Capitulo 13 Ao 14 parte 1
Ela se curvou para puxar a forragem e a camisola apertada sobre os quadris. O corpo dele
respondeu imediatamente.
—Estou fazendo a minha cama. E então, como diz o ditado, vou deitar e rolar.
—Você não fará nada disso!
—Essa é a minha casa, Sr. Ridder, e eu dormirei onde quiser.
—Você congelará nesse chão de pedra.
Ela sacudiu de volta uma colcha.
—Não está tão frio quanto nas últimas duas noites. Eu ficarei bem.
—Eu não permitirei isto.
—Permitir?— Ela deu a ele um olhar frio. —Você se esquece, senhor.
—Eu me esqueço de muitas coisas, mas não me esqueço das minhas obrigações como
cavalheiro — ele disse severamente. Ele sacudiu de volta a roupa da cama, cada pensamento de
sedução ido, e balançou as pernas para o lado.
—O que você está fazendo?
—Se você pensa que eu vou deixar uma mulher dormir no chão frio e duro enquanto eu
durmo na cama, você está muito enganada. — Ele tocou o tornozelo ferido no chão e estremeceu.
—Pare! O médico disse que se você tentasse usar o tornozelo, poderia ficar aleijado!
—É você quem decide— ele disse a ela. —Se você persistir nesta tolice de dormir no chão,
então eu não tenho nenhuma escolha a não ser dormir lá. — Ele fez um movimento como se fosse
ficar de pé.
—Pare!— Ela o encarou, frustrada.
Ele a encarou de volta.
—Você é tão teimoso!— Ela disse afinal.
Ele podia sentir cheiro de uma futura lista de objeções.
— O roto falando do esfarrapado.
Ela cerrou as mãos.
—Ficarei perfeitamente bem no chão.
—Eu também. Enquanto isso, o chão de pedra está congelando os dedos dos pés.
Os dedos em questão enrolaram sob o olhar dele e ela andou sobre o tapete próximo.
— Se eles estiverem frios, é sua culpa por me manter fora da minha cama.
—Eu não estou te mantendo fora da sua cama— ele disse. E acenou com a mão. —Aqui está,
todo morno e esperando por você.
—Você deve saber que eu não posso compartilhar uma cama com você.
—Por que não? Você fez isso nas duas últimas noites, e saiu incólume. De fato, eu sugeriria
que você dormiu melhor comigo na cama. Você estava certamente mais morna.
—Como você pode saber disso?
Ele anuiu com a cabeça em direção aos pés dela.
—Seus pés estavam meio congelados na primeira noite quando você veio para a cama. Você
os descongelou na minha canela.
Ela corou.
—Eu não fiz isso.
Ele sorriu amplamente.
—Essa parte do passado eu me lembro, muito claramente. Como pequenos blocos de gelo.
Me acordaram.
Houve um silêncio longo. Ela parou, indecisa.
Ele tentou soar tão desinteressado quanto possível.
—Você sabe que é a solução mais sensata. Que bem faria se você ou as crianças apanhassem
um resfriado?
Ela mordeu o lábio.
—Vamos— ele disse com a voz persuasiva. —Prometo ser um cavalheiro. E você pode trazer
a Muralha de Adriano com você. — Ele acrescentou com remorso: — Ainda que eu quisesse te
seduzir, no estado em que me encontro, você poderia me afastar facilmente. Uma porrada na
cabeça e eu apagaria como uma vela com o vento. — E isto, infelizmente, era verdade.
—Muito bem— ela disse, e ele recuou para dar lugar a ela. —Mas ninguém deve descobrir.
Continua ....
CAPITULO 14
Se descobrirem…
—Como alguém descobriria? Eu não direi a ninguém, e se o vigário perguntar a você, você
continuará a mentir para ele, da mesma maneira que fez hoje.
—Eu não menti para ele— ela disse indignada. —Eu disse a ele que fiz uma cama no chão, e
eu fiz isso.
—Sim, você meramente omitiu a parte de não dormir nela. Perfeitamente comum. E você
compôs a cama no chão hoje à noite, como disse que faria, então pare de pular sobre o chão de
pedra fria e entre na cama.
