Lua fala:
- Direto e reto para o Barney's! - Michele exclamou. Ela estava sentada atrás de Harry com as mãos nos seus ombros, fazendo uma pseudo massagem nele. Deu um tapinha na sua cabeça, como se ele fosse um cavalinho, e ele deu partida.
Já haviam se passado duas semana desde o acordo com os McGuys – nós os chamávamos assim agora – e nós estávamos criando laços de amizade.
Principalmente porque eles pagavam nossos sorvetes.
- Acho que nós temos que parar com isso! - Micael disse, apertando a barriga de Mel, que fez “Squick!” de brincadeira. - Vocês já estão ficando gordinhas!
- Vai dizer que você não pegava a gordinha aí? - falei para Micael, que não respondeu nada.
- Vão ao jogo hoje? - Sophia perguntou, mudando de assunto.
- Não, baby Sô, hoje vamos criar juízo e ensaiar um pouco. - Chay respondeu, colocando o bom e velho Beatles para tocar.
- Qualquer dia desses queria ver o ensaio de vocês... - eu disse, distraída. - Sabe como é, para ver se vocês são muito ruins ou só ruins.
Chay olhou para Thur, que olhou para Micael, que olhou para Harry, que não olhou para ninguém se não bateria o carro. Mas eu tinha a ligeira impressão de que olharia de volta para Chay se pudesse.
- Hum... - murmurou Micael, depois da sessão telepatia entre eles. - Por que vocês, tipo, não vão lá em casa hoje ouvir?
Mordi o lábio inferior.
Ok, eles nos davam carona todos os santos dias, e às vezes iam tomar sorvete com a gente. Mas era só aquilo. Ainda nos ignorávamos na escola e vire e mexe rolavam brigas entre a gente. Principalmente entre eu e o Aguiar, que não queria carregar minha mala.
Mas, por outro lado, fazia frio e eu não estava a fim de ver o jogo.
- Por mim... - respondi, deixando a frase morrer mas dando a entender que sim.
- É, por que não? - Sophia perguntou, olhando para as unhas.
- Pode ser... - Michele respondeu, ainda passando as mãos pelos cabelos de Harry.
Os meninos se olharam nervosos e eu achei graça da repentina falta do ar superior que eles sempre tinham.
- Fechou então! - Mel exclamou, com sua voz passarinho alegre de sempre. - Barney's e depois McFLY!
Mais tarde.
- Bom, essa é uma das novas criações do nosso Thur aqui. - Micael disse, segurando o baixista da banda pelos ombros. - Espero que gostem. Ela se chama Star Girl.
“Uuuuuuu!”, meu Deus, aquilo grudava na cabeça feito chiclete.
Mas era boa. Era ótima.
Era FODONA, truta!
Eles acabaram de tocar a música e Thur jogou-se ao meu lado no chão, onde estávamos sentadas assistindo ao ensaio.
- Vou tomar água. - Sophia disse para mim e saiu em direção à cozinha.
- E aí, Blanco, somos ruins ou muito ruins? - Thur perguntou.
Pisquei meus longos cílios para ele algumas vezes e respondi, indiferente:
- É, vocês são ok.
Mas eles não eram ok. Eles eram bons. Eles eram ótimos.
Eles eram FODÕES, truta!
- Admite que você gostou da minha música, Luinha! - ele disse, passando a mão pelas pontas do meu cabelo. Eu me virei para o outro lado – para ele não ver meu rosto corado? - e respondi:
- Também não é pra tanto, sr. Eu-faço-músicas-por-isso-sou-fodão.
- Você é a pessoa mais pessimista que eu conheço. - ele disse, soltando as pontas do meu cabelo. Enfim, pude respirar.
- Não sou pessimista. - respondi, olhando para ele de novo. Ele olhava para meus olhos e não para os meus peitos, o que era algum tipo de milagre da natureza. - Sou realista.
- Bom, fica aí se realizando que eu vou para o meu quarto. - ele respondeu, levantando-se e corendo até a escada, quase derrubando a bateria de Harry, que xingou baixinho.
No mesmro instante, Chay se sentou ao meu lado e perguntou, como quem não quer nada:
- E aí, Luinha, você viu a Sô?
Sô? Quanta intimidade!
- Foi na cozinha beber água, por q... - eu ia perguntar, mas ele já estava indo para a cozinha.
Epa! Alguma coisa estava pegando.
E como eu já disse, eu era mais curiosa que a porra do gato, então pulei para a porta e passei pela ponta do pé pela sala onde Mel, Michele e Micael comiam salgadinhos e conversavam, e fui até a cozinha.
Parei na porta e coloquei alguns centímetros da minha cabeça para dentro. Mas foi o suficiente para ver Chay com as mãos na cintura de Sophia, que ria.
Esfreguei meus olhos para ver se estava vendo bem. Mas eu não estava precisando de óculos. Sophia realmente estava ali, quase beijando o loser do Chay.
Não que ele não fosse uma gracinha.
Fiquei observando os dois darem risada e chegarem cada vez mais perto – como se isso fosse possível - até que o filho da puta do Aguiar chegou por trás de mim e sussurrou no meu ouvido:
- É feio observar os outros, sabia?
- Putaqu... - eu ia gritar de susto, mas ele colocou a mão rapidamente na minha boca, e com a outra pediu silêncio. Depois apontou para Sophia eChay e eles pareciam tão... Felizes!
Olhei para Thur e concordei com a cabeça. Mas ele não soltou minha boca e ficou me olhando de um jeito esquisito. Então eu olhei para ele com a sobrancelha erguida, como quem diz “e aí, tá difícil?” e ele tirou a mão. Depois balançou a cabeça, como se estivesse saindo de algum tipo de transe.
- Olha, vamos deixar os dois aqui, certo? - ele sussurrou.
- Ok.
Fomos até a sala e ele segurava uma capinha de DVD nas mãos. Longe da cozinha, perguntei:
- Que DVD é esse?
- O que nós vamos assistir agora. - ele disse, mostrando a capinha para mim. O título “Piratas do Caribe” brilhava em cima. - Gosta?
- Se eu gosto? - perguntei, com os olhinhos brilhando. - Não sei se da onde você veio os homens assistem filmes porque atrizes bonitas estão nele, mas de onde eu venho, sim. E não sei se você sabe, Orlando Bloom e Johnny Depp estão nesse filme. JOHNNY DEPP, DUDE!
- Tá bom, calma aí, progesterona girl! - ele disse, dando com a capa do DVD na minha cabeça. - Também não precisa gritar!
Às vezes eu não entedia os homens.
Eram hiper fofos – como Thur foi ao deixar o casal sozinho na cozinha – e depois ficavam hiper escrotos. Vai entender...
Thur fala:
- Você não pegou ela? - eu perguntei, pela centésima vez.
- Não, dude, eu não peguei ela! - Chay respondeu, com os olhos vidrados na Tv de plasma onde nós jogávamos Paper Mario.
- Chay, já te disse que você é uma bicha? - perguntei.
- Umas 50 vezes só hoje.
- MAS POR QUE VOCÊ NÃO PEGOU ELA? - eu berrei. Ele riu e passou as mãos nervosamente pelos cabelos. Demorou um pouco antes de responder, e enfim disse:
- Porque ela não quis.
Continua.....

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