Capítulo 9
—Lua — disse uma voz melancólica da entrada. —Não está na hora da janta? Estou
morrendo de fome.
Lua piscou, e com um esforço palpável, tirou o olhar do dele.
—Dez minutos, John. Diga aos outros - e lembre-se de lavar as mãos e o rosto.
Ele ficou na cama, escutando o ruído de talheres e instruções baixas enquanto Lua
supervisionava as meninas botando a mesa.
—Eu levarei a bandeja para o Sr. ?
Houve uma conversa baixa que ele não pôde pegar e então as cortinas se separaram e
Lua estava lá com uma bandeja. O tecido do vestido e do avental dela estavam apertados
sobre os seios.
Eles estavam, ele viu, excitados ainda, exatamente como ele.
Sob a observação fixa dele, as bochechas dela levemente coradas passaram para um rubor
selvagem, mas o queixo dela estava erguido bem alto. Ela encontrou o olhar dele com um olhar
firme, e disse tranquilamente: — Por favor, não flerte comigo. Eu não posso… ficar de namorico
quando tenho as crianças para cuidar.
Ela não estava pedindo a cooperação dele, estava declarando suas condições: saia da linha e
será banido para o vicariato.
Ele anuiu com a cabeça e com um esforço arrastou o olhar para longe. Havia também, ele
suspeitou, uma admissão não dita de que ela estava tentada. Um cavalheiro respeitaria isto. Um libertino não. Ele se perguntou o que ele provaria ser.
Espero que você goste de guisado de coelho - e não se preocupe, é legal. Sir
Jasper deu a permissão aos meninos para — ela cessou bruscamente, então acrescentou como
que para si mesma — suponho que isto também está mudado. — ela ergueu a colher.
—Eu posso me alimentar— ele disse firmemente. —Uma colher não é tão perigosa quanto
uma navalha, e isto não é tão líquido quanto sopa. Além disso, me sinto muito melhor agora. —
Ele acrescentou deliberadamente: — desde que me barbeei.
Ela deu a ele um olhar afiado.
Ele sorriu com ingenuidade de volta.
O rubor selvagem dela aumentou e ela o deixou. O guisado era simples, mas delicioso. Ele
comeu devagar. Do lado de fora das cortinas, ele podia ouvir todos comendo e discutindo os
eventos do dia. As crianças se revezaram contando os eventos, houve riso e até um pouco de
provocação amigável. Era como nenhum jantar de família que ele já houvesse experimentado.
Quando ele era menino, ele e Chay comiam na maior parte das vezes no berçário,
supervisionados ao longo dos anos por uma série de indivíduos severamente engomados, todos
com o nome de Babá, uma diferente a cada ano. Mais cedo ou mais tarde a mãe dele sempre
achava alguma falta na Babá atual, e uma nova tomava seu lugar, tão rígida e mal humorada
quanto à última. A mãe dele não gostava de competição pelo afeto de seus meninos.
Mas aqui, fora desta cortina, ele podia ouvi-la perguntando a cada criança sobre o seu dia, e
havia o recontar entusiástico das histórias, contradições e risos. Risos na mesa de jantar! O pai
dele teria...
Ele congelou. Com um ruído a colher caiu de seus dedos enervados.
Pai? Mãe? Chay?
A memória dele estava voltando.
—Você está bem, Sr.?— Ela perguntou.
—Sim, obrigado, só um pouco desajeitado— ele conseguiu responder.
Ele se lembrou… do quê? Ele fechou os olhos e tentou pensar, tentou se lembrar. Quem ele
era? Qual era seu nome?
Mas os buracos de queijo suíço em sua mente ainda permaneciam. Estava tudo lá, ele sabia,oscilando tentadoramente logo fora de alcance, como algo no canto do olho que desaparece no
momento em que se gira para olhar diretamente para ele.
Mas ele havia se lembrado de algo. Pessoas. A família dele. Ele tinha pais e um irmão
chamado Chay.
Qual era o nome do pai dele? E onde era esse berçário? Ele podia ver com os olhos da
mente, um quarto longo, em uma casa cinza grande. No lado ocidental, onde à tarde se pode ficar
à janela e assistir o sol se por. Olhando acima de um parque em direção a uma floresta. E além
dela, montanhas.
O nome estava na ponta da língua.
Continua.....
Créditos : CFC


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