Ela agarrou uma colcha da cama no chão, revirou a Muralha de Adriano e subiu atrás dela.
Ela puxou a roupa de cama sobre si, tremendo.
—Veja, você está meio congelada— ele disse, e colocou os braços ao redor dela e da
Muralha de Adriano.
—Pare com isto— ela disse, mas ele sabia dizer quando ouvia uma objeção indiferente.
—Você pode aquecer os seus pés contra as minhas pernas se quiser — ele a convidou. O
odor fresco e distintivo dela e seu sabão provocavam as narinas dele.
Ela deu uma pequena bufada e não se moveu.
—Você está contente, não é? — Ela disse zangada.
—É a única escolha lógica. — Ele não podia manter a satisfação longe da voz. A promessa
cavalheiresca dele definitivamente diminuiu a velocidade de seus planos de sedução. Assim como
a sua cabeça dolorida, e havia mais do que uma maneira de seduzir uma mulher…
Depois de um tempo ela parou de tremer.
—Eu te disse— ele murmurou. —Toda morna.
—As costelas não estão te machucando?— Ela perguntou com a voz suave.
—Não, nem um pouco... eei! O que foi isso?— Ela havia enfiado um braço sob a Muralha de
Adriano e o acotovelado nas costelas, duro.
—Por ser teimoso, manipulador e impossível— ela ronronou. —E por se regozijar. Boa noite,
Bons sonhos.
Lua sorriu enquanto fechava os olhos. Ele havia merecido, ela disse a si mesma. Ele a
chantageou a entrar na cama dela. A cama dela. E enquanto ela subia na cama havia pegado um cintilar, sob a luz do fogo, de um sorriso branco triunfante.E quanto aos braços dele ao redor dela, puxando-a contra seu corpo longo e firme, a
Muralha de Adriano era alguma proteção, mas não muita. Ela tentou afastá-lo, mas ela estava tão
fria e ele era tão morno que era mais fácil não resistir mais.
Não era apenas o frio, ela admitiu para si mesma. Tendo os braços dele ao redor dela,
compartilhando uma cama, era… adorável. Ela se sentia morna, protegida, e menos solitária do
que se sentiu por muito, muito tempo.
Os pés dela ainda estavam frios, mas ela estava se movendo quando sentiu um movimento
dissimulado na cama. Ela fingiu sono, curiosa para ver o que ele iria aprontar, pronta para expulsar
um avanço libertino.
Um pé grande e morno escavou por baixo da colcha que os separava. Ele o enganchou ao redor dos pés dela e lentamente puxou-os em direção a ele. Atraída pelo calor gerado pelo corpo
dele, ela deixou os pés serem levados e aquecidos entre as canelas dele.
Ela não sabia se ria ou se chorava. Ele era um diabo malvado e sedutor, com certeza,
aquecendo os pés dela em segredo.
Ela adormeceu com um sorriso no rosto.
Capitulo 14 parte 1
Tum! Tum!
Os olhos de Lua abriram de repente. Uma sensação doentia no estômago. De novo não.
Tum! Tum! A porta contorcia contra as dobradiças, mas o parafuso novo segurava bem. Um
gemido baixo veio de fora. Sobrenatural. Apavorante.
Uma sombra apareceu na janela. Um vulto contra o vidro, um arranhar de garras. Os cabelos
da nuca dela arrepiaram. O gemido ergueu, mais e mais alto, até que acabou com um grito agudo
mortal. O som repugnante a fez estremecer. O arranhar frenético continuou. O vidro não podia
aguentar muito mais, ela pensou. A qualquer momento se quebraria.
O homem na cama dela se sentou.
—Que diabo de barulho infernal é esse?
—Nada— ela murmurou. —Volte a dormir. — Ele era um inválido. Não podia ajudar. Ela
estava tremendo. Com ira, ela disse a si mesma. E com medo doentio, desesperado.
Ela agarrou a frigideira que mantinha sob o colchão e começou a deslizar para fora das
coberturas. Dedos de ferro a agarraram.
—Nada, uma ova. Onde você está indo com isto? Qual é o problema?
