
Capítulo Único
- Outch! Garrafa maldita! Lua escutou o murmúrio vindo do corredor, seguido do barulho de uma garrafa batendo na parede. Era a voz de Arthur, sem dúvidas.
- Bom diiia, flor do dia! - a menina o cumprimentou sorrindo ao vê-lo entrar na cozinha da casa de Chay, com os cabelos bagunçados e cara amassada, caracteríscos de alguém que acabara de acordar.
- Bom dia... Que horas são? - perguntou, sentando-se num banco alto ao seu lado.
- São extamente 14:00h.
- 14:00h? E você já está acordada? E eu já estou acordado? Que merda! - falou tudo muito rápido, deitando a cabeça sobre os braços em cima da bancada, fazendo a menina ao seu lado rir.
- Pessoas normais costumam acordar bem antes desse horário, diferente de pessoas que ficam bebendo até tarde numa festa, sabe?! 

A casa de Chay era palco de famosas festinhas quase todo o final de semana. Mas apenas seus amigos mais próximos eram convidados, o que rendia no mínimo umas 150 pessoas em sua casa. Ele era um garoto de muitas amizades próximas, ao que parecia. E ao fim das festas, alguns amigos sempre ficavam por lá por estarem cansados demais ou bebados demais para voltarem para suas casas.

- Ah, cala a boca. - disse Arthur, dando um leve soquinho no braço de Lua.
- Nossa... Tô com uma fome dos diabos! - completou, olhando em volta.
- Bom, vamos dar uma olhada na geladeira e nos armários, embora eu ache difícil encontrar algo pra comer por aqui, a cozinha do Chay vive vazia. - disse a menina, ao passo que Arthur se dirigia aos armários.
- Vamos ver o que podemos preparar com o que tem aqui... farinha, fermento e... cereal? Cara, o Chay precisa fazer umas compras de coisas comestíveis pra essa casa!
- Verdade, a única coisa que ele lembra de comprar é bebida. - ria Lua, enquanto trazia algumas coisas que encontrara na geladeira e depositava sobre a mesa.
- Ovos, leite condensado, creme de leite, calda de chocolate e manteiga. Foi tudo o que eu encontrei. Arthur se juntou à ela com o que tinha achado nos armários.
- O que a gente pode fazer com isso? - perguntou Lua, encarando as coisas sobre a mesa, sem conseguir pensar em algo decente que pudesse ser feito juntando aquilo tudo.
- Hm, tô pensando.... Já sei! Vou preparar minhas famosas panquecas! - o menino disse sorridente com a idéia que teve.
- Uau! Até uns minutos atrás eu nem sabia que você cozinhava e agora você me diz que faz panquecas e elas são famosas.
- Não duvide de minhas habilidades culinárias. - disse, vestindo um avental que encontrou ao lado do fogão.
- Tudo bem que só sei fazer panquecas, mas elas são muito boas.
Arthur juntou os ingredientes necessários para fazer a massa da panqueca e bateu-os no liquidificador, em seguida derreteu um pouco de manteiga numa frigideira e começou a fritar as panquecas.

- Não acredito! Você sabe virar panqueca no ar! - Lua falou admirada, com os olhos brilhando.
- Eu sempre quis fazer isso, me ensina?
- Claro, vem aqui. - ele entregou a frigideira para a menina.
- Você vai fazer assim - disse, se posicionando às suas costas com suas mãos em cima das dela, para que pudesse melhor ensiná-la e a guiou na primeira vez.
- Viu como é fácil? - disse em seu ouvindo, fazendo a menina estremecer quando se deu conta da proximidade dos dois. Eles se olharam fundo nos olhos, e foram diminuindo ainda mais a distância entre seus rostos, as respirações se misturavam... quando sentiram o cheiro de algo queimando.
- Ai, meu Deus, a panqueca! - Lua se apressou em tirará-la do fogo.
- Droga, queimou toda!
- Relaaax, baby. Ainda tem bastante massa aqui. - disse, apontando para o liquidificador, e se dirigiu para o fogão despejando mais um pouco da massa na frigideira.
Depois de algumas tentativas e massa colada no fogão, não chão e no teto, parecia que Lua estava pegando o jeito.
- Consegui! Consegui! - comemorava, saltitando pela cozinha fazendo Arthur rir.
- Muito bem, já é quase uma cozinheira!
- Não me zoa! E toma isso aqui, não levo jeito pra essas coisas. - disse, rindo e entregando o avental para o menino.

Ele continuou à fritar as panquecas enquanto contava a Lua algumas histórias da festa que acontecera na noite anterior, esta ria sem acreditar que não tivesse visto algumas das cenas absurdas que Arthur relatava, e 10 minutos depois, estavam prontas.

- Muito bem, Lua, prepare-se pra provar as melhores panquecas que você já comeu em toda a sua vida! - disse ele, colocando um prato de panquecas doces e uma jarrinha com calda de chocolate em frente à menina.
- Hmm, o cheiro está muito bom.
- E o gosto também, pode apostar. - piscou para ela se gabando.
- Então que rufem os tambores! - e comeu o primeiro pedaço.
- Caramba! Que panqueca boa, mano!
- Não te disse? Você nunca vai encontrar alguém que faça panquecas melhores!
- Tá, tá. Não vamos exagerar. - riu a menina.
- Você tá sujinha de chocolate - disse divertido.
- Onde? - perguntou Lua tentando limpar o rosto.
- Deixa que eu limpo. - e se aproximou do rosto dela limpando o canto de sua boca.
- Pronto. Arthur continuu próximo de Lua e devagar encostou seus lábios nos dela. Passou uma de suas mãos pela cintura cintura da menina enquanto a outra acariciava seu rosto. Ela colocou as duas mãos em sua nuca e o puxou para mais perto, abrindo sua boca e intensificando o beijo.

- Não imaginava que minhas panquecas poderiam ter um gosto ainda melhor. - ele disse, quando partiram o beijo.
- Dessa vez eu serei obrigada a concordar com você. - Lua respondeu rindo.
- Me lembre de agradecer ao Chay por só ter ingredientes pra fazer panquecas. - os dois riram e beijaram-se novamente.

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