou um gritinho acompanhado de um soluço, e voltou a chorar, com as mãos enterradas no rosto. Mas não esperei resposta e nem fiquei por lá para me arrepender. Fui até a sala, peguei meu blusão da GAP. E quando dei por mim, estava correndo pela rua, sem rumo. 
Corria como se pudesse esquecer os problemas. Como se a única coisa que existisse no mundo fossem minhas pernas embaixo de mim. A sensação me deixava segura, mas logo me cansei. Cansei de tentar esquecer dos problemas quando eles estavam ali, batendo à minha porta. Cansei de me fazer de forte, quando o que eu mais queria era parar o mundo e descer. 
Nem sei por quanto tempo corri, mas deve ter sido muito, porque quando parei, estava na frente da casa dos meninos. Olhei para a janela da frente e meu coração deu um pulo diferente dentro do peito, um pulo gostoso, como sempre dava ao me lembrar dele. 
Ele. O cara da minha vida. A única pessoa com quem eu me sentia segura o suficiente para conversar, contar coisas da minha vida e rir. 
Rir. 
Eu estava precisando rir. 
Agora eu soluçava baixinho e não conseguia me controlar. E suspeitei que não conseguiria sozinha. Por isso, agachei-me, peguei algumas pedrinhas no chão e me dirigi à janela da frente. 
Eu sabia que ele me entederia e me ajudaria. 
E, naquele momento, percebi porque eu precisava tanto dele que chegava a doer. Na verdade, Thur, além de ser o cara que eu amava, era o meu porto seguro.


Continua.....

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