—Não é nenhum problema— ela insistiu. —Apenas alguém tentando me assustar e as
crianças. — Ele poderia ser um inválido, mas oh, ter alguém lá com ela era reconfortante.
—Como você sabe?
—Não é a primeira vez que isso acontece — ela disse laconicamente, olhando para onde os
sons estavam vindo.
Outro uivo sobrenatural quebrou a noite, e o arranhar na janela começou novamente, um
grito agudo de fazer os dentes tremerem. As placas de vidro rangiam sob o ataque.
—De novo, Lua ? — Uma voz baixa e tremendo sussurrou dos degraus.
Oh, Deus, as crianças…
John e Jane estavam a meio caminho nos degraus, pálidos como fantasmas, os rostinhos
comprimidos e apavorados. Ainda assim resolutos de partir o coração. Hora de enfrentar dragões
reais desta vez. Com mãos tremendo, John agarrou a faca de caça que seu pai havia dado a ele.
Jane também tremia como uma folha, mas pegou um rolo de massas de maneira firme.
Atrás deles nos degraus, Susan estava agachada, os braços ao redor de Lucy, que estava
soluçando quieta. Henry estava de pé com os braços protetoramente ao redor das irmãs. Um garotinho de oito anos tentando ser homem.
A ira expulsou o pior do medo de Lua . As crianças não deviam ser envolvidas nisso.
—Não se preocupem— ela disse com o tom mais firme de voz que conseguiu. —Ele não
pode entrar. Ele é apenas um homem sórdido tentando nos assustar.
—E se ele quebrar o vidro?— Jane sussurrou.
—Então eu o baterei na cabeça com esta frigideira— Lua disse ferozmente.
Nas primeiras vezes em que o atormentador havia entrado à noite, ela esteve muito
apavorada para se mover. Ela havia se amontoado com as crianças, esperando que a criatura
entrasse, preparada para uma briga.
Essa era a quarta visita noturna, mas ele nunca entrava. Ela não era mais tão assustador.
A janela escureceu e um rosto perscrutou. As crianças gritaram. Era horripilante. Ele - ou a
coisa - era sem cara. A figura usava uma bata e um capuz, como um monge, mas onde seu rosto
deveria estar não havia… nada. Vazio. Em branco, branco. E gemeu, como algo fora do sepulcro,
dedos brancos arranhando o vidro em ambos os lados do capuz sem rosto.
—É um truque— Lua disse furiosamente. —Ele está tentando nos assustar, vestindo algo
como gaze ou tecido de algodão sobre o rosto e usando uma lanterna escondida. John, você fez a
mesma coisa uma vez no Dia das Bruxas, lembra? Ele não é um fantasma, apenas uma criatura
bestial que pensa que pode nos assustar. Bem, ELE NÃO ME ASSUSTA!— Ela gritou contra a janela.
Era uma mentira. Ela estava tremendo como uma folha.
—Há uma arma na minha bolsa— o Sr. retrucou. —Vá buscá-la!
Ela deu a ele um olhar surpreso.
—Uma arma?
—Como ele pensa que você está só e desprotegida, apenas com rolos de massas e frigideiras
para se defender, ele não será parado. Mas se ele pensar que você tem uma arma…
Ela correu para ir buscar a pistola.
—Tome as crianças e espere lá em cima— ele disse a ela.
—Não, esse é um problema meu. — Ela não iria correr, se esconder e deixar um homem
doente - um estranho - defendê-la. Essa era a casa dela.
—Pode ricochetar.
—Oh, entendo. — Ela hesitou de repente com a possibilidade de matar um homem assim. —
Eu não me importo se você o ferir, mas não o quero morto.
—Por que não?
—Porque quero descobrir por que ele está fazendo isto. E se você quebrar a janela,
congelaremos.
Ele encolheu os ombros.
—Muito bem. Agora tire as crianças do caminho.
Ela agarrou um cobertor e reuniu as crianças. Eles se abaixaram nos degraus, amontoadas
sob o cobertor, assistindo sem respirar.
Novamente, a figura apertou seu rosto torcido transparente contra os vidros. Criatura vil! Os
braços de Lua apertaram em torno dos corpos pequenos tremendo.
Continua...
Créditos : CFC